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sábado, 23 de novembro de 2013

Sábado de fortes emoções

Tenho um amigo aqui de Canela que tem um projeto muito bacana.

Ele mora em um bairro de classe média baixa da cidade. Trabalha pra caramba, mas mesmo assim arruma tempo para ajudar outras pessoas.

Eu não tenho a paciência que ele tem, mas decidi colaborar com o que eu pudesse fazer para ajuda-lo no projeto.

Este projeto é grandioso, como todo projeto que envolve o bem estar de pessoas e ao mesmo tempo, extremamente simples, como a vida desse meu amigo.

Certa vez ele vendo a dificuldade do filho dele em conseguir jogar futebol com os colegas de escola, e que fique claro que o garoto não tem necessidades especiais, não precisa de ajuda especializada, apenas não é o melhor garoto no futebol, resolveu montar um time para atender exatamente essas crianças que são os preteridos.

A coisa começou pequena, mas como existem muito mais crianças que times de futebol, o projeto foi crescendo, crescendo e alguns anos depois, confesso que não sei quantos, o projeto tem algo em torno de 160 crianças.

O Gaúcho, como é chamado o projeto, tem times que vão desde o sub nove até o sub dezessete e todos os sábados eles se encontram em uma quadra de uma escola pública no bairro em que moram para algumas horas entre futebol e ensinamentos.

Sem fazer drama de telenovela, o projeto atende na sua maioria crianças carentes e que estão muito próximas de pontos de venda de drogas. É pessoal, Canela não é só o paraíso que se vê nos cartões postais, também temos problemas por aqui.

Esse meu amigo luta, junto com a esposa, com muita dificuldade para manter o projeto, afinal são mais de 10 times incluindo todas as categorias e arrumar equipamento para todo mundo não é fácil, e vocês sabem como são crianças. Elas querem jogar com a camisa do time e não querem saber aonde aperta o calo.

Eu pouco ajudo nessa história toda, mas tento fazer o melhor que posso e hoje, fui recompensado com uma emoção daquelas, de deixar os olhos mareados.

Outro amigo que fiz aqui em Canela e que também trabalha pra caramba, mas mesmo assim arruma tempo para ajudar os outros, é o cara que cuida, com carinho dos meus carros. Quem vê pensa que eu tenho um monte. Não é nada disso, tenho dois carros velhos, um com 15 e outro com 30 anos e os velhinhos, não aceitam qualquer um então um cara que cuide com carinho deles, tem uma boa chance de eu tentar me tornar amigo, não por interesse, mas por afinidade.

Entre uma visita e outra à oficina, este cara me contou a história recente da vida dele com a dependência química.

Pelo que ele me contou do que ele passou, a coisa foi pesada mesmo, por sorte e um baita apoio da família, hoje ele está recuperado e transmitindo suas experiências para outras pessoas.

Eu resolvi juntar essas duas experiências.

Conversei com o cara da oficina e perguntei se ele queria conversar com uma garotada entre nove e quinze anos sobre o que ele havia passado e ele topou e falei com o cara das crianças sobre a proposta e ele aceitou e o dia foi hoje.

Por volta de duas da tarde chegamos ao local do treino e aguardamos até que todos os garotos tivessem se acalmado para começarmos a conversa.

Eles foram se sentando no meio da quadra, em volta da gente, foram feitas as apresentações e o cara da oficina começou a falar o que as drogas haviam feito com ele e principalmente, como ele havia começado nessa vida.

Eu, que estava lá tirando fotos, acabei me sentando junto com a garotada que prestava atenção na narrativa e fiquei olhando os meninos, cada vez mais interessados e quietos. Acho que o meu amigo falou por uns quarenta minutos e naquele tempo não se ouvia nenhum pio.

Fui prestando a atenção no que ele falava e fui imaginando o que deveria ter sido aquela vida e que coragem a dele de se expor dessa forma, de peito aberto, sabendo das suas limitações, dos seus erros, do preconceito que isso implica e mesmo assim dando o recado.

Ele, este meu amigo, ainda não tem trinta anos, mas a coragem dele é impressionante.

No final da narrativa dele, me senti emocionado e muito feliz. Feliz por ter ouvido aquilo. Feliz por ter proporcionado que ele passasse isso adiante. Feliz por ter me sentido útil.

E como um deles diz. Se isso que eu falo servir para mudar o caminho de duas crianças, já ta valendo a exposição e o esforço.

Claro que não chego nem perto do que fazem esses dois caras, mas sinto orgulho de poder trata-los como meus amigos.

Parabéns meus Amigos pela iniciativa de mudar o mundo. Seríamos muito melhores se tivéssemos mais alguns como vocês dois.

Obrigado por mais essa oportunidade e essa experiência.



Foto de uma parte da turma

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Canelense por opção

Graças ao carinho do editor Marcio Cavalli, consegui deixar registrado o carinho que tenho por essa cidade que tem acolhido a mim e a minha esposa com tanta consideração.

Obrigado Amigos do Canela, por me receberem dessa forma tão carinhosa.

Espero poder retribuir o carinho na mesma proporção e quantidade.


Para ler o que eu escrevi acesse:




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A evolução da PRYS em quatro meses.

Hoje eu estava olhando as fotos que tiramos e em dado momento filtrei as fotos da Prys.

Aquela nossa nova cachorrinha que pegamos de doação e que quase morreu e que agora parece o demônio da Tasmânia de tanta farra que faz na casa.

Ver a evolução das fotos mostra o que foi essa jornada e que apesar de tudo o que ela apronta, ela vale a pena.

17.08.13 - quando a pegamos no evento

18.08.13 em casa, na via mansa

20.08.13 - sofrendo os efeitos da parvovirose

Ela quase morreu

23.08.13 - Ela resolveu viver - Valente garota

Setembro de 2013 - só alegria

Setembro de 2013 - só alegria

Setembro de 2013 - só alegria


outubro de 2013 - muita farra e muito sono tambem

13.11.13 - Está se transformando nisso

13.11.13 - Ela ainda não tem 5 meses. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Final de noite de terça INSANO

Tirem as crianças da sala, quer dizer de frente do computador.

Não permitam que elas leiam esse texto. Se você é cardíaco, também recomendo que mude de página. O que vai ser relatado aqui nas próximas linhas, não é para qualquer pessoa.

Considerem-se avisados e os que continuarem daqui pra frente estão por sua própria conta e risco.

O episódio não durou mais do que quinze minutos, mas foram os quinze minutos mais insanos vividos por mim aqui em Canela.

Estás tenso?

Ótimo, porque foi assim mesmo que a coisa aconteceu.

Tudo começou com a nossa chegada em casa após o curso que estamos fazendo para sermos juízes do Tribunal de Mediação do Estado do Rio Grande do Sul, seccional de Canela, chique no úrtimo......

Ao chegarmos em casa fui agraciado, quer dizer meu sapato foi agraciado com uma daquela pisadas em cocô de cachorro que só eu consigo. Não dá para acreditar, mas parece que se há a menor possibilidade do meu sapato achar um montinho de fezes caninas, ele acha e se enche todo.

Enquanto eu tentava achar uma forma de limpar o sapato para entrar em casa, Dorinha que já estava rindo da situação abriu a porta da cozinha e foi ai que o insano tomou conta.

Nós havíamos deixado as duas cachorras na cozinha, com seus cobertores, água e jornal, como havíamos feito outras vezes, só que dessa vez elas resolveram bancar as cozinheiras.

O ar estava repleto de um cheiro que era uma mistura de cebola, alho e queijo. Elas haviam conseguido tirar as cebolas e o alho que estavam dentro da cesta e simplesmente comeram.  Além da refeição tiveram sobremesa. Banana com queijo. Sim, elas comeram todas as seis bananas que estavam no aramado e mais da metade do queijo colonial que estava sobre a mesa e que eu ainda não descobri como é que elas chegaram até lá, já que o queijo não estava no chão, ele estava em cima da mesa, apenas mordido. Vai entender.

No chão entre cobertores ainda restavam pedaços de cebola, os talos das bananas e jornais.
Dorinha disse que a minha cara quando vi aquele cenário, foi de total insanidade. Ela ficava entre eu e as cachorras, porque eu queria grudar as duas na parede. Agora, lembrando-me da cena eu dou risada, mas eu não sabia o que fazer quando vi aquilo tudo. Minha vontade era a de jogar as duas cachorras para fora de casa a pontapés.

Eu falava mal, olhava as coisas e falava mal de novo e Dorinha só olhando e rindo, até que eu fui me acalmando e comecei a ajuda-la a arrumar aquele cenário de devastação que havia se instalado na nossa cozinha.

Não adianta pedir por fotos porque a insanidade foi tanta que nem fotos eu quis tirar. Claro que agora eu me arrependo e deveria ter tirado, mas não deu. Fica para uma próxima.

“Que próxima? Tá louco cara? Não quero isso de novo”.

As surpresas ainda não tinham acabado.

Depois de conseguir ajeitar as coisas, eu e Dorinha fomos tomar o nosso café e foi ai que a surpresa veio.

De repente, eu não sei de qual, mas sei de onde veio. Uma nuvem, daquelas amarelas esverdeadas, começou a tomar conta do ambiente. O cheiro era uma mistura de ração, queijo colonial, cebola, alho e banana. Uma coisa assim quase que definitiva em termos de arma química. E os caras fazendo um monte de coisas pra destruir as pessoas. Basta dar ração, queijo, cebola, alho e banana para o seu cachorro para ver o que acontece.

Depois daquilo, não deu mais para terminar o café. Consegui me recompor uns dez minutos depois. Foi insano.

Dorinha disse que não precisava mais da medicação da noite e eu, vou dormir longe dessas cachorras porque se acordadas elas estão aterrorizando, imagine depois de dormir e relaxar o organismo, o que não vai acontecer.

Bom pessoal espero poder dar notícias amanhã, mas se eu não der, por favor, chamem o pessoal do esquadrão anti bombas e certamente Canela aparecerá na mídia nacional outra vez.


Boa noite.