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terça-feira, 26 de março de 2013

Final de semana da Páscoa


Este final de semana, vamos passar por mais uma Páscoa. Termina a quaresma, saem as cores roxas das igrejas e a vida volta a todos os lugares.

Aqui vamos receber a visita de uns irmãos nossos. Digo isso pela consideração que temos por eles e que eles têm por nós.

Interessante esta capacidade que temos de escolhermos pessoas que nos fazem bem. Esse quarteto fantástico que virá este final de semana é uma turma assim. Sabemos que a qualquer hora, a qualquer momento poderemos contar com eles e a recíproca é verdadeira.

Apenas para constar, esse pessoal que vem ai, foram os únicos que nos ligaram desde que mudamos para Canela. Vejam isso não é uma reclamação, é uma constatação e contra fatos não há argumentos.

E como na Páscoa católica, este será um final de semana de renascimento e reafirmação das nossas crenças e nossos valores.

A ansiedade é grande pela visita. Um monte de coisas e programas já nos passou pela cabeça. Vamos fazer isso, vamos visitar aquilo, vamos, vamos....... Vamos ficar juntos o máximo possível.
Queremos poder toca-los, senti-los aqui conosco. Abastecermos-nos de seus carinhos e matarmos as saudades, que não chega a doer, mas incomoda diariamente.

Que eles saibam que estamos bem e que as palavras que escrevo não são invenção. A nossa vida é isso mesmo e queremos compartilhar com esses irmãos de coração que amamos.

Sejam bem vindos e que a estada de vocês aqui seja agradável e que fique aquela vontade de voltar logo.

O que nós faremos nesses dias em que vocês estarão aqui não sabemos, mas certamente será muito alegre e feliz.

Duas coisas estão garantidas.

O petisco colonial da sexta com direito a chimarrão, se eu conseguir fazer é claro, e uma mesa na cervejaria do Farol e dali pra frente, seja o que Deus quiser.

(NVDA), nossa casa é a sua casa. Obrigado pela visita.

E para todos, Feliz Páscoa e não esqueçam de tirar o roxo da vida e colocar um pouco mais de luz.

domingo, 24 de março de 2013

A churrasqueira



Desde que nos mudamos para essa casa uma das coisas que me incomodava demais era a churrasqueira.

Ela não era uma churrasqueira daquelas que estamos acostumados a ver.

Ela não tinha chaminé e nem tão pouco cobertura, mas o que mais me incomodava era o fato dela ter sido montada colada a casa e mesmo estando na parede de pedra que forma o porão pelo lado de fora, me incomodava demais ela ficar naquele lugar que além de ficar próximo à casa que é de madeira, estava em um lugar de difícil acesso e muito propício a encher de fumaça toda a varanda dos fundos.

Falando assim até parece que eu me tornei um churrasqueiro daqueles que todos os domingos têm que assar uma carne senão não se sente vivo. Vocês sabem quantos churrascos eu fiz desde que chegamos aqui?

Exatamente um. Isso mesmo um churrasco e mesmo assim numa churrasqueira elétrica porque no dia chovia, mas isso não importa, o que importa é que aquele amontoado de tijolos em formato mais ou menos retangular, com um monte de cinzas dentro e colado a casa me incomodava.

Então, sabadão de sol eu resolvi desmontar a churrasqueira e monta-la num local mais apropriado e distante da casa.

Há primeira vista o local correto seria próximo ao coberto que temos na lateral da casa. O local foi rejeitado quando notei que se ali ficasse o nosso quarto assim como o escritório ficariam cheios de fumaça. Além disso, pouco importava se ela ficaria no coberto ou não. Quando chover não tem churrasco e pronto ou se tiver usamos a portátil.

Feita esta análise, resolvi monta-la mais no meio do pátio sob a sombra generosa da árvore que temos no quintal e longe da corredeira de água que se forma nos dias de chuva.

Estudado o local correto, lá fui eu carregar os tijolos.

O próximo problema foi a quantidade de tijolos que seria insuficiente já que na montagem anterior, uma das paredes da churrasqueira era a parede da casa. O resultado foi simples matemática. Ela iria ficar menor. Também, para que eu precisaria daquela churrasqueira do tamanho daquela de espeto corrido?

Arrumei as pedras para fazer o fundo, umas que estavam na montagem anterior, outras cavando pelo pátio e ai foi colocar os tijolos de forma a formarem o quadradinho e pronto, ali estava a minha churrasqueira de tijolos.

O meu vizinho disse que essas é que são as boas, principalmente para fazer churrasco com lenha. Eles colocam a lenha e a deixam queimar até que ela vire brasa e ai colocam a carne. Fica gostoso, com um sabor diferente.

Tem gente que escolhe até o tipo da madeira que coloca pra queimar para dar um sabor personalizado no churrasco. Coisa de gaúcho. É coisa de gaúcho, mas fica bom.

Eu sei que depois de pronta achei que deveria cobri-la para não molhar demais por dentro e nem ficar juntando coisa. Numa dessas vai que o jardineiro acha que aquilo é um depósito de cisco e abacá com a minha brincadeira.

Peguei algumas telhas no porão, dois pedaços de madeira para servirem de apoio e pronto. Ai está a churrasqueira coberta.

O pessoal gasta uma grana lascada para ter uma churrasqueira coberta. Eu fiz a minha com custo zero, tinha tudo em casa.

Agora é comprar os espetos, a carne, chamar alguém que saiba assar e pronto. Claro, que não podemos esquecer-nos de pedirmos ao Papai do céu que não mande água porque a churrasqueira é coberta, mas só ela, quem está em volta fica ao ar livre mesmo.

Foi divertido monta-la. Lembrei-me do meu avô, principalmente na hora de improvisar a cobertura. Foi como eu digo uma “Chiquitada” legal.

De longe ela está estranha e de perto também. Parece qualquer coisa, menos uma churrasqueira coberta, mas é isso que é.

Hoje, domingo acordei cedo e após o café comecei a cumprir a promessa feita à Dorinha que a ajudaria a catalogar os DVDs.

Passei o dia todo só escrevendo os títulos dos filmes e seus gêneros. Parei ao meio dia para ver a corrida de formula 1 no horário alternativo. Legal é que se você não procura no noticiário o resultado ela é inédita como se fosse ao vivo e sabendo que o brasileiro estava na segunda posição, queria assistir para ver quando é que a Ferrari faria a troca de posições com o primeiro piloto.

Animei-me quando vi logo na primeira volta o primeiro piloto da Ferrari escorregar e quebrar a asa dianteira. Pensei, hoje não vai ter como, mas teve. O brasileiro se enroscou na largada e caiu lá pro meio do pelotão, ai eu desisti de ver. Só fiquei acompanhando enquanto listava os títulos dos filmes.

Continuamos a trabalhar na lista após o almoço e lá pelas cinco da tarde quando paramos a contagem era de 1746 filmes listados, fora os repetidos. Não pensem que acabou não. Pela nossa estimativa ainda temos uns mil filmes para listar. Amanhã vai ser dia de acordar cedo e fazer lista.

Boa noite a todos e até mais.

sexta-feira, 22 de março de 2013

A maratona da busca pela casa



Para os que achavam, assim como eu, que a vida estava dando uma acalmada, informo que a chapa ainda está quente.

Um rápido retrospecto:

Primeiro foi a aventura da mudança de São Paulo para Canela. Trazer tudo o que trouxemos, foi como colocar São Paulo dentro de Guarulhos ou Porto Alegre dentro de Canoas.

Depois a arrumação da casa, a revolta das caixas. Eu ainda não me esqueci delas se rebelando contra nós. Hoje ainda tiramos uma que insistia em ficar escondida dentro de um dos quartos.

Tivemos que superar a sensação dos três porquinhos. Nós sempre moramos em casa de alvenaria e pela primeira vez estamos morando em uma casa de madeira então durante algum tempo tivemos a sensação de que a qualquer momento o lobo mal, assopraria e tudo sairia voando.

Ai tivemos as mudanças de endereço, a transferência do carro, sim digo do carro porque só conseguimos trazer um, o Chevette ainda não deu certo. São Paulo está enrolando para mandar uma cópia de uma vistoria.

Algumas tentativas frustradas de arrumar alguma coisa pra fazer “fora de casa” porque aqui dentro tem serviço para uns três de mim.

Junto com isso os altos e baixos da polaridade que habita em nossa casa e claro algumas crises do tipo: “O que é mesmo que tínhamos na cabeça quando decidimos isso de virmos para cá?”.

Tanto os altos e baixos como as crises fazem parte do nosso aperfeiçoamento como seres humanos e colaboram para o aperfeiçoamento do nosso relacionamento. Estamos indo bem, ainda nem tentamos nos matar.

PAROU TUDO.

Assim tá parecendo um relatório de lamentação. O que o pessoal vai pensar cara? Que você tá num "infeuno"?

Você tá maluco?

Diz pra eles que vocês estão bem, que passam os dias rindo ou um para o outro ou um do outro, normalmente ela de você.

Fala que é uma delicia sentar na varanda no final do dia e brigar com a Cylla porque ela insiste em pisar nas flores que estão no jardim e que você adora limpar as patas dela sujas de terra antes dela entrar em casa.

Diz que vocês adoram  ficar no escritório vendo TV ou um filme que ela tenha baixado.

Seu cabeça de pudim.

Fala que as coisas boas e ruins que acontecem, ajudam a vocês a se aprimoraram como pessoas e que tudo isso fortalece o amor de vocês. Parece que não sei!

Depois você fica reclamando quando ela pega no seu pé e fala que você marcou toca. Tenha santa paciência meu.

Bom,  deixando isso para traz, vamos ao que motiva esse texto, a MARATONA DA NOVA CASA.

Depois de termos vendido a nossa casa em São Paulo, estamos à procura de um imóvel para comprarmos aqui em Canela.

Claro que a primeira tentativa é a casa que moramos, afinal gostamos dela e estamos instalados, mas estamos começando a perder as esperanças já que não temos qualquer resposta da proposta feita e o jeito é irmos para o mercado buscar a nossa.

Bom, lembrando que Canela é uma cidade com pouco mais de quarenta mil habitantes, quando um deles diz para alguém que está interessado em comprar uma casa é a mesma coisa que caminhão do Faustão, todo mundo quer participar.

Estamos sendo assediados pelos corretores de imóveis e pessoas que conheci em algum momento na cidade, mas que “tem um amigo que tem uma casa pra vender”, está divertido.

Há bem da verdade, ainda não apareceu nada que realmente nos tenha feito brilhar os olhos, isso sem falar nos valores que o pessoal pede.

O povo acha que porque você veio de fora, está aposentado, está com o burro na sombra e se acha no direito de tentar arrumar a vida em cima de mim.

Entendo que pedir é da vida, mas querer colocar o preço dos imóveis equiparados com São Paulo é coisa de louco, como dizem por aqui: “Tá todo mundo fora da casinha”, e quando reparam que você chega num carro grande, o preço “tomaticamente” sobe, mas essas é outra história que qualquer hora eu conto, a história da Cherokee 1.3.

Estamos há pelo menos 10 dias olhando imóveis e conversando com os corretores e poucas vezes nos sentimos realmente confortáveis com isso.

Ontem vimos uma que foi a mais próxima do que pensamos e do que podemos pagar, mas mesmo assim ainda tinham algumas coisas para fazer.

Estávamos começando a ficarmos muito, muito frustrados e desanimados mesmo, a ponto da Dorinha me dizer que não sairia mais para ver casa. Que eu visse e se eu achasse legal então a levasse.

A coisa estava ficando tão complicada e confusa que hoje pela manhã ao conversamos sobre a casa vista ontem, decidimos que não queríamos morar lá.

Então pedimos para a Nossa Senhora tomar conta da bagunça que estamos fazendo e colocar as coisas nos eixos (para nós funciona e não posso fazer nada para quem não acredita, como dizem este é um dos mistérios da fé), feita a ressalva voltemos para ver o que Ela arrumou para nós.

Hoje, nós estávamos andando de carro, voltando de um desses lugares, quando resolvemos entrar numa empresa que faz projetos e fabrica casas. Já havíamos passado por ali um incontabilhão de vezes e nunca havíamos reparado no lugar.

Fomos entrando, olhando o show room e nos apaixonando pela casa que estava montada ali. Atenderam-nos com muita calma, explicamos o que pretendíamos e descobrimos que se ao invés de procurarmos uma casa procurarmos um terreno, que não precisa ser muito grande, (o pessoal aqui tem mania de ter um pátio enorme. Não sei pra que só se for para ficar pagando cortador de mato) poderemos ter exatamente o que queremos em termos de casa e de distribuição de espaço.

Saímos de lá com uma agradável sensação de que é possível realizarmos o nosso sonho, como queremos.

Depois disso, deixei a Dorinha para arrumar o cabelo e fui até um leiloeiro que tem aqui em Canela e conversando com o pessoal de lá descobri que, se tivermos paciência, poderemos ter um terreno aonde queremos por um bom preço.

É pessoal, como eu disse para mim Nossa Senhora funciona. Ela sempre me ajuda quando a coisa realmente aperta.

Agora vamos esperar para ver o que acontece.

Uma que eu estava esquecendo-me de contar para vocês.

Convidaram-me para participar de um comitê político aqui em Canela. Nem eu acreditei no começo, mas encarei.

Por enquanto eu estou indo às reuniões, dando alguns palpites e aprendendo muito sobre a cidade e seus costumes. É muito interessante conversar com as pessoas sem o calor da causa e passar um ponto de vista diferente sobre o mesmo assunto e quem me conhece sabe que eu adoro isso. Nem sempre estou certo, mas eu adoro olhar as mesmas coisas de um ângulo diferente.

Vamos ver o que acontece e não se animem porque não serei candidato a nada e não vai ter mamata para ninguém.

É isso pessoal, a vida aqui é muito boa. Está valendo à pena o que tem acontecido. O saldo é bem positivo.

Bom final de semana.

domingo, 17 de março de 2013

Enquanto isso na serra gaúcha

 
Hoje, 17 de março de 2013, começo a entender como vivem e o porquê de certos hábitos cultivados aqui na região.
Aqui na serra gaúcha, independente da rivalidade que existe entre Gramado, Canela e São Chico, todos podem ser considerados como serranos, então vamos considerar todos como serranos, porque eu acho que se perde mais tempo e energia querendo dividir do que querendo somar.
Desde ontem, uma frente fria chegou à região e a noite foi fria pra valer desde que chegamos. Eu sei que muitos dirão que o inverno ainda nem chegou e isso foi só um aperitivo, mas para nós que estamos chegando à região sentimos bastante.
O dia amanheceu nublado, a serração desapareceu assim como aquela chuva fina que parece que não molha, mas bastam dois minutos sob ela para que você se sinta ensopado, o termômetro marca dez graus, com a sensação do vento que bate a temperatura parece mais baixa.
A primeira coisa que eu fiz, depois de levar a Cylla para a volta matinal foi ascender o fogão à lenha. Eu ainda tomo olé dele, encho a cozinha de fumaça, uso o secador de cabelos para turbinar o ar, mas acabo vencendo. Eu ainda chego lá.
Fogo acesso, a cozinha desenfumaçada, coloco a mesa do café e sem que eu perceba, estou aquecendo água no fogão para fazer um chimarrão.
Pego a cuia, coloco a erva dentro e do mesmo jeito que no fogão, eu ainda apanho para faze-lo, mas não me importo, ainda tenho esperanças de um dia conseguir fazer um chimarrão do jeito certo.
Olho para o fogão e acho que está na hora de colocar outro pedaço de lenha. Agora o fogo está bacana e a cozinha está aquecendo.
O cheiro da lenha me lembra da infância quando íamos para o sitio do meu pai e lá o aquecimento era todo feito por um fogão campeiro que meu avô tinha feito.
Todos os dias a primeira coisa que ele, ou meu pai faziam, não sei direito era ascender o fogo para fazer o café.
Me lembro de acordar e ir procurar ao redor da casa, os ninhos das galinhas para pegar os ovos para que meu avô preparasse os ovos quentes pra nós. Só de lembrar da água na boca e uma saudades gostosa.
Voltei para a realidade com o relógio da sala marcando oito horas da manha. Dorinha ainda está na cama e eu estou aqui, sentando na cozinha, tomando um chimarrão, perto do fogão à lenha, viajando no tempo, sentido novos sentimentos e relembrando de velhos e bons carinhos da minha infância.
Achei uns ovos na geladeira, sei que não são iguais àqueles, mas vou colocar água na panela e tentar fazer um ovo quente em homenagem àqueles tempos.
Penso que o hábito do fogão à lenha e o chimarrão além de serem itens para aquecer, fazem as pessoas interagirem, contarem histórias, se conhecerem melhor, darem risadas e se lembrarem das coisas importantes da vida.
Obrigado aos que me deram essas lembranças e obrigado ao Rio Grande por me fazer lembrar delas novamente.
Os ovos estão prontos, Dorinha acabou de levantar e vamos tomar café.
 
 
 

quinta-feira, 7 de março de 2013

A vida de aposentado e o divórcio


Não sei se há algum dado estatístico sobre o tema, mas uma coisa é certa. Eu duvido que haja algum casal que quando se aposenta fica só de boa na lagoa.

A vida aqui está divertida ainda, mas com muito mais emoção do que o previsto.

Aposentar-se é uma coisa boa. A gente, mesmo que recebendo pouco sabe que nunca mais vai ficar preocupado com as contas de luz, água e supermercado. Falo isso porque a minha aposentadoria cobre somente estes três itens, mas essa não é a questão básica.

Está fazendo quase um ano que me aposentei e que “se me saíram” do emprego e nesse tempo tentei fazer algumas coisas, nem todas deram certo, mas a coisa que eu mais fiz foi ficar em casa perto da Dorinha.

Mudamos-nos para Canela, uma cidade em que queremos terminar nossas vidas e claro, ainda estamos nos adaptando à cidade.

Algumas coisas já estão indo bem, algumas outras precisam de uns ajustes e outras bem essas outras precisamos parar e começarmos de novo.

Relaxem que estamos bem e felizes.

Este texto é com o intuito de informar aos que estão para se aposentar para que se preparem porque se acham que a vida vai ser mansa, vão descobrir que eram felizes e não sabiam, mesmo tendo chefes como os meus.

Então vamos ao relato.

A vida corria tranquila, eu fazendo algumas coisas dentro de casa, Dorinha ao lado, às vezes ajudando, às vezes mudando e íamos bem, mas isso tem fim e vai acabando, afinal a nossa relação sempre foi de quatro, cinco horas por dia exceto os finais de semana e de repente ela passava de cinco para dezoito.
As refeições começaram a não ter mais assunto, as novidades acabaram (como ter novidades com dezoito horas por dia juntos? só se for para falar do tamanho do coco!) e ai o que sobrava para fazer era um contrariar o outro, olhem só que bacana.

A Dorinha, meio alemã meio espanhola e que tem o dom do verbo discordando comigo, um italiano que não tem o dom do verbo, mas não gosta de perder uma disputa.

Eu nunca apanhei tanto na vida, começava a ficar com saudades das broncas que meu pai me dava na minha adolescência. Já estava quase naquela de um falar bom dia e o outro responder por que você acha isso hein?

Eu estava começando a sentir um sapo enorme na goela e tudo, absolutamente tudo me irritava. Já não queria mais fazer as coisas em casa, achava que a Dorinha tinha se atirado nas cordas e largado tudo em cima de mim, aquelas coisas de quem não tem muito que fazer e fica arrumando pelo em ovo. Eu estava me tornando um velho ranzinza, isso com cinquenta e cinco anos de idade.

Do lado de lá, alguém me disse: Saia para uma caminhada, assim você espairece. Boa pensei, eu vou sair de manhã para caminhar pela região, olhar as casas e quem sabe achar uma que me agrade, apesar de que se me agradar, provavelmente Dorinha colocará defeito porque eu estou em descompasso, mas isso a gente vê depois.

No primeiro dia em que eu me preparei “piscologicamente” para sair, São Pedro mandou um recado:” Se quiser mesmo sair vai ter que provar que é macho”. Entendi assim porque chovia que era uma beleza. Eu olhei aquela chuva toda e cheguei à conclusão que não sou tão macho assim, pelo menos não o suficiente para encarar um santo.

Meu dia já havia começado com uma frustração. Dorinha levantou um pouco mais tarde e eu já estava no escritório. Fomos tomar café e como das últimas vezes, num silêncio sepulcral, somente a Cylla fazia a festa dela, correndo com o boneco pra cima e pra baixo, querendo brincar com a gente.
Depois do café, voltamos para o escritório, eu fui olhar os emails que nunca vem passear um pouco pelo facebook e acho que a Dorinha foi fazer o mesmo no computador dela. Tava boa a vida não é mesmo?

Ai eu senti uma vontade enorme de voltar para a cama e fiz isso. Desliguei o computador, dei um beijo na Dorinha e fui me deitar.

Acho que dormi uns cinco minutos e acordei.

Quando eu me dei conta de onde eu estava e o que eu estava fazendo foi que a ficha caiu pra valer.

Eu estava entrando em depressão, aquilo era o início do fim.  Danou-se (estou usando danou-se porque alguma criança pode ler, mas o que eu quero dizer é aquilo mesmo que vocês estão pensando que eu diria numa situação dessas). Eu não podia me deixar levar por essa. E quem ajuda a Dorinha a segurar o rojão?

Levantei, fui até o escritório, achei o meu currículo, acertei o que eu precisava, imprimi algumas cópias e falei pra Dorinha. Vou sair um pouco, levar uns currículos.

Vocês precisavam ver como os olhos dela brilharam e isso meu amigo NÃO TEM PREÇO. É o combustível que a gente precisa pra fazer a máquina andar de novo e a cintura afinar novamente.

Confesso a vocês que eu estava cheio de preconceito de medo de como fazer a abordagem e foi ai que o Cara lá de cima deu a mãozinha Dele e eu me lembrei do conselho do meu pai. Valeu velhinho, você é o cara.

Porque eu preciso procurar emprego? Eu preciso procurar uma ocupação. O dinheiro vem com o resultado.

Troquei-me e lá fui eu andar pelo bairro industrial de Canela olhando as empresas. Foi uma caçada a esmo. As empresas que eu achava legais eu parava e pedia para falar com o pessoal de Recursos Humanos.

Acabei deixando meu histórico profissional em uma empresa de madeira, em outra de autopeças e em uma que faz máquinas para envasamento de precisão. Nesta última o Aldo que me atendeu foi muito gentil e me mostrou toda a fábrica e o que eles faziam, até me deu umas dicas de onde visitar.

Quando ele abriu o envelope com o meu histórico foi que eu percebi como estava mal feito, mal acabado e mal apresentado. Fiquei com vergonha, mas eu já havia entregado e com certeza queimei três oportunidades.

Voltei para casa passando pela papelaria, comprei envelopes descentes para arrumar tudo.

Agora tem até uma carta de apresentação em que rapidamente narro o porquê de eu estar entregando o histórico profissional, ela é mais ou menos assim:

Acabo de me mudar para a cidade de Canela em busca de uma qualidade de vida melhor.

Sou natural de São Paulo e por lá trabalhei até o começo de 2012, quando me aposentei como publicitário.

Depois da casa arrumada, começo a perceber que se continuar dentro de casa, o divórcio acabará acontecendo então, estou em busca de uma ocupação para continuar contribuindo com a sociedade e manter o meu casamento.

Entendo a complexidade da sua agenda, porém quero marcar uma conversa para nos conhecermos.

Aproveito para encaminhar um resumo das minhas qualificações profissionais e desde já agradeço sua atenção.

Obrigado e bons negócios.”


Não sei se é o modelo ideal e peço desculpas aos RH´s de plantão, mas pelo menos me agrada e, além disso, junto com o papel, preparei um CD com algumas das coisas que eu fazia no último emprego.

Então é isso pessoal, estou à procura de uma ocupação para continuar contribuindo com a sociedade e manter o meu casamento.

E por falar em manter o casamento, vamos voltar ao tema.

Não preciso dizer que essa atitude além de me animar animou muito a Dorinha que passou, além de outras coisas, ter o que perguntar quando eu volto da rua e mais legal, eu tenho o que dizer.

Outra boa novidade é que Dorinha volta a ler o Taroh.  Combinamos uma forma de trabalho. Ela só lê. Eu cuido da divulgação, marcação e cobrança.

Alguns amigos que fizemos aqui na região também estão nos ajudando tanto na divulgação do Taroh como na indicação para eu entregar os históricos.

AGOGA VAI (como diria meu amigo Tito)

É meus amigos, eu agradeço a Deus e ao meu pai pela proteção e pelo conselho. Imaginem se Deus não tivesse me sacudido com a lembrança do conselho do velhinho?

Eu ainda estaria na cama, sem perspectiva cada vez mais triste e infeliz.

VALEU muito obrigado aos dois, mesmo, de coração.

E para aqueles que estão para se aposentar que se preparem porque além da vida em casa ser muito mais trabalhosa que na rua uma coisinha besta chamada “CABEÇA VAZIA” faz um estrago na sua vida que pode ser irreparável. Claro que ter a pessoa certa ao seu lado também ajuda e se me permitem uma sugestão.

Tenham o seu tempo para descansar arrumem a casa mas não deixem de serem produtivos, arrumem o que fazer para não torrar a paciência do outro.

Familiares não se preocupem estamos bem. Altos e baixos fazem parte do aprendizado e vocês sabem que de altos e baixos, eu entendo um pouco.