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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Conversa com a minha irmã.

Hoje quando acessei a minha página na rede social, vi um recado de uma das minhas irmãs falando sobre o Natal.

Ela dizia que este ano nossa realidade havia mudado de vez. Cada um dos quatros irmãos havia passado o seu Natal em lugares diferentes, com as suas famílias e que aquilo havia despertado nela uma saudades dos antigos Natais em que estávamos todos juntos.

Também disse da vontade de, um dia, fazer um "natalzão" com todos juntos outra vez.

Eu respondi a ela que essa era a nossa nova realidade. A evolução da vida e da espécie, com novos clãs se formando e novas realidades nascendo, e que agora, aqueles Natais, eram apenas gostosas lembranças.

Deveríamos nos sentirmos felizes por podermos ter isso na lembrança e que agora era a vez dos nossos descendentes apreciarem os "nataiszões" tendo-nos como chefes dos clâs, assim como foram nossos pais e avós para nós.

Que ela seja feliz nessa nova jornada e na chefia do seu clã. Certamente estarei presente nele, assim como nos das outras irmãs assim como elas fazem parte do meu. Em nossas lembranças e nossos corações.

Independente de estarmos presentes nessas comemorações, sempre nos amaremos e sempre estaremos disponíveis uns para os outros e creio ser esse o verdadeiro espírito do Natal que nos foi ensinado pelos nossos ascendentes,

Ai alguém pergunta:

E você escreve isso? Porque não ligou e falou pra ela?

Claro que eu tentei ligar, mas ela não estava em casa. Certamente estava resolvendo alguma coisa do seu mais novo clã.

Parabéns minha irmã, pelo seu sentimento e por externa-lo. Eu sempre, alias, nós aqui sempre estaremos disponíveis para você e para o seu clã. A qualquer hora e em qualquer lugar.

Te amamos e FELIZ NATAL, todos os dias do próximo ano.


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

E lá se vai 2013

Este foi o nosso primeiro ano, ano aqui em Canela e foi muito bom.

Rolou de tudo.

Tivemos um verão quente no começo do ano, um inverno que parecia não terminar mais e como dizem por aqui, Canela tem duas estações, o inverno e a rodoviária. A piada pode ser sem graça, mas passe um ano aqui que fica fácil entender.

Agora estamos saindo da primavera e entrando no verão. As temperaturas são um exercício de capacidade física. Você começa o dia com 15 graus, vai a 32 e volta pros 15. Pelo menos dormir é bom.

Fora essa característica do tempo, a cidade é gostosa e vale a pena o investimento.

As coisas aqui, como eu já disse algumas vezes, acontecem devagar, muito devagar, mas acontecem.

Eu quase perdi a paciência algumas vezes e a perdi em muitas é verdade, mas o saldo ainda é positivo.

Neste ano que termina eu fiz.

1) arrumei uma ocupação.
2) arrumei duas ocupações.
3) arrumei três ocupações. (percebam que não falei emprego, porque não vi a cor do dinheiro).

Em dado momento cansei de tanta ocupação gratuita e resolvi procurar um emprego, mas não um EMPREGO, um emprego, daquele que não me apertassem demais nem em tempo nem em trabalho e claro que o resultado financeiro seria na mesma proporção. Eu sempre tive consciência disso. Agora eu faria o meu salário. Isso sim era um desafio.

Imaginem para alguém que durante a vida toda sempre trabalhou como empregado, com horários regrados e principalmente salários no dia certo o que seria essa nova aventura.

De qualquer forma, era um desafio que eu gostaria de enfrentar, até pra ver se eu ainda tinha lenha pra queimar ou precisava rever as minhas perspectivas de futuro.

Pessoal preciso confessar uma coisa. Fazia muito tempo que eu não sabia o quanto era difícil para ganhar mil reais num mês. Ralei, ralei e ralei de novo e apenas em um dos últimos 5 meses eu consegui chegar aos mil reais. Tá parecendo meta de executivo de contas de empresa pequena.

Não reclamo não. Tenho meu horário livre e o pessoal da agência é muito, mas muito legal mesmo. Profissionais e determinados.

Depois de arrumar um emprego, resolvi ocupar um pouco mais o tempo já que o trabalho na agência não exigia muito de mim.

Fui fazer um curso de dança gaúcha de salão. Aqui vale uma ressalva. Apesar de eu estar usando tudo na primeira pessoa muitas delas eu fiz com a Dorinha, mas agora tô podendo. Sei que isso vai acabar assim que ela ler o texto, mas pelo menos tive meus momentos de macho alfa.

O trabalho na agência querendo engrenar, algumas coisas acontecendo, mas Canela é assim. Muita calma e muito escorpião no bolso dos empresários, isso sem falar em alguns veículos de comunicação que tem uma atitude do tempo em que o Juarez vendia a quarta capa da primeira edição da Bíblia, mas não importa a cidade é ótima, eu não quero outro lugar pra morar. Eu quero aprender como morar aqui.

O curso de dança foi muito legal. Consegui aprender quatro estilos de dança. A valsa, a vaneira, o vaneirão, o bugio, o xote e a rancheira. Opa são seis e não quatro, que beleza.

Foi muito difícil, todos eles são dois pra lá e dois pra cá, com algumas variações no ritmo mas de fácil marcação; Só o bugio e a rancheira que não são pra mim, porque eu detesto esporte violento. É que eles são muito agitados e preciso de um preparo físico melhor. Agora, você imagina um paulista se metendo a dançar música gaúcha?

É farra na certa.

Teve formatura com direito a certificado e tudo. Baile e os cambau. Tudo dentro da mais autêntica tradição gaúcha. BOM UMA BARBARIDADE TCHE.

Esqueci de falar da pesquisa de campo que fiz para uma empresa aqui de Canela, e eles nem me convidaram para o jantar de entrega dos prêmios. Estremeceu a amizade.

E o ano andando. Tive até a surpresa da pressão alta. É mano, o contagiro foi lá em cima, 19x12.

Acordei completamente tonto. Melhor arrumar essa frase.

Acordei completamente desequilibrado. Ummmmm. Ficou pior.

Ah! Acordei de manhã tentei levantar da cama e o quatro saiu voando e não teve acordo. Eu deitava ele parava, eu sentava na cama ele saia voando. Faz ideia o que foi complicado ir até o banheiro? E acertar o vaso então?

A gente apertado. Sim porque a gente vai ficando velho e cheio de mania. Tem que levantar às 06h30 pra fazer xixi. Não importa se você foi deitar as cinco da manhã, mas voltando a aventura de achar o vaso.

Você apertadinho, tudo rodando em volta e ai você tem que abaixar pra levantar a tampa do vaso. Cara, só de lembrar dá vontade de chorar. O banheiro começou a acelerar numa volta de classificação a lá Ayrton Senna, ia e voltada, esquerda e direita. Não sei o que aconteceu, mas eu me larguei morro abaixo.

"Então tá. Quer sair que saia. Depois eu limpo isso"

Mais tarde, quando o quarto se cansou de correr a minha volta eu me levantei, fui até a cozinha e tirei a pressão. Lembra daqueles 19x12? Então foi quando eu vi.

Imagina pensei eu. Essa merda tá quebrada. Eu não sinto nada.

Mas como não sente cara. Você não tá parando em pé. Tá tudo rodando em volta. Você acha que é o que? Aquela cerveja que você tomou três dias atras? Efeito retroativo?

Pensando melhor, é mais fácil ligar para minha médica particular. Nem sei se ela sabe disso, mas é a minha eleita já há alguns anos.

Deu merda? Fez arte? Passou da conta? Liga pra Sônia que ela te ajuda.

A Soninha é a esposa do presidente "vitalício" da nossa associação.

O nosso clube se chama ACF - Associação dos casados com uma Fontes.

Fundamos essa associação porque só quem é casado com uma Fontes sabe o que é isso. E lá vou eu apanhar de novo, mas hoje to valente.

Soninha ouviu atentamente meu relato  e foi deu o seu diagnóstico numa tranquilidade budista.

-  "É. Sua pressão tá alta mesmo. Precisamos baixar isso".

A essa altura, Dorinha tinha acordado e como ela nuca me vê doente, quando viu quase enfartou.

- Calma querida. Fica calma que não é nada. É só a pressão que está um pouco alta eu acho.
- O que?
- Pressão alta?
- Já tirou a pressão?
- Cadê o aparelho?
- Ligou pra Sônia?

Lendo assim passa até uma certa tranquilidade, mas imaginem essas frases, todas ditas em menos de dois segundos e repetidas umas cinco vezes. E o quarto rodando. Que beleza.

Depois de acalmar a Dorinha e ela constatar que a minha pressão estava mesmo como estava, fomos até uma farmácia buscar os remédios que minha médica receitou. Por sorte eles não precisavam de receita, porque ela fica a mais de mil quilômetros a minha casa.

Remédios comprados, de volta pra casa, tomei a medicação conforme orientação e depois eu descobri que um deles era um diurético.

Meu amigo. Minha amiga. Você tem noção do que é você tomar um copo de água e urinar três? Eu tenho.

E assim passei a semana. Tomando remédio, medindo a pressão três vezes ao dia, cortando o sal, o açucar, o amido e claro, fazendo muito xixi.

Agora e esperar para ver se ela se estabiliza. Se sim ótimo, senão, vamos averiguar com mais detalhes o que está acontecendo.

Já sei. Já sei. Já ouvi um monte de coisas. Para com isso, faz aquilo, procura isso. Calma povo. Estamos em Canela.

Aqui o pessoal tira férias no dia 20 de dezembro e só volta no meio de janeiro, então é melhor se aguentar até lá.

E agora a melhor de todas as notícias.

Nossa casa finalmente começou. O super Cid está lá marcando o terreno e cavando os buracos dos alicerces.

Ela vai ficar bonita, bem alta, como a gente queria. Acho até que futuramente Dorinha vai ter o porão que ela queria.

A vida aqui em Canela é assim. São quase nove horas da noite, no horário de verão é verdade e o dia ainda está claro. Os turistas passeiam pela cidade, os comerciantes faturam um pouco e tudo vai andando como sempre.

É como eu digo. Eu moro aonde o mundo quer passar férias.

E que venha 2014 e para que ele seja diferente para você, não é o ano que tem mudar, é você.

Eu vou tentar fazer a minha parte.

Agora vou tomar meu copinho de leite desnatado e comer minhas duas bolachinhas.

Até pessoal.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Aniversário do Luquinha


Hoje, 18 de dezembro, o Lucas completa mais um ano.

Esse cara tem uma capacidade impressionante de fazer sorrir quem está à sua volta. Lembro-me das reuniões de família.  A primeira coisa que se pergunta é, "cadê o Lucas".

E não é só pela simpatia que ele cativa todos. É também pela grande bondade que a gente vê emanar do seu coração. Sempre atencioso, gentil e generoso.

Eu sei que ele tem defeitos, claro que tem, mas hoje é o aniversário dele e vamos falar só das coisas boas. Os defeitos, quando aparecerem, devem ser tratados em particular.

Lembro-me da época em que você nasceu, um pouco antes e um pouco depois.

Lembro-me de chamar a sua mãe para o salão da casa e colocar música para você ouvir. Led Zeppelin, Deep Purple e Uriah Heep, Elis Regina, Milton Nascimento e você meu amigo, acabou gostando de pagode. "AONDE FOI QUE EU ERREI?" Fico me perguntando.

Lembro de ter ido ao hospital quando você nasceu. Alias, você sabia que eu fui o único a apostar que você seria um menino?

Todas as informações mostravam que você seria Isabela, mas eu não. Apostei até o o fim que seria um "pingulim" e com isso ganhei o bolão sozinho.

Depois que visitei sua mãe, você e seu pai no hospital, me mandei para Bertioga para avisar o vô Chico que o primeiro bisneto dele havia nascido. Cara, foi um final de tarde insano.

Eu e o Vô Chico, detonamos o que restava de um garrafão de vinho doce. Claro que ele muito mais vivido que eu soube segura, mas eu meu querido, amarrei um porre como poucos na vida. Ainda hoje eu me lembro da cena de eu ditado na cama e o quarto rodando, rodando, mas não importa. Eu estava comemorando o nascimento do meu primeiro sobrinho e laro que o Vô Chico também.

É verdade que eu não convivi muito com você, mas o pouco tempo que passamos juntos, você demonstrou uma grande alegria e principalmente uma grande capacidade de mediar,e um bom senso como poucas vezes eu vi.

Feliz Aniversário Cara.

Continue sendo feliz e continue fazendo feliz os que estão à sua volta.

Olha só o que eu achei nos meus arquivos........

AHHHHH MULEKE


sábado, 14 de dezembro de 2013

Coisas que acontecem aqui em Canela

Algumas coisas que acontecem nessa cidade são realmente de te fazer pensar e chegam a espantar.

A primeira é a total falta de comprometimento que as pessoas aqui tem pela relação profissional.

CASO 01

A primeira vem de uma moça que fazia a limpeza aqui em casa. De um momento para outro ela simplesmente parou de vir, sem dar qualquer explicação, desapareceu. Nós ligávamos tentando termos alguma notícia, saber o que havia acontecido e não tínhamos retorno.

Um belo dia, ela chega na porta de casa, com uma conversa de que esteve doente, que ficou estressada mas que isso não iria acontecer de novo.

Claro que a aceitamos, afinal ela nunca havia feito uma coisa dessas e não havia o porque de penaliza-la mais ainda.

Vale lembrar que nesse tempo em que ela esteve aqui conosco, acabamos negociando um jogo de sala que ela gostava. Trocamos por trabalho, assim ficava bom pra todos.

Voltando aos dias atuais, acertada a questão das faltas, ela apareceu mais duas semanas e simplesmente sumiu novamente e sem dar qualquer explicação.

Resolvemos que não poderíamos continuar nessa dependência, afinal nos programávamos para recebe-la em casa e ela não aparecia.

Conseguimos falar com ela por telefone e marcamos para que ela viesse aqui para acertamos tudo e ela nos pagar o que ainda faltava do jogo de sala. Era em torno de 40% do valor total. Ai eu pergunto:

Você veio?

Ela também não. Estamos até agora esperando que ela apareça por aqui para acertarmos o que está pendente.

CASO 02

Quando adotamos a Prys, houve um grande desconforto com a Cylla pela presença dela e isso causou um grande estresse aqui dentro de casa. A coisa chegou a tal ponto que eu queria me livrar das duas cachorras e até ofereci dinheiro para quem as levasse.

Sabíamos, eu e Dorinha que isso não aconteceria. Houve até um interessado de uma cidade no litoral, mas acabou não rolando. Não consegui é a verdade.

Com esses problemas todos, resolvemos contratar um adestrador, para mudar alguns comportamentos nas cachorras e nos ensinar algumas coisas já que estava claro que estava tudo errado.

O cara muito legal, veio aqui em casa umas quatro vezes, eu acho, à R$ 50,00 por vinda. Ai do nada ele falta três dias sem dar a menor satisfação.

Aparece depois de quinze dias, com uma cara lavada, dizendo que ficou mal da coluna e por isso não apareceu.

Eu perguntei se o problema de coluna afetou os dedos também.

Ele perguntou o porque.

Sim, porque  você poderia ter ligado avisando, afinal eu fiquei aqui à tua disposição, te esperando.

Resultado: Ele perdeu o cliente e eu resolvi por conta própria o problema com as cachorras. Agora as duas passam os dias no pátio e só entram em casa para dormir. Pronto. Acabaram-se os problemas. As duas estão amigas, até dividem a casinha e quando entram em casa, estão tão cansadas que vão direto pra cama.

CASO 03

O da nossa casa.

Eu fiz tudo o que eles pediram e até mais, mas nada de começar.

Semana passada eu tive uma conversa com eles sobre o assunto e me garantiram que na terça dia 10 a obra começaria.

Na quarta, dia 11, chegou o primeiro caminhão com cimento, tijolos e alguns canos. Depois veio o das pedras, mas os caras para juntar tudo isso e começar a levantar as paredes, nada. Claro que eu fui até lá, de novo e ai me disseram que agora  seria dia 16 de dezembro, portanto com 23 dias de atraso conforme a cláusula do contrato. Isso se eles cumprirem dessa vez.

O mais legal é que eles vão trabalhar duas semanas e ai param para as festas de final de ano e só voltam em 2014.

Eu estou tão feliz com isso que ninguém pode imaginar.

Eu quero só ver o que eu vou receber em troca pelo atraso do início. Sim porque eu tenho certeza que se eu tivesse atrasado qualquer parcela do pagamento, certamente a obra estaria parada e eu seria acionado judicialmente, mas como são eles, tudo bem.


CASO 04 e último. Sei que vocês devem estar de saco cheio. Eu estou....

Semana passada nós fizemos a castração da Prys. Foi uma cirurgia muito bem feita aparentemente. As coisas devem ter mudado muito, porque eu me lembro que a Cylla teve um corte com uns 10 cm e teve que ficar de cinta e tudo mais. Já a Prys, tem um corte pequeno, levou apenas dois pontos e mais nada.

Mas o caso foi para pagar. Acreditem. Eu tive que ir umas quatro vezes ao veterinário para conseguir pagar. Eles simplesmente não estavam, ou não podiam atender. Eu quase desisti. É que a veterinária é muito gente boa, porque se fosse outro qualquer, eu tinha largado dizendo: Sabes aonde eu moro, quando quiser receber apareça.

É, tenho muito o que aprender ainda sobre o jeito de viver aqui.

Fiquem tranquilo que a vida aqui não é feita só de coisas chatas e incomodações não. Tem coisa muito boa no dia a dia. É só um mal humor passageiro.

Abraços.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Curso de Dança

Ontem, 07 de dezembro, foi o baile de encerramento do curso de danças gaúchas de salão do Clube Serrano, do qual participamos, Dorinha e eu.

A festa foi muito bonita, embalada por um dos melhores conjuntos de música gaúcha do estado, OS MIRINS, mas ali foi o encerramento de uma experiência muito, mas muito interessante mesmo.

Foram dois meses de encontros aos domingos para aprendermos as danças de salão., a saber: Marcha, Polca, Contrpasso, Chamara, Veneira, Vaneirão, Xote (enlaçado e figurado), Bugio, Milonga, Valsa e Rancheira.

Foi uma experiência bem interessante, única eu diria, para os "estrengeiros" como nós e valeu à pena, ou como estão dizendo por ai, valeu a galinha toda.

Obrigado a todos pela acolhida, pelo carinho e pela paciência.

Estes são os resumos do que foi essa experiência.







sábado, 23 de novembro de 2013

Sábado de fortes emoções

Tenho um amigo aqui de Canela que tem um projeto muito bacana.

Ele mora em um bairro de classe média baixa da cidade. Trabalha pra caramba, mas mesmo assim arruma tempo para ajudar outras pessoas.

Eu não tenho a paciência que ele tem, mas decidi colaborar com o que eu pudesse fazer para ajuda-lo no projeto.

Este projeto é grandioso, como todo projeto que envolve o bem estar de pessoas e ao mesmo tempo, extremamente simples, como a vida desse meu amigo.

Certa vez ele vendo a dificuldade do filho dele em conseguir jogar futebol com os colegas de escola, e que fique claro que o garoto não tem necessidades especiais, não precisa de ajuda especializada, apenas não é o melhor garoto no futebol, resolveu montar um time para atender exatamente essas crianças que são os preteridos.

A coisa começou pequena, mas como existem muito mais crianças que times de futebol, o projeto foi crescendo, crescendo e alguns anos depois, confesso que não sei quantos, o projeto tem algo em torno de 160 crianças.

O Gaúcho, como é chamado o projeto, tem times que vão desde o sub nove até o sub dezessete e todos os sábados eles se encontram em uma quadra de uma escola pública no bairro em que moram para algumas horas entre futebol e ensinamentos.

Sem fazer drama de telenovela, o projeto atende na sua maioria crianças carentes e que estão muito próximas de pontos de venda de drogas. É pessoal, Canela não é só o paraíso que se vê nos cartões postais, também temos problemas por aqui.

Esse meu amigo luta, junto com a esposa, com muita dificuldade para manter o projeto, afinal são mais de 10 times incluindo todas as categorias e arrumar equipamento para todo mundo não é fácil, e vocês sabem como são crianças. Elas querem jogar com a camisa do time e não querem saber aonde aperta o calo.

Eu pouco ajudo nessa história toda, mas tento fazer o melhor que posso e hoje, fui recompensado com uma emoção daquelas, de deixar os olhos mareados.

Outro amigo que fiz aqui em Canela e que também trabalha pra caramba, mas mesmo assim arruma tempo para ajudar os outros, é o cara que cuida, com carinho dos meus carros. Quem vê pensa que eu tenho um monte. Não é nada disso, tenho dois carros velhos, um com 15 e outro com 30 anos e os velhinhos, não aceitam qualquer um então um cara que cuide com carinho deles, tem uma boa chance de eu tentar me tornar amigo, não por interesse, mas por afinidade.

Entre uma visita e outra à oficina, este cara me contou a história recente da vida dele com a dependência química.

Pelo que ele me contou do que ele passou, a coisa foi pesada mesmo, por sorte e um baita apoio da família, hoje ele está recuperado e transmitindo suas experiências para outras pessoas.

Eu resolvi juntar essas duas experiências.

Conversei com o cara da oficina e perguntei se ele queria conversar com uma garotada entre nove e quinze anos sobre o que ele havia passado e ele topou e falei com o cara das crianças sobre a proposta e ele aceitou e o dia foi hoje.

Por volta de duas da tarde chegamos ao local do treino e aguardamos até que todos os garotos tivessem se acalmado para começarmos a conversa.

Eles foram se sentando no meio da quadra, em volta da gente, foram feitas as apresentações e o cara da oficina começou a falar o que as drogas haviam feito com ele e principalmente, como ele havia começado nessa vida.

Eu, que estava lá tirando fotos, acabei me sentando junto com a garotada que prestava atenção na narrativa e fiquei olhando os meninos, cada vez mais interessados e quietos. Acho que o meu amigo falou por uns quarenta minutos e naquele tempo não se ouvia nenhum pio.

Fui prestando a atenção no que ele falava e fui imaginando o que deveria ter sido aquela vida e que coragem a dele de se expor dessa forma, de peito aberto, sabendo das suas limitações, dos seus erros, do preconceito que isso implica e mesmo assim dando o recado.

Ele, este meu amigo, ainda não tem trinta anos, mas a coragem dele é impressionante.

No final da narrativa dele, me senti emocionado e muito feliz. Feliz por ter ouvido aquilo. Feliz por ter proporcionado que ele passasse isso adiante. Feliz por ter me sentido útil.

E como um deles diz. Se isso que eu falo servir para mudar o caminho de duas crianças, já ta valendo a exposição e o esforço.

Claro que não chego nem perto do que fazem esses dois caras, mas sinto orgulho de poder trata-los como meus amigos.

Parabéns meus Amigos pela iniciativa de mudar o mundo. Seríamos muito melhores se tivéssemos mais alguns como vocês dois.

Obrigado por mais essa oportunidade e essa experiência.



Foto de uma parte da turma

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Canelense por opção

Graças ao carinho do editor Marcio Cavalli, consegui deixar registrado o carinho que tenho por essa cidade que tem acolhido a mim e a minha esposa com tanta consideração.

Obrigado Amigos do Canela, por me receberem dessa forma tão carinhosa.

Espero poder retribuir o carinho na mesma proporção e quantidade.


Para ler o que eu escrevi acesse:




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

A evolução da PRYS em quatro meses.

Hoje eu estava olhando as fotos que tiramos e em dado momento filtrei as fotos da Prys.

Aquela nossa nova cachorrinha que pegamos de doação e que quase morreu e que agora parece o demônio da Tasmânia de tanta farra que faz na casa.

Ver a evolução das fotos mostra o que foi essa jornada e que apesar de tudo o que ela apronta, ela vale a pena.

17.08.13 - quando a pegamos no evento

18.08.13 em casa, na via mansa

20.08.13 - sofrendo os efeitos da parvovirose

Ela quase morreu

23.08.13 - Ela resolveu viver - Valente garota

Setembro de 2013 - só alegria

Setembro de 2013 - só alegria

Setembro de 2013 - só alegria


outubro de 2013 - muita farra e muito sono tambem

13.11.13 - Está se transformando nisso

13.11.13 - Ela ainda não tem 5 meses. 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Final de noite de terça INSANO

Tirem as crianças da sala, quer dizer de frente do computador.

Não permitam que elas leiam esse texto. Se você é cardíaco, também recomendo que mude de página. O que vai ser relatado aqui nas próximas linhas, não é para qualquer pessoa.

Considerem-se avisados e os que continuarem daqui pra frente estão por sua própria conta e risco.

O episódio não durou mais do que quinze minutos, mas foram os quinze minutos mais insanos vividos por mim aqui em Canela.

Estás tenso?

Ótimo, porque foi assim mesmo que a coisa aconteceu.

Tudo começou com a nossa chegada em casa após o curso que estamos fazendo para sermos juízes do Tribunal de Mediação do Estado do Rio Grande do Sul, seccional de Canela, chique no úrtimo......

Ao chegarmos em casa fui agraciado, quer dizer meu sapato foi agraciado com uma daquela pisadas em cocô de cachorro que só eu consigo. Não dá para acreditar, mas parece que se há a menor possibilidade do meu sapato achar um montinho de fezes caninas, ele acha e se enche todo.

Enquanto eu tentava achar uma forma de limpar o sapato para entrar em casa, Dorinha que já estava rindo da situação abriu a porta da cozinha e foi ai que o insano tomou conta.

Nós havíamos deixado as duas cachorras na cozinha, com seus cobertores, água e jornal, como havíamos feito outras vezes, só que dessa vez elas resolveram bancar as cozinheiras.

O ar estava repleto de um cheiro que era uma mistura de cebola, alho e queijo. Elas haviam conseguido tirar as cebolas e o alho que estavam dentro da cesta e simplesmente comeram.  Além da refeição tiveram sobremesa. Banana com queijo. Sim, elas comeram todas as seis bananas que estavam no aramado e mais da metade do queijo colonial que estava sobre a mesa e que eu ainda não descobri como é que elas chegaram até lá, já que o queijo não estava no chão, ele estava em cima da mesa, apenas mordido. Vai entender.

No chão entre cobertores ainda restavam pedaços de cebola, os talos das bananas e jornais.
Dorinha disse que a minha cara quando vi aquele cenário, foi de total insanidade. Ela ficava entre eu e as cachorras, porque eu queria grudar as duas na parede. Agora, lembrando-me da cena eu dou risada, mas eu não sabia o que fazer quando vi aquilo tudo. Minha vontade era a de jogar as duas cachorras para fora de casa a pontapés.

Eu falava mal, olhava as coisas e falava mal de novo e Dorinha só olhando e rindo, até que eu fui me acalmando e comecei a ajuda-la a arrumar aquele cenário de devastação que havia se instalado na nossa cozinha.

Não adianta pedir por fotos porque a insanidade foi tanta que nem fotos eu quis tirar. Claro que agora eu me arrependo e deveria ter tirado, mas não deu. Fica para uma próxima.

“Que próxima? Tá louco cara? Não quero isso de novo”.

As surpresas ainda não tinham acabado.

Depois de conseguir ajeitar as coisas, eu e Dorinha fomos tomar o nosso café e foi ai que a surpresa veio.

De repente, eu não sei de qual, mas sei de onde veio. Uma nuvem, daquelas amarelas esverdeadas, começou a tomar conta do ambiente. O cheiro era uma mistura de ração, queijo colonial, cebola, alho e banana. Uma coisa assim quase que definitiva em termos de arma química. E os caras fazendo um monte de coisas pra destruir as pessoas. Basta dar ração, queijo, cebola, alho e banana para o seu cachorro para ver o que acontece.

Depois daquilo, não deu mais para terminar o café. Consegui me recompor uns dez minutos depois. Foi insano.

Dorinha disse que não precisava mais da medicação da noite e eu, vou dormir longe dessas cachorras porque se acordadas elas estão aterrorizando, imagine depois de dormir e relaxar o organismo, o que não vai acontecer.

Bom pessoal espero poder dar notícias amanhã, mas se eu não der, por favor, chamem o pessoal do esquadrão anti bombas e certamente Canela aparecerá na mídia nacional outra vez.


Boa noite.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

NATAL LUZ 2013 – 28ª EDIÇÃO

Uma das vantagens de se morar aqui na região das hortênsias, é que a organização do NATAL LUZ promove shows de ensaio para os ajustes finais. Os ingressos para esses espetáculos são trocados por dois quilos de alimentos não perecíveis por pessoa.

Descobri que a vantagem pode ser aproveitada por quem não é da região. Turistas que estiverem por aqui nessa época do ano, podem trocar alimentos por ingressos também.

Em uma conta simples, os quatro shows nos custaram R$ 35,00, ou seja, R$ 4,35 por pessoa. Isso é u belo desconto levando-se em conta que esses mesmos shows estão tabelados entre R$ 65,00 e R$ 85,00 cada. Isso sem falar na boa ação de doação de alimentos.

Fora o valor, foi legar ver todos os espetáculos lotados. Isso quer dizer que a arrecadação deve ter sido muito boa.

Agora vou falar um pouco dos espetáculos.


O primeiro foi o NATALIS. 


Um show de luzes numa cortina de água, acompanhando a narração sempre potente do texto de Cid Moreira, falando sobre o surgimento do Natal Cristão.

O show foi bonito, mas precisa de alguns ajustes. Uma dica para 2014 para os organizadores. Coloquem cestos de lixo nas arquibancadas e pensem em tirar aqueles enormes postes que sustentam as caixas de som e fogos da frente das arquibancadas. Na posição em que nos encontrávamos, um poste atrapalhou em demasia a visão.


O segundo foi a FANTÁSTICA FÁBRICA DE NATAL.




Uma representação muito interessante e com muitos atores e cenários muito bonitos, sobre uma criança que não acredita em Papai Noel.

As fotos valem mais que qualquer comentário.

 









O terceiro que vimos foi o GRANDE DESFILE DE NATAL.

 
Este está muito diferente do que nós vimos anos atrás quando estivemos por aqui como turistas.

Pode ter sido por ser o primeiro, mas os participantes estavam muito mais preocupados em não errar a coreografia do que encantarem o público. Estavam sérios demais.


A música creio ter sido outro item que prejudicou o espetáculo. É uma música que é interpretada por cantores líricos e a sua repetição, com tons agudos e altos vai dando nos nervos de quem está assistindo. Em dado momento eu queria sair correndo do local.




E o último foi o NATIVITATEN. 




Este eu considero o melhor de todos os quatro espetáculos. O som perfeito, a escolha do repertório impecável, passando pelas músicas de temas natalinos até John Lennon e Beatles, só clássicos, foi de emocionar.

O maestro que comandava o piano e a banda foi um show à parte de desempenho. Não sei se foi empolgação dele ou é coreografado, mas foi ótimo.
O som, os tenores, as sopranos, o coral, as luzes, os fogos de artifício, tudo muito bonito e gosto de ver.



Não seria justo fazer um ranking, afinal de contas é a minha opinião e sei que ela vale tanto quanto qualquer outra, mas eu vou dizer que se eu fosse turista, tentaria ver todos, mas em não conseguindo e tendo que escolher dois, eu optaria pelo NATIVITATEN e pela FANTÁSTICA FÁBRICA DE NATAL.

Eu acho que o Grande Desfile ainda vai melhorar, mas não acredito que o NATALIS mude muita coisa do que foi apresentado não. Ele é bonitinho e vocês sabem o que eu penso. Bonitinho pra mim é um feio arrumado, passa, mas não engana.

Espero que os que venham apreciar o NATAL LUZ aproveitem tudo o que a região oferece. A cidade está linda, com as ruas iluminadas e tocando músicas de Natal.

Canela começa a preparar o seu SONHO DE NATAL e pelo que eu li e vi, acho que esse ano vai ser mais bonito que o ano passado. 


Até mais.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Está fazendo um ano

Que estamos morando em Canela.

Pode não parecer, mas foi no dia 05 de novembro de 2012 que fechamos nossa casa em São Paulo, com passagem só de ida, quero dizer, só de vinda aqui pra Canela.

Confesso que apesar de otimista, um enorme frio percorria minha espinha e um enorme ponto de interrogação se formava.


O que seria como seria e o que nos esperava nessa nova cidade.

Vocês puderam acompanhar pelos textos durante este ano que passou algumas coisas que aconteceram com a gente, algumas coisas que sentimos e vivemos nesses trezentos e sessenta e cinco dias da nossa nova vida.

Na maioria das vezes os textos eram pra cima, relatando o lado bom da vida, mas não vou mentir pra vocês. A vida é bela e aqui ela é mais, mas também temos nossos dias nublados e às vezes até tempestuosos, mas isso não interessa. Como Lurdinha me disse uma vez: “Quem é o dono que segure o touro pelo chifre”. Então, vem cá boizinho que precisamos conversar.

Neste ano que passamos aqui muita coisa aconteceu em nossas vidas.

Eu descobri que sou capaz de fazer coisas que eu não imaginava que era. Voltei a trabalhar.  Por enquanto eu estou só trabalhando, dinheiro que é bom vem muito pouco, mas se a gente não plantar ai é que não teremos nada o que colher.

Estou mais calmo, mais tranquilo e consigo até pensar melhor. Creio que estou mais em paz aqui do que estava em São Paulo.



Claro que sinto muitas saudades dos amigos e dos familiares. Às vezes até dá aquela dúvida do será que fiz o certo?  Eu sei que ela vem por conta das saudades, mas ai eu olho para o que eu fiz neste ano e vejo que por enquanto a decisão está correta.  Dizer que ela será sempre certa é ingenuidade, mas hoje eu garanto que não tenho vontade alguma de voltar a viver em São Paulo.

Encontrei-me aqui na cidade. Converso com as pessoas, caminho com calma olhando a paisagem e até de carro, eu ando tranquilo, aproveitando cada dia como uma dádiva, olhando a luminosidade que o sol daqui produz nas coisas. O azul do céu que não vi em outro lugar e as estrelas que consigo ver à noite, quando não está chovendo.
Descobri que em Canela chove e não é pouco não. A chuva quando vem aqui é para tirar férias. Ela fica alguns dias visitando a região. 
Até neve nós vimos aqui, coisa que eu não tinha visto ainda na vida. Até guardei um pouco num saquinho. Está no freezer. É claro que virou gelo, mas aquele gelo é neve (coisa de paulista meu).

Compramos nosso terreno e vamos colocar nossa casa em cima dele. Ela vai ser como sempre do jeito que queremos toda em um plano só, com um amplo espaço na sala e a cozinha integrada. Nossa ideia era a de deixarmos até o quatro aberto, mas o frio nos fez mudar de ideia. Uma coisa é ter que aquecer 20 metros quadrados, outra é aquecer noventa. Ela vai ficar legal.

A vida na agência promete ser bem interessante para 2014 e tenho fé que esse plantio os frutos necessários ao nosso sustento.

Dorinha está mais tranquila e começa a tomar noção de algumas coisas que acontecem com ela e só isso já é motivo para continuarmos em frente.

A Prys, nossa nova cachorrinha, (Já nem sei mais se dá pra chama-la assim. Está com pouco mais de quatro meses e maior que a Cylla) trouxe uma nova vida aqui pra dentro de casa. Nada como uma nova energia e visão de vida pra agitar um pouco os velhos. Ela é um azougue. Está já está maior que Cylla, morde tudo o que acha pela frente e traz pra dentro de casa tudo o que acha no quintal, faz suas necessidades na cozinha, mas é muito carinhosa.

Ela está tirando a Dorinha da cama na marra. Nossa sala é uma verdadeira bagunça com brinquedos e chinelos por todos os cantos. O que ela mais adora é tirar as coisas do lugar, mas não me arrependo de te-la pego, acho que ela nos dará muitas alegrias.

A Cylla está mais velha e rabugenta. Tá cada dia mais mal humorada, uma perfeita velha e a Prys deixando a velha louca.

Estou fazendo alguns novos conhecidos. Espero que alguns virem amigos. Já fiz alguns poucos amigos, daqueles que sei que posso contar a qualquer momento, mas vejo potencial em muito mais gente. Aqui o interesse na pessoal é maior do que nas coisas e como a vida anda um pouco bem mais vagarosa do que em uma cidade grande, as pessoas ainda tem tempo de se preocuparem com pessoas e isso é muito bom.

Algumas pessoas muito queridas de São Paulo já vieram nos visitar aqui e sei que voltarão.

Isso tudo ajuda a acalmar as saudades que às vezes bate.

Já se vão quase seis meses que não vamos a São Paulo e imagino o quanto as coisas ai devem ter mudado. Vai ser divertido voltar a essa cidade e reparar nas mudanças. Agora em São Paulo seremos turistas. Vai ser divertido, poder entrar num daqueles restaurantes árabes da Rua 25 de março e me fartar. Esse tipo de comida não tem aqui na região.

Qualquer hora dessas a gente aparece por ai, mas isso não os impede de, quando quiserem, virem à nossa casa. Se não couberem aqui (temos dois quartos, mas um banheiro) há algumas pousadas aqui perto, bem interessantes e que certamente os atenderão muito bem.

Quero dizer aos meus amigos e meus familiares que estamos bem e que fizemos bem em termos vindo para cá. Estamos felizes e tocando a vida em frente. 

Espero e quero que vocês façam o mesmo, porque uma vida sem ser feliz não tem graça e nem motivo algum.


Obrigado pelos que torcem por nós e, por favor, continuem a fazê-lo. Sem essa torcida a vida fica muito mais complicada.




 CANELA, NOVEMBRO DE 2013









quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Aprendendo muito com a pesquisa de campo


Vocês leram no meu último texto que uma das coisas que eu estava fazendo era uma pesquisa de campo para a ACIC, Associação Comercial e Industrial de Canela.

Esta pesquisa é para escolher as melhores empresas de Canela em cada um dos setores.

Há uma metodologia na pesquisa, que é divida por setores da cidade.

No primeiro lote me deram 100 entrevistas para fazer distribuídas em seis setores escolhidos aleatoriamente pela coordenação da pesquisa.

Agora no segundo lote, são mais 70 entrevistas nas mesmas condições.

Bom o que eu quero dizer é que estou conhecendo Canela como conheço poucas cidades. Estou conversando com os mais variados tipos de pessoas, sendo cheirados pelas mais diversas raças de cachorros e andando em média, cinco quilômetros por dia.

Está maratona toda começa a produzir algumas situações interessantes que tentarei descrever.

A primeira coisa é escolher a casa para a entrevista.

Como eu tenho começado sempre por volta de 9h30 da manhã, as casas ainda estão fechadas e em dias nublados então, quase ninguém põe a cara pra fora, quem dirá abrir a casa. Ai então eu uso as ferramentas que desenvolvi:

Calma pessoal ,não é o que estão pensando. Não, não é pé de cabra e nem uma arma, são ferramentas de observação.

Se a janela está aberta é fácil, mas se a janela está fechada, partimos para os itens.

1) Se tiver luz acesa, há grande possibilidade.

2) Se perceber alguma música ou conversa, certamente tem gente. É aqui em Canela, as ruas nos bairros são tão tranquilas que você consegue perceber se há barulho dentro da casa.

3) Se tiver um carro parado na porta, não dentro do pátio, há grande possibilidade de ter alguém na casa.

4) Se a chaminé do fogão está soltando fumaça, certamente tem alguém na casa, ou é melhor ligar para os bombeiros.

E com essas ferramentas de observação eu vou facilitando a minha vida no campo.

Ai entra a questão de como entrar em contato.

Aqui em Canela, na maioria das casas que eu visitei a campainha fica colada à porta, então você precisa entrar na casa da pessoa, tocar a campainha e voltar para ao portão.

Esse procedimento parece fácil, infantil até. E seria, se não fosse o detalhe de que na maioria dessas mesmas casas há um cachorro que te olha estranho e normalmente ele fica entre o portão e campainha.

Ai quando a  campainha fica no muro da frente, longe do cachorro, na maioria das vezes ela não funciona.

O jeito é apelar para o velho e bom  bater palmas e torcer para que uma vitima apareça,  sim porque a pesquisa faz do entrevistado uma vitima.

São mais de 90 perguntas e todas de lembrança de marca, nos mais diversos segmentos de comércio e serviços da cidade, mas pesquisa é pesquisa e eu sempre as levei muito a sério e não seria agora que eu iria começar a detona-la, então vamos à apresentação.

Com um sorriso no olhar, e o crachá no peito eu armo o meu discurso.

"Bom dia. Eu sou da ACIC e estamos fazendo uma pesquisa para eleger as melhores empresas de Canela de 2013.

É o prêmio Mérito ACIC. O (a) Senhor (a) poderia nos ajudar, respondendo um questionário comigo?

Não leva mais que dez minutos. (primeiro truque, lembram, são 90 questões)

É uma pesquisa de lembrança de marca.

Eu falarei alguns segmentos e a senhora responderá o nome da empresa que lhe vier à cabeça.

Caso não se lembre de nenhuma, apenas diga que não lembra e seguiremos em frente, sem preocupação.

Podemos começar?"

Depois do questionário, das 90 perguntas, quando as pessoas começam a ficar impacientes e a me olharem atravessado, eu ainda peço mais dois favores:

Confirmar o nome e endereço, traçar um rápido perfil do entrevistado e pedir que ele escreva o seu nome na pesquisa para valida-la.

É minha gente, é fácil a vida de pesquisador.

Agora que vocês entraram no clima de rua comigo, ficará melhor entender as situações que vou relatar.


VIRANDO NETO.

Entrevistei uma senhorinha, muito gentil que me convidou para entrar e sentar na varanda.

Comecei perguntado sobre os segmentos e ela ia respondendo tranquilamente. Tinha um bom conhecimento da cidade, principalmente das pessoas. Ela não lembrava direito do nome das lojas, mas conhecia praticamente todos os donos (isso é bem comum por aqui, coisa de cidade pequena).

Lá pelas tantas ela me olhou e falou. “Nossa como o senhor parece meu neto que não vejo há muito tempo” e pegou na minha mão.

Os olhos dela estavam cheios de lágrimas e ai pronto, lá se foi a pesquisa.

Parei peguei na mão dela e começamos a conversar e ela me contando da última vez que havia encontrado com o neto e eu perguntei por que fazia tempo que ela não o via e a resposta foi, porque ele havia morrido num acidente.

Caramba o que fazer diante daquilo, melhor mudar de assunto.

Olhei em volta vi a foto de um jovem na parede e perguntei se era ele, ao que ela respondeu com a cabeça que sim. Olhei mais atentamente e a nossa única semelhança era a barba, mais nada, mas eu já a estava chamando de “vó” e com isso ela foi relaxando e voltou a sorrir.

Ai, vó pra lá, vó pra cá, uma história daqui, outra dali e consegui terminar a entrevista quase uma hora depois de ter entrado na casa daquela senhora.

Sai de lá com uma sensação boa. A de que mais do que pesquisa, havia feito uma senhora feliz, por ter trazido boas lembranças a ela.

Isso me lembrou das épocas em que eu bancava o Papai Noel na empresa e ia visitar os orfanatos.

Sempre havia uma situação indigesta que precisava de uma resposta ou uma saída mais amena.



QUASE ME PERDENDO

Essa aqui também foi bem legal.

Eu bati numa casa e quem abriu a porta?

Uma garota, daquelas que são difíceis não se reparar.

Ela vestia uma roupa muito menor do que o seu manequim que não mostrava nada, mas insinuava tudo e assim veio me atender.

“Bueno” como se diz por aqui. Era hora de centrar na pesquisa, mas não seria uma coisa muito fácil não, porque ela era realmente muito bonita. Alta, morena de olhos azuis.... Calma mano, volta pra pesquisa.

Ela me convidou para entrar e eu fui até a varanda, porque era um daqueles dias de sol forte, mas eu sabia que estava arriscando.

Ela perguntou se eu não preferiria fazer o questionário dentro da casa, que estava mais fresco.

Cara! Que desespero.

Por sorte meu anjo da guarda bom estava ali de plantão e me ajudou na resposta me fazendo dizer que a ACIC não permitia que nós entrássemos nas residências.

Digo isso porque sei que quem pilotou essa foi meu ajno da guarda. Se eu entro ali, não sei o que seria de mim e ai:

Adeus pesquisa, adeus casamento, adeus tudo.

Ficamos na varanda. Eu sentando num banco e ela numa cadeira com as pernas cruzadas, sorridente e insinuante. Ela sabia o que estava fazendo e eu sabia que ela sabia que eu sabia que ela sabia o que estava fazendo.

Quando eu já havia recorrido a quase tudo para me abster daquela visão e me concentrar na entrevista, eis que o "tinhoso" apronta de novo. Sem mais nem menos, a porta da sala se abre e de dentro sai outra garota nos mesmo moldes com uma bandeja com água para nós. Me oferece um copo e depois de colocar a bandeja na mesa, passa por traz de mim, numa distância que dava para sentir o perfume de banho recém-tomado e vai se se sentar ao lado da que eu estava entrevistando. Sempre sorridentes e insinuantes. Elas estavam de sacanagem comigo.

Não foi fácil. Eu não lembro quanto tempo levou aquela entrevista, mas assim que terminei, tratei de levantar e me mandar.

Eu não sabia quanto mais eu conseguiria aguentar. Eu só lembrada do "adeus casamento e adeus tudo".

Quando entrei no carro,e lembrei-me do que acabara de acontecer, comecei a rir sozinho.

No fundo foi divertido.

Fazia tempo que eu não levava uma cantada sem ser da minha mulher.

Fez bem pro meu ego e descobri que o coração ainda está em ordem e o medo também.



FAMÍLIA FELIZ.

Nessas pesquisas, eu visitei alguns lugares da periferia da cidade e numa dessas casas eu encontrei uma família que me fez repensar a vida.

Era uma casa muito simples, mas simples mesmo, quase beirando ao nada. Da rua dava pra ver que era apenas um cômodo que abrigava a todos e como era um domingo, estavam todos em casa, o pai, a mãe e as duas filhas.

A família era linda. Tanto os pais como as filhas eram figuras daquelas que poderiam sair em qualquer capa de revista, mas o que mais me impressionou foi a alegria em que eles viviam.

Receberam-me com alegria. Eu ia fazendo as perguntas e eles respondendo sempre com um sorriso no rosto, brincando entre eles e na hora de montar o perfil percebi que a simplicidade deles não era só de uma possível falta de sorte, mas sim de falta de oportunidade, porque o pai pediu à filha mais velha que escrevesse o nome dele na folha.

Aquela situação me fez refletir sobre o que é mesmo necessário para sermos felizes e que a verdadeira felicidade não está nas coisas e nem fora, está dentro da gente, num carinho, num sorriso, numa delicadeza.

Estou aprendendo muito com esse trabalho. A cada entrevista, a cada conversa, percebo o quão pequeno eu sou e quanto ainda tenho que aprender sobre a cidade e suas pessoas.

Ainda tenho mais quatro setores para fazer, vamos ver o que vou aprender nesses.

Obrigado e quem sabe a gente nãos e vê pelas ruas de Canela. Pelo menos até o final do mês eu estou por ai, senão a coordenadora me mata.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um apanhadão dos últimos dias

As coisas começam a acontecer aqui em Canela e a minha vida começa a ficar agitada novamente. Graças a Deus porque eu já estava começando a me acostumar com aquele ritmo e como disse meu cunhado Fernando, o perigo é a cintura endurecer demais e você não conseguir mais dançar;

Falando nisso a primeira é a nossa matrícula no curso de dança gaúcha que é ministrado pelo Márcio Cavalli, um estudioso das tradições gaúchas aqui da cidade. Saibam todos que Canela é uma das cidades que mais mantém viva o cultivo das tradições e num "mea culpa" vai aqui o registro.

Eu sempre achei que comemorar a revolução Farroupilha era uma coisa meio sem sentido, porque afinal eles haviam perdido a guerra, porém morando aqui eu começo a entender que não é o fato de ter perdido a guerra que eles comemoram e sim o fato de não terem se rendido a um sistema de governo que impunha terríveis condições ao povo daqui. Isso muda um pouco meu ponto de vista.

O curso está muito divertido. Eu e Dorinha estamos aprendendo alguns passos e se tudo continuar como está, dia sete de dezembro estaremos nos formando com toda a pompa e tradição. MAS QUE BARBARIDADE TCHE;

Também nos matriculamos no curso para formação de juizes mediadores do TMA/RS. São aulas na Câmara de vereadores da cidade. Está bem interessante, porque o que se trabalha neste tribunal é uma filosofia de mediação de conflitos e eu gosto dessa pegada. Ainda não dá pra falar muito do curso porque há muita dúvida nos procedimentos que serão esclarecidos nas aulas, mas eu sei que vai ser legal.

A construção da nossa casa está começando a sair do papel. As coisas aqui são interessantes. Fui fazer o pedido de ligação da energia elétrica e a RGE compareceu. Foi lá, ligou os fios no poste novo, colocou o relógio, lacrou tudo, porém na hora de ligar os fios à rede Elétrica, o poste da rua quase caiu quando eles encostaram a escada. Parece que ele está podre. Aqui alguns postes ainda são de madeira.. Agora é preciso que venha o carro com um cesto para que a ligação possa ser feita.




O terreno já está preparado para receber as marcações da construção, só que antes, faremos alguns testes para ver como fica a entrada da garagem, mas tenho certeza que tudo se ajeitará.

Claro que eu tive que entrar com o carro até aonde será a garagem só pra sentir o prazer de entrar no que é nosso.

A sensação foi muito boa.

Outra novidade é a pesquisa de campo da qual estou participando para a ACIC, Associação Comercial e Industrial de Canela. Todos os anos eles escolhem as empresas mais lembradas da cidade e este ano eu me inscrevi para a parte do campo até como uma forma de conhecer melhor o povo da região.

Minha parte são seis setores, cada um com algo em torno de 20 questionários com 80 perguntas cada. Está muito interessante porque cai com dois setores periféricos da cidade, onde a gente vê o poco mais humilde e é muito interessante a recepção deles e o sentimento de importância que eles ficam quando eu explico que é uma pesquisa para escolher as melhores empresas da cidade e que eu queria que eles participassem. Além dese contato aprendi uma coisa. Dá próxima vez que aparecer um pesquisador aqui em casa, eu certamente o convidarei para sentar e oferecerei água, porque pessoal não é mole. Tenho andando em torno de 7 km por dia e se fosse um caminhar continuo até seria mais fácil, mas você anda, para, pergunta, fala, responde, conversa, tudo isso em pé e sob o sol. Não é mole a vida desse pessoal.


A mais recente foi ontem à noite quando participei de um curso de preparo de churrasco ministrado pelo Embaixador do Churrasco Mauro Abreu de Camargo. Foi bem legal porque aprendi um monte de coisas que eu não sabia, como preparar as carnes, tipos de corte, formas de temperar, uma receita de pão de alho que é espetacular, entre outras coisas.

Claro que o bonitão aqui teve que pagar o mico e acabei participando da brincadeira numa boa. Teve uma boa recompensa. Ganhamos um final de semana numa pousada.

O mais legal disso tudo não é o fato de aprender a fazer um churrasco mas ter um certificado de que aprendi a fazer e agora meus amigos, principalmente os que moram aqui no Rio Grande, a coisa vai ser mais criteriosa. Eu continuo não fazendo churrasco porque sempre haverá um gaúcho que gosta disso muito mais que eu, mas agora eu vou começar a avaliar os procedimentos e os resultados com muito mais embasamento que apenas o gustativo.

E pra quem duvida, ai está o certificado.


MAS QUE BARBARIDADE TCHÊ!