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segunda-feira, 14 de julho de 2014

O que eu aprendi com a Copa 2014.

Fizemos uma grande festa é verdade.

Fizemos os turistas viajarem pelo nosso país inteiro. Centenas de voos extras, uma beleza.

Até aqui onde eu moro, em Canela, Rio Grande do Sul, sentimos os efeitos da COPA.

Porque adiantaram as férias escolares, os turistas que normalmente veem pra cá não vieram.

Vivemos quase que exclusivamente do turismo e adivinhe, ele não aconteceu pelo menos eu não vi nenhuma loja cheia de gente. Nem houve congestionamento na cidade, mas a copa foi legal, foi uma bela festa.

Vimos 12 cidades do Brasil entrarem no mapa mundial do turismo e isso é bom, porque certamente sobrará turismo para cidades como a nossa no futuro.

Lí em algum lugar, ou me falaram que depois de uma copa, o turismo no país cresce em torno de 20% e isso é muito bom.

Talvez tenhamos um segundo semestre magro, afinal de contas não temos mais feriadões daqui para o final do ano e isso é terrível para a economia dos pais. Pessoas não passeiam e se não passeiam, não gastam, ai a economia não gira, isso sem falar no estresse de se ficar meio ano só com finais de semana. Brasileiro não está acostumado a trabalhar direto sem um "feriadinho" para descansar.

É talvez esse segundo semestre de 2014 seja estranho, mas sobreviveremos. Daqui a pouco começar os festejos do NATAL LUZ, do SONHO DE NATAL e os turistas voltam para a região.

Outra coisa que vi nessa Copa não será tão fácil de resolver como o turismo.

Mudar o técnico da seleção brasileira de futebol não vai adiantar nada. O problema está um pouco mais em baixo, está na base. Esse sistema que está ai é que está errado.

É como continuar acreditando que se trocarmos de presidente apenas o país melhorará. Imaginando que quem comanda o país é o presidente. Ledo engano. A figura do presidente é meramente decorativa. Ela (a figura do presidente) existe para colocarmos a culpa em alguém para podermos vaiar uma pessoa quando estamos com a nossa casa cheia de visita e o mundo inteiro olhando para nós.

Que coisa de mau gosto. Até parecemos aquelas pessoas mimadas, que só sabem chorar e reclamar para chamar a atenção, mas que não fazem absolutamente nada para melhorar.

Infelizmente não é o presidente que manda. Quantos deles nós já vimos chegarem lá cheios de vontade, mas depois de um tempo caem na rotina?

O problema está no nosso sistema, está na nossa cultura, está em cada um de nós.

O que acaba conosco é essa nossa mania de fazer piada de tudo, tentar dar aquele "jeitinho" em tudo e fazer espuma.

Está na hora de pararmos de atacar as consequências e olharmos diretamente para o que causa esse desconforto todo.

Será duro, será árduo, afinal são mais de 500 anos desse "jeitinho brasileiro", mas é ele que nos atrapalha.

É essa mania de querermos ajeitar tudo para nos darmos bem que nos esculhamba.

Quando eu digo dar um jeitinho, estou falando em fazer alguma coisa que não seja totalmente correta.

Eu duvido que exista hoje, alguém no país que em algum momento da vida não pensou em "dar um jeitinho" pra se dar bem. Afinal fomos criados assim. Esse é o nosso cerne e é isso que precisamos mudar. Aqui está o nosso problema.

Vamos tentarmos ser honestos com nós mesmos e aprendermos um pouco de humildade de quem está numa condição de nação muito melhor que a nossa.

Os alemães nos mostraram que é possível sim realizar uma tarefa com dedicação, sem estrelismos, com planejamento, fazendo coisas boas em busca de um objetivo comum.

Chega de ser uma colônia Brasil.

Chega de sair às ruas para quebrar as coisas, ou sair às ruas só pra reclamar de passagens de ônibus e corrupção. As perguntas são:

O que faremos para mudar esse país?

O que vamos fazer para mudar o nosso jeito de olhar para esse país?


Vamos pensar em mudar pra valer e para sempre.