Fizemos uma grande festa é verdade.
Fizemos os turistas viajarem pelo nosso país
inteiro. Centenas de voos extras, uma beleza.
Até aqui onde eu moro, em Canela, Rio
Grande do Sul, sentimos os efeitos da COPA.
Porque adiantaram as férias escolares, os
turistas que normalmente veem pra cá não vieram.
Vivemos quase que exclusivamente do
turismo e adivinhe, ele não aconteceu pelo menos eu não vi nenhuma loja cheia
de gente. Nem houve congestionamento na cidade, mas a copa foi legal, foi uma
bela festa.
Vimos 12 cidades do Brasil entrarem no
mapa mundial do turismo e isso é bom, porque certamente sobrará turismo para
cidades como a nossa no futuro.
Lí em algum lugar, ou me falaram que
depois de uma copa, o turismo no país cresce em torno de 20% e isso é muito
bom.
Talvez tenhamos um segundo semestre magro,
afinal de contas não temos mais feriadões daqui para o final do ano e isso é
terrível para a economia dos pais. Pessoas não passeiam e se não passeiam, não
gastam, ai a economia não gira, isso sem falar no estresse de se ficar meio ano
só com finais de semana. Brasileiro não está acostumado a trabalhar direto sem
um "feriadinho" para descansar.
É talvez esse segundo semestre de 2014
seja estranho, mas sobreviveremos. Daqui a pouco começar os festejos do NATAL
LUZ, do SONHO DE NATAL e os turistas voltam para a região.
Outra coisa que vi nessa Copa não será tão
fácil de resolver como o turismo.
Mudar o técnico da seleção brasileira de
futebol não vai adiantar nada. O problema está um pouco mais em baixo, está na
base. Esse sistema que está ai é que está errado.
É como continuar acreditando que se
trocarmos de presidente apenas o país melhorará. Imaginando que quem comanda o país
é o presidente. Ledo engano. A figura do presidente é meramente decorativa. Ela
(a figura do presidente) existe para colocarmos a culpa em alguém para podermos
vaiar uma pessoa quando estamos com a nossa casa cheia de visita e o mundo
inteiro olhando para nós.
Que coisa de mau gosto. Até parecemos
aquelas pessoas mimadas, que só sabem chorar e reclamar para chamar a atenção,
mas que não fazem absolutamente nada para melhorar.
Infelizmente não é o presidente que manda.
Quantos deles nós já vimos chegarem lá cheios de vontade, mas depois de um
tempo caem na rotina?
O problema está no nosso sistema, está na
nossa cultura, está em cada um de nós.
O que acaba conosco é essa nossa mania de
fazer piada de tudo, tentar dar aquele "jeitinho" em tudo e fazer
espuma.
Está na hora de pararmos de atacar as
consequências e olharmos diretamente para o que causa esse desconforto todo.
Será duro, será árduo, afinal são mais de
500 anos desse "jeitinho brasileiro", mas é ele que nos atrapalha.
É essa mania de querermos ajeitar tudo
para nos darmos bem que nos esculhamba.
Quando eu digo dar um jeitinho, estou
falando em fazer alguma coisa que não seja totalmente correta.
Eu duvido que exista hoje, alguém no país
que em algum momento da vida não pensou em "dar um jeitinho" pra se
dar bem. Afinal fomos criados assim. Esse é o nosso cerne e é isso que
precisamos mudar. Aqui está o nosso problema.
Vamos tentarmos ser honestos com nós
mesmos e aprendermos um pouco de humildade de quem está numa condição de nação
muito melhor que a nossa.
Os alemães nos mostraram que é possível
sim realizar uma tarefa com dedicação, sem estrelismos, com planejamento,
fazendo coisas boas em busca de um objetivo comum.
Chega de ser uma colônia Brasil.
Chega de sair às ruas para quebrar as
coisas, ou sair às ruas só pra reclamar de passagens de ônibus e corrupção. As
perguntas são:
O que faremos para mudar esse país?
O que vamos fazer para mudar o nosso jeito
de olhar para esse país?
Vamos pensar em mudar pra valer e para
sempre.