Desde que chegamos aqui, apesar
de não termos tido pressa, as coisas parecem conspirar para que o resultado
aconteça.
Às vezes eu me pergunto se somos
mesmo merecedores dessas coisas tão boas acontecendo assim tão depressa.
Eu tento fazer a minha parte,
todas as noites eu me deito na cama, dou um beijo na Dorinha, empurro a Cylla
para o lado e agradeço ao Papai do céu por mais um dia e por tudo o que Ele e
Nossa Senhora tem feito por nós aqui. Sexo rola de manhã, com o cantar do sabiá
ao fundo, ele não tem cantando muito ultimamente, mas quando canta rola.
Agradeço também em minhas orações
toda a torcida das pessoas que nos amam.
Posto isso, vamos adiante.
A gente esteve sempre atento ao mercado
imobiliário, uma das nossas, mais minha que da Dorinha, porque sou bem “norótico”,
éramos a de termos uma casa própria, do jeito que a gente queria, na região da
cidade que queríamos e principalmente, pagando o que estávamos dispostos a
pagar.
Não foi muito tempo é verdade e
por isso o meu agradecimento, mas nesses últimos três meses, eu vi um monte de
casas e terrenos, falei com quase todas as imobiliárias de Canela em busca do
nosso sonho.
Um dia desses passados, resolvemos
que iríamos dar um tempo nessa história, porque o mercado aqui está como eles
mesmos dizem “fora da casinha” e quando a gente chega com um sotaque de fora o
pessoal “tomaticamente” sobe uns 20% no valor de qualquer imóvel.
Então à noite, eu estava olhando
os sites das imobiliárias, lembrem-se, eu sou meio “norótico” quando eu vi um
terreno numa imobiliária que foi a primeira imobiliária que procuramos em
Canela.
Mandei um email pedindo
informações e o dia seguinte “noroticamente” resolvi passar na imobiliária para
ver se eles tinham recebido.
Quando cheguei encontrei a
Renata, uma corretora muito querida e que tinha nos atendido da primeira vez.
Contei a história para ela, disse o que eu estava procurando e ela me levou em
algumas casas que ela tinha em carteira.
Não era nada do que eu estava
procurando e mais uma vez eu me senti frustrado, mas não perdi a confiança,
aproveitei que estávamos passando em frente de casa e resolvi mostrar a ela
onde e como estávamos instalados, para ficar mais fácil a procura.
Feito isso ela me confessou que
não acharíamos uma casa que nos agradasse pelo valor que tínhamos disponível e
que a solução seria partirmos para a compra de um terreno e ai sim colocarmos a
casa em cima.
Disse o valor que eu tinha
disponível para a compra de um terreno e no dia seguinte ela me liga dizendo
que havia entrado na carteira da imobiliária, um terreno no bairro que nós
queríamos, pelo valor que estávamos dispostos a pagar.
Pois então vamos ver o tal do
terreno, eu disse já esperando aquelas pirambeiras que o pessoal já havia me
mostrado.
Quando nós chegamos ao local eu
me impressionei.
O terreno é no meio de uma quadra
em forma de triângulo, tem frente para duas ruas e tamanho em torno de
quinhentos metros quadrados. Para quem vem se São Paulo, quase uma chácara.
Em um dos lados, haviam restos de
uma construção, muito entulho, mas nada que umas três horas de retroescavadeira
não resolva e já está há meio caminho para colocar uma casa em cima. Na outra
ponta, e foi por onde me apaixonei, há um monte de árvores que fazem uma sombra
deliciosa e que com alguns ajustes, ficará um bosque perfeito.
Ele é bem parecido com o que
moramos hoje.
Olhei o terreno e disse. Preciso
trazer a Dorinha para ver. Se ela gostar a gente conversa. Isso da boca pra
fora, porque por dentro eu já tinha comprado.
Voltamos para casa, peguei a
Dorinha e voltamos para ver o terreno. Dorinha fazendo aquela cara de quem não
estava a fim de nada e eu na minha.
Ela olhou, viu e um lado, andou
pelo outro e só disse uma coisa. “gostei”.
Voltamos para a imobiliária e eu
comecei a perguntar sobre o imóvel, a documentação, essas coisas e claro, se poderíamos
ter um desconto no valor.
A Renata ficou de averiguar tudo
e me retornar.
Como esses dois dias demoraram,
mas foram bons porque pude passar várias vezes e em vários horários pelo
terreno e observar a posição do sol.
Aqui é muito importante a posição
do sol por causa do inverno. Se não tiver o sol da manhã batendo a gente ale de
congelar de frio começa a criar raízes nos pés de tanta umidade e nele o sol
bate a manhã toda até às 16h quando começa a se esconder atrás das árvores que
estão no terreno.
Outra coisa legal é que a área da
frente de uma das ruas, a que ficará com a entrada da casa, é uma área de
preservação de vegetação, quer dizer que sem vizinho de frente, só vegetação.
Quando a Renata nos ligou dando
as respostas e dizendo que o terreno era nosso foi uma grande alegria, marcamos
a assinatura da escritura, eu dei o sinal para o negócio e ai vem mais uma
coisa que, em outras épocas me deixaria louco. O único documento que acertava o
negócio era o meu cheque de cinco mil reais que estava em nome da proprietária
e que seria guardado na imobiliária para me ser devolvido depois.
No dia da assinatura eu fiz a
transferência do valor para a conta da dona do imóvel e fomos ao cartório.
Assinamos tudo e agora ele é nosso, só estamos esperando a documentação voltar
do registro de imóveis.
Agora é sonhar com a casa.
Não queremos um imóvel grande,
afinal somos só nós dois e a Cylla, mas queremos o nosso loft, com muitos
vidros voltados para o sol da manhã, fogão à lenha, meu porão que não abro mão
para guardar as garrafas de cachaça e vinho, garagem coberta para os carros,
lugar para por a minha rede e uma mesa com bancos e uma churrasqueira no meio
do bosque para os dias de calor.
Claro que teremos uma ou duas suítes
(isso vai depender do orçamento) para hospedar os amigos e para a Dorinha
continuar lendo o tarô.
A gente agradece do fundo do
coração toda a torcida e o carinho que vocês têm conosco e logo vocês poderão
dizer que tem uma casa na serra gaúcha, a nossa casa.
Obrigado.
PS: Vocês tem ideia de como está fácil para mim segurar a ansiedade da Dorinha, pensando em planta de casa. compra isso, compra aquilo, visita aqui, visita ali. Não é mole a vida de super herói.