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domingo, 30 de dezembro de 2012

Hoje é um novo dia


Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou.

Para ô. Que é isso cara?

Nada só para rimar e encher um pouco de linguiça nada de mais.

Que susto. Achei que você tinha surtado.

Também com os termos que você tem ouvido por aqui.

Imaginem que:

TROVAR UM CORPO quer dizer Cortejar uma pessoa.

BORREGO. Quando a gente houve isso lembra logo da freada de bicicleta, mas não é nada disso. É uma espécie de tapete que é feito com a pele da ovelha.

XIRÚ. Não dá nem pra imaginar que isso quer dizer velho.

O GURI VENDENDO BERGAMOTA NA SINALEIRA, vocês já conhecem. É o menino vendendo mexerica no farol

Os amigos aqui do sul bem que tentam e às vezes nós, eu e eles morremos de rir de mim tentando entender o que eles estão falando, mas confesso que para muitas coisas ainda me falta competência.

E me diga uma coisa Xiru?

O que isso haver com o tema desse texto.

O que tem haver? Absolutamente nada. É que eu precisava de alguma coisa para começar a escrever e nem sei se isso vai ficar até o final, mas como já está lá, que fique.

Esse final de ano está muito legal, como já me disseram ainda estamos na fase do “apaixonado” pela região, comecinho de namoro, tudo lindo, tudo aceitável, quase não se vê defeitos e é por isso que devemos aproveitar essa parte.

Daqui a pouco os defeitos começam a aparecer ou a se evidenciar e ai teremos que trabalhar para que essa paixão se torne um amor.

Dois mil e doze foi um ano de grandes transformações na minha vida e de algumas pessoas mais próximas.

Ter vindo para cá foi, antes de tudo um prazer aliado a um desafio de sair de uma zona de conforto que durava ai seus mais de 10 anos. E mesmo com apenas 45 dias de vida esse projeto se mostra promissor e muito estimulante.

Eu desejo que vocês sejam muito felizes em 2013 e que tenham a “insanidade” de correr atrás dos seus sonhos, sejam eles quais forem e que não deixem a convivência em cidades grandes os tornem duros, frios e robotizados. Eu estava assim, dominado pelo ambiente e pelo sistema.

Arrisquem, invistam em vocês e quando eu falo isso não me refiro a estudos e cursos, que são importantes, me refiro a investimento interno. Reparem na árvore que tem na rua que você passa todos os dias, perceba as mudanças que acontecem com ela. Vejam os jardins, os que estiverem à vista. Resgatem aqueles sonhos que o dia a dia foi achatando dizendo que você precisa ter responsabilidade, precisa ter isso, ter aquilo, tem que frequentar esse ou aquele lugar. Tudo isso é coisa de quem é vazio e precisa de coisas externas para tentar se alegrar.

Aproveite seus amigos, eles não vão estar com você o tempo todo nem para sempre. Alguns deles poderão nem mais serem seus amigos lá na frente.

Aproveite sua família. Ela deve vir primeiro que qualquer trabalho ou compromisso. Não há nada mais seguro e confortante que a família, por mais estranha e diferente que ela possa ser.

Dê o devido valor ao seu companheiro porque para entrar num belo carro ou num belo restaurante há companhia de sobra, mas para pegar ônibus e comer "sanduba" de mortadela só quem te ama de verdade.

Curta seu momento solitário. Isso é bom para você poder perceber o que está fazendo de errado e concertar, assim como o que está fazendo de certo e pode melhorar.

Elogie seu colega de trabalho sempre que houver um motivo para isso. Não faça elogios à toa para cair no comum.

Dê crédito a quem de direito na equipe e ensine tudo o que for possível aos seus subordinados. Prepare-os para o seu lugar. Isso o tornará um líder e um mestre ao invés de um chefe e isso meu amigo, é para o resto da vida. Perguntem a quem trabalhou comigo.

O MEU! TÁ DE SACANAGEM? 

Desculpem-me, não resisti. Perco o amigo, mas não perco a frase, é bom para quebrarmos um pouco essa seriedade toda de final de ano, pensamentos de autoajuda e frases de efeito, mas voltando à conversa.

Não tenhas medo de perder o seu emprego porque se isso tiver que acontecer acontecerá você sendo respeitado pelas suas opiniões ou não. O capitalismo é selvagem e cruel.

Essas considerações vieram do balanço do ano que tenho feito todas as tardes, após o almoço como demonstra a foto.

UM FELIZ 2013, 14,15,16..... para você e todos que você ama.

Vemos-nos ano que vem.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um dia de aposentado


Passadas emoções das festividades do Natal e o quase trote dos cinquenta mil, hoje foi um dia de aposentado mesmo.

Começou comigo saindo da cama por volta das nove da manhã.

Tomei o café e fui colocar o lixo na rua.

Depois voltei, andei um pouco pra lá e pra cá e pronto, meio dia.

Fui juntar o que ainda tínhamos na geladeira e foi ai que notei a necessidade de ir ao mercado comprar alguma coisa. A geladeira não tem mais nada. Por sorte ainda havia uma daquelas lasanhas congeladas da Sadia. Foi a salvação.

Toquei no micro ondas e fui acordar a Dorinha para almoçar. Nesse intervalo percebi a virada do tempo.


Do nada, veio um nevoeiro que foi tomando conta de tudo, as casas em volta começaram a desaparecer um um branco geral tomou conta de tudo e com ele, veio a chuva. Começou leve, depois apertou um pouco, aliviou novamente e assim foi até às cinco da tarde.

Dorinha levantou como eu costumo dizer, só numa fase, veio à mesa, sentou, comeu, levantou e voltou para a cama.

Eu coloquei as coisas na máquina e fui olhar a chuva bem vinda e refrescante.

Nós havíamos começado o dia com 27 graus de temperatura.

Fiquei olhando mais um pouco e resolvi ver televisão, mas antes disso achei melhor colocar um moletom porque o vento que entrava estava assim meio friozinho.

Sentei em frente da TV e comecei a maratona de ver o que assistir.  Quando eu achei o que ver, o sinal caiu por causa das nuvens.

Desliguei a TV, peguei a revista Época da semana que eu ainda não tinha lido e fui para a rede na área dos fundos.

Acho que consegui ler umas duas páginas. A chuva, o friozinho, não deu outra. Só acordei quando o vento apertou e a chuva começou a me molhar. Recolhi tudo e voltei para dentro.

No escritório de casa, há aquela porta que sai para uma varanda suspensa. Deixei a porta de vidro fechada e fiquei olhando a chuva tentando ler um pouco mais da revista entre uma cochilada e outra.
Foi uma tarde muito gostosa.

Dorinha levantou por volta das 18h, veio ao escritório e deitou-se enrolada no cobertor na cama que temos aqui e assim ficamos até escurecer por volta das 21h.

Tomamos um café, levamos a cachorra para a voltinha da noite, pisei no cocô, de novo, tive que lavar o chinelo, sequei a cachorra e fechei a casa que agora está quentinha e gostosa e adivinhe:

Estamos nos preparando para dormirmos.

Foi ou não foi um delicioso dia de aposentado.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O presente de Natal


O dia que eu quase “ganhei” cinquenta mil reais e um carro zero.

Eu sempre digo que não dou esmola. Para um cara ganhar alguma coisa de mim tem que contar uma história e dependendo da história ele ganha a grana.

O esquema dos caras é maravilhoso, coisa de profissional mesmo.

Recebi um torpedo dizendo que o meu número Vivo havia sido contemplado com R$50.000,00 e um carro zero. Bastava eu ligar para 015.81.8145.9268 e dar a senha 149888.

Pensei comigo, mas como será que é isso?

Vou ligar, não custa nada e o número do telefone eles já tem.

Liguei. Atendeu um tal de Tiago da Silva Leme, que se identificou como “diretô” financeiro do SBT 30 anos e que em parceria com a Vivo, o meu telefone havia sido contemplado com um prêmio de R$ 50.000,00 e mais um carro Fiat zero. O senhor é o titular da linha? Essa ligação está sendo gravada e é auditada pela Receita Federal. “Temo” mais de nove “federal” aqui auditando as ligações. Nós não vamos pedir nenhum dado pessoal porque o senhor sabe que agora o SBT não pode mais pedir informações pessoais por telefone. (Ele falou tudo isso antes de eu me identificar).

Falei é mesmo? Que legal, que presente de Natal hein?

Tiago: O senhor assiste o SBT?

Eu: Assisto de vez em quando.

Tiago: E de qual programa o senhor gosta mais?

Eu: Eu Adoro o Gugu, acho o programa dele muito legal. Para os mais desatentos, o Gugu está na Record.

Tiago: Ele é muito bom mesmo, mas senhor Caio, (eles nunca acertam meu nome) que cor o senhor prefere o carro, preto, prata, branco ou vermelho?

Eu: Vermelho, cor da emoção, da paixão.

Tiago: Que bom e o coração tá forte com essa emoção toda? O senhor vai aguentar? O SBT não quer que o senhor tenha problema. Quantos anos o senhor tem?

Eu: To tranquilo tenho 54 anos.

Tiago: Senhor Caio o senhor pode confirmar o telefone e a senha que nos passamos? (Sim, o torpedo veio com uma senha, eu deveria ligar para o numero e dar a senha) Precisamos confirmar no nosso sistema.

Eu confirmei o numero do telefone e passei a senha. Essas informações eles já tinham.

Tiago: Senhor Caio, para não gastarmos os seus créditos, vamos desligar e em seguida eu vou entrar em contato com o senhor, ok? Mas quando ligarmos o senhor não diga o meu nome, diga O SBT MUDOU A MINHA VIDA certo?

Eu: Perfeitamente.

Desliguei o telefone e em seguida ele tocou eu atendi e disse O SBT MUDOU A MINHA VIDA.

Ai Tiago voltou: Isso mesmo senhor Caio. Olha senhor Caio (vocês concordam que para um diretor financeiro do SBT 30 anos estar trabalhando no dia de Natal e falar assim é no mínimo estranho?) agora eu passar um procedimento para o senhor para nós podermos depositar os R$ 50.000,00 na sua conta. O senhor não precisa nos dar informação alguma, tudo será rastreado pelo Banco Central. O senhor tem conta no Branco do Brasil ou Santander?

Eu: Não, tenho conta no Itaú (quarta informação minha que ele tem).

Tiago: No Itaú, e o senhor é cliente do Itaú há quantos anos?

Eu: Uns 20 anos mais ou menos.

Tiago: É mesmo? Que bacana. E a sua conta, e esses cinquenta mil, vão cobrir a sua conta, vão ajudar o senhor?

Eu: Claro que vai e não, minha conta não está negativa não, mas um dinheiro extra sempre é bom.

Tiago: Seu Caio, o senhor tem carro?

Eu: Tenho um velhinho.

Tiago: Então seu Caio, o que me diz de receber um carro zero entregue pela Graneiro na sua casa? Podemos levar a equipe do SBT para filmar a entrega?

Eu: Vai ser muito bom e pode mandar a equipe gravar sim vamos fazer uma farra na rua.

Tiago: Que ótimo. Olha seu Caio, nós vamos fazer um procedimento para podermos depositar o dinheiro na sua conta, tudo bem? O senhor tem casa própria?

Eu: Não, eu moro de aluguel. Estou pronto. Qual o procedimento?

Tiago: Seu Caio, quanto tempo o senhor leva para ir até um caixa eletrônico do Itaú?

Eu: Uns quinze minutos.

Tiago: Então o senhor, por favor, vá até a agência e quanto estiver chegando lá o senhor nos avisa para continuarmos, certo senhor Caio?

Eu: Certo.

Tiago: O senhor já está no carro dê três “abuzinadas” para a nossa produção que está toda aqui torcendo.

Eu toco a buzina três vezes.

Tiago: Isso mesmo seu Caio, mais três “abuzinadas” pra produção.

Toco novamente e digo que quando chegar eu ligo de volta.

Dorinha ficou apavorada e eu nem percebi. Quando eu sai ela me disse: Aonde você vai, o que você vai fazer?

Fique calma querida, vamos ver até aonde isso vai. Vai que é verdade, mas eu sabia que não era e ela mais ainda.

Cuidado, isso pode ser um assalto.

Claro meu bem.

Eu fui até a agência, mas de outro banco.

Quando cheguei à agência liguei de volta, o Tiago atendeu e novamente pediu que eu desligasse que ele ligaria para passar o procedimento.

Cheguei ao terminal eletrônico e ele pediu que eu tirasse um extrato da conta e informasse a hora.

Fiz isso e passei a hora: 18h36min (quantas transações estão sendo feitas nesse minuto? Isso não é problema).

Tiago: Olha seu Caio quando a gente depositar os 50 mil na sua conta, quanto vai ser o seu saldo?

Eu: Quando vocês depositarem o saldo vai ser de 51 mil.

Tiago: Quanto?

Eu: 51 mil.

Tiago: Entendo, mas que bom hein, esse dinheiro vai ajudar bastante.

Eu: Vai sim, veio em boa hora.

Tiago: Bom seu Caio, agora o senhor vá até o menu para transferência entre contas para nós podermos fazer a transferência, depois o senhor poderá imprimir o seu saldo e ver que tem lá os R$ 50.000,00.

Como a conversa demorou um pouco o tempo do caixa expirou e eu mudei para outro terminal. Sabia que até ali as informações que eu havia passado de nada serviriam para ele.

Entrei de novo e quando acessei o menu de transferências ele me perguntou o que aparecia na tela.
Eu respondi que apareciam as últimas transações que eu havia feito.

Tiago: Então senhor Caio agora o senhor entre na tela para passarmos o numero da conta que vai fazer a transferência.

Eu: Tiago, mas essa tela é para eu fazer a transferência não para receber.

Tiago: Eu sei, mas é que por ela o Banco Central vai poder fazer a transferência para a sua conta.

Eu: NEM A PAU cara. Não vou digitar mesmo. Se o SBT quiser me entregar alguma coisa o Silvio Santos que me ligue porque afinal são R$ 50 mil reais e eu não creio que ele passaria essa função para alguém alem dele.

Ai o cara surtou: Com a voz exaltada e falando tudo errado, bem estilo quadrilha, veio com ”O senhor está desconfiando do meu trabalho. Eu estou a mais de 20 anos na empresa e o senhor está achando que isso é armação. O Senhor está desconfiando do SBT uma empresa séria que até agora não pediu nenhuma informação pessoal para o senhor. O senhor vai ter que me pedir desculpas”.

Eu: Cara, isso não é pessoal, você está levando as coisas para outro lado, mas não tem problema não eu peço, respondi. Coloque o dinheiro na minha conta e entregue o carro que eu vou à televisão pedir desculpas em público de ter duvidado de você Tiago, mas eu não vou fazer isso mesmo.

Não sei por que a ligação caiu.

Não é um golpe lindo? Os caras vão te envolvendo, vão largando coisas pegando informações. Se a gente não fica esperto dança bacaninha.


Acho que por essa história eu mereço uma bela esmola não é mesmo?

Por favor, tomem cuidado com essas conversinhas por telefone, infernet e tudo mais. A malandragem está soltinha e rapidinha.

Quanto à Dorinha, tadinha, cheguei em casa ela estava chorando com os vizinhos acudindo e ela achando que tinha acontecido algo comigo porque o telefone não atendia. Mas agora está tudo bem.
Vale lembrar que o SBT a Vivo a Graneiro e os bancos certamente não tem nada haver com isso e a menção deles nesse texto veio através da conversa do Tiago e não minha. Não responsabilizo ninguém a não ser esse cidadão que se identificou como Tiago da Silva Leme, “diretô” financeiro do SBT 30 anos pelo ocorrido e esse texto é apenas um alerta.

O churrasco de Natal


Por volta de onze e meia da manhã, depois de uma noite de sono gostosa e um café melhor ainda com as bolachinhas da Vó Iria, percebi os primeiros sinais de fogo acesso na churrasqueira do vizinho.

Arrumamos-nos e fomos, quer dizer, eu me arrumei e fui porque a Dorinha ainda tinha que ver algumas coisas e queria que eu perguntasse se poderíamos levar a Cylla junto.

Chegando lá, consultei os universitários, quero dizer, os donos da casa e a entrada da Cylla foi autorizada. Como a distância é muito grande, bastou eu dizer um pouco mais alto que a Cylla poderia vir para que a Dora entendesse e a trouxesse com ela.

Dessa vez eu levei o Vidião para eles experimentarem e também uma garrafa de Flor do Valle para a caipirinha. Não preciso dizer que os caras gamaram no Vidião. Primeiro acharam um pouco forte, mas bastou o segundo gole para que o velho de Monte Alegre do Sul ganhasse o paladar dos presentes.

Ficamos sentados em volta da mesa, a “sogramãeavó” preparando a maionese, daquelas feitas com ovo e azeite, a Karen cortando as batatas e cenouras, o Wagner cuidando da carne e eu a Dorinha e o Paizinho, padrinho da Karen, conversando sobre o tempo em que tele tinha padaria e tomando Vidião.

A Cylla ficou aos cuidados do Eduardo, um dos três filhos da Karen que adora cachorro e ficava com ela pra cima e pra baixo. A agitação foi tanta para a Cylla que agora ela está dormindo sob a mesa e roncando.

 Churrasco pronto, vamos para a mesa. Meus amigos faziam anos que eu não comia uma costela como a que nos foi servida e a foto dá a dimensão exata do que eu estou falando. O ponto de cozimento, a quantidade de sal, o sabor da carne, tudo simplesmente perfeito. Não preciso nem dizer que comi até não poder mais. O Wagner está de parabéns.

Final do churrasco, o Wagner propõe irmos até o estábulo vermos os cavalos e quem sabe darmos uma volta a cavalo.

Claro que eu concordei prontamente mesmo sabendo que a última vez que eu fiz isso ainda tinha cabelo.

Enquanto eu pegava o carro, o Wagner e o João, o filho mais velho foram se arrumar. Eu só fui entender quando os vi totalmente paramentados como gaúcho, de bombacha, bota, camisa, lenço e chapéu. Fomos até os estábulos que ficam num galpão num bairro distante da cidade.

Os cavalos estavam pastando e eram lindos. Um totalmente preto, outro bege e uma égua de cor creme.
Colocamos os animais no estábulo e o Wagner começou a encilhá-los. O primeiro foi o preto, cavalo do João, um animal muito manso. Era esse que eu iria andar, mas antes era melhor o João dar umas voltas com ele. Eu como não estava com pressa nenhuma, apenas estar ali já era emoção bastante para um “urbanóide” como eu.

Quando chegou a vez de arrumar o cavalo bege foi que o show começou. O animal estava arisco e não queria ser encilhado de forma alguma. Eu já estava propondo que deixasse o animal em paz e que não haveria problema se eu não andasse hoje e que eles poderiam passear sem problemas que eu esperaria, mas o Wagner não é de levar desaforo pra casa.

“Mas o que Tchê! vou montar nesse cavalo nem que seja a última coisa que eu faça”. Quase foi mesmo.

Ele subiu no animal e ele começou a empinar, andar para traz, querendo derrubar o Wagner. Eu acho que o cara tem cola na sela, porque o cara não desgrudou dele.

Pediu que eu abrisse o portão para ele dar uma volta mais longa e cansar um pouco o bicho.

E lá se foram os dois brigando um com o outro. De repente o cavalo empina de tal forma que acaba caindo no chão por cima do Wagner, mas quem disse que o cara largou. Que nada. Grudou nas orelhas do animal e quando ele voltou a ficar de pé lá estava ele, grudado na sela tentando domina-lo.

O animal ainda tentou derruba-lo mais umas duas vezes e foi quando ele achou melhor desistir do passeio. Adivinhe se eu não concordei rapidinho e o João que estava branco, nem falava, só balançava a cabeça em concordância.

A coisa foi tão intensa que até a máquina ficou sem bateria e claro não consegui registrar nada, senão teríamos mais uma vídeo cacetada.

Depois disso os dois tiram as celas dos animais que foram deixados livres no pasto e nos preparamos para voltarmos para casa. Ai o Wagner nos mostrou o lábio dele cortado por dentro, a calça e a bota rasgada em função do tombo.

“Bah Tchê! Teu avô tá gastando dinheiro à toa com aquele animal, imagina se ele faz isso com uma criança ou com ele?”

Eu virei e falei. E você queria que eu montasse nele? Falou amigão.

Não Tchê! Nele quem ia montar era o João.

Pior ainda cara. Ele jogaria o garoto em São Chico.

Bah! É verdade Tchê! Que animal safado.

Voltamos para casa, e a Dorinha estava mostrando sua coleção de DVDs para a Karen e os garotos.

Tomamos mais uma cerveja quando eu recebi um torpedo da VIVO e dos 30 ANOS DO SBT, dizendo que eu havia ganhado R$ 50.000,00 e um carro zero. Legal não é mesmo?

Tão bacana que merece um capítulo à parte.

Mais uma vez obrigado aos nossos novos amigos Canelenses. Viver ao lado de vocês está sendo muito bom e muito gostoso.

Os melhores momentos: NATAL 2012

Noite de Natal com os vizinhos


Fomos convidados para a ceia de Natal com nossos novos amigos, os vizinhos de cima.

Chegamos por volta das dez da noite conforme havíamos combinado. Eu modestamente havia levado uma garrafa de espumante, uma de vinho e meio queijo colonial.

Fomos recepcionados pelos filhos que estavam soltando bombinhas no quintal em seguida, a mãe deles saiu pela porta com o seu sorriso franco e alegre nos saudando.

Dentro da casa o Vavá, marido esperava com uma cuia de chimarrão. Eu entreguei o que havíamos levado para preparar para iniciarmos os trabalhos.

Cortamos o queijo e o salame que num prato foram colocados à mesa e ali ficamos por algum tempo conversando e nos conhecendo.

Lá pelas tantas, sob a desculpa de buscar um remédio da Dorinha eu fui até em casa me trocar, afinal eu seria o Papai Noel daquela noite para as crianças e para os adultos também.

A reação das crianças e dos adultos foi a de sempre. Não há quem não se encante com o Papai Noel.

Claro que as crianças desconfiaram e acharam que o Papai Noel era eu, mas a resposta era sempre a mesma. Agora eu sou o Papai Noel.

O menor vira e solta o rojão: Então cadê o trenó? Posso dar uma volta?
Respondi que o trenó estava parado na rua de cima e que eu tinha muitas entregas para fazer ainda, por isso a volta teria que ficar para depois.

Como sempre, fotos e presentes. É muito divertido ver como os adultos se transformam diante da figura do Papai Noel, todos viram crianças de novo.

O Papai Noel entregou os presentes e foi embora. Tive que dar uma volta no quarteirão porque, como eu disse que o trenó estava na rua de cima, contrario à minha casa, tive que ir até lá e esperar que os garotos entrassem.

Voltei para casa me troquei e voltei para a festa. Claro que a primeira coisa que ouvi foi: Você perdeu o Papai Noel. Senti-me um super herói daqueles que tem duas identidades.

É como eu digo, é muito bom ser o Papai Noel, você recebe muito mais do que dá.

Fomos para a ceia que tinha um monte de coisas gostosas, peru, torta fria, arroz à grega e  panetone. Tudo preparado pela matriarca da casa a "sogramãeavó" exceção feita ao arroz à grega preparado pela Karen. Para acompanhar, espumante, vinho e refrigerante. Estava como eu digo muito chato. Nada para reclamar nem falar mal.

O mais impressionante foi ver Dorinha perfeitamente integrada e conversando com eles como se estivesse em casa. Aquela visão sim foi o meu presente de Natal.

Ficamos com eles até umas duas horas da manhã. Viemos embora porque eu estava começando a desmoronar de sono porque pela Dorinha, ficaríamos mais.

Quando chegamos em casa, um calor lascado tomava conta do ambiente. Foi o tempo de tirar a roupa, colocar um pijama e me enfiar no quarto sob o ar condicionado. Não me lembro da Dorinha ter ido pra cama. Dormi como uma criança feliz que ganhou o seu melhor presente na vida.

Obrigado aos nossos novos vizinhos pela acolhida e pelo carinho. Que Deus lhes dê em dobro tudo o que vocês estão nos dando e que um dia também possamos retribuir essa gentileza toda que percebemos ser sincera e despretensiosa. 

A todos, UM FELIZ NATAL e não importa em que ou em quem acreditem, o que importa é a emoção e a reflexão que esse evento pode provocar dentro de vocês e o que isso pode ajuda-los a serem pessoas melhores.

Esse garoto é uma fera. Ele era quem queria passear de trenó.

E no final da festa ainda fomos intimados a comparecer ao churrasco de almoço no dia seguinte.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal no Vizinho


Pois é, estamos numa das regiões mais frias do país e os termômetros aqui estão marcando 35 graus nessa véspera de Natal. São quase 19h e o sol lá fora batendo sem dó nas pessoas que estão olhando as decorações derreterem ou que estão tentando descolar seus sapatos do asfalto amolecido pelo calor.

Eu sei que é Natal, mas está tão quente que os dois capetinhas que encontrei na rua estavam se dirigindo a um boteco com ar condicionado.

Assim como a cidade está parando parte por causa das festas e o resto por causa do calor mesmo, nós estamos quietos em casa, só curtindo o nosso aparelhinho de ar condicionado e tirando no par ou impar, melhor de três para ver quem vai sair do quarto. Nem a Cylla quer saber de passear no quintal.
Ontem encontramos nossos vizinhos na Feira de Natal e acabamos passando o resto da tarde com eles.
A dupla é muito legal, além deles, os três filhos e a sogra completam a família. O menino tem entre cinco e onze anos e são três moleques muito legais, cada um com a sua característica o que nos faz exercitar a rapidez de raciocínio, pensamento e adaptação. Só pai e mãe mesmo para aguentar isso 24 horas por dia.

A sogra é outra figuraça. Não vou dizer o nome dela porque não disse de ninguém e como eles a chamam de vó, mãe ou sogra, não tive tempo de gravar o nome. Sei que ela não é de Canela é de uma cidade vizinha São Chico.

Depois de andarmos na feira, fomos tomar um sorvete, mas antes claro tivemos que passar numas lojinhas. Como elas adoram isso e que paciência elas tem para olhar tudo e não levar absolutamente nada. Eu acho que se eu trabalhasse no comércio seria como o Robert De Niro no filme a Máfia volta ao divã em que ele, um poderoso chefe da máfia americana, precisa ter um emprego honesto para manter a condicional. Se ainda não viram eu recomento. A atuação dele no restaurante e na loja de carros é hilariante.

Bom, depois desse momento Rubens E. Filho, voltemos ao nosso passeio.

Antes do sorvete, mas depois da lojinha, fomos até a fábrica de biscoitos da família. Eles produzem uns biscoitos com temas natalinos que além de bonitos são uma delicia e pelo que percebi há um leque enorme de possibilidades para o produto, mas isso é outra conversa.

Agora sim, tomamos o sorvete, quer dizer elas tomaram sorvete porque nós os meninos, tomamos suco de cevada maltada, e como desceu bem.

Feito isso voltamos para casa e eles nos convidaram para entrar e conhecer o resto da família, as crianças e a “sogramãeavó”. Ficamos lá até umas 23h batendo papo, tomando um chimarrão e foi muito bom.

Hoje eles insistem que nós passemos o Natal com eles. Acho que vai ser muito bom porque esse seria o nosso primeiro Natal sozinhos aqui. Isso não é um lamento, mas uma constatação feita a partir da nossa opção de vida e por mais que tenhamos consciência da opção a saudades pela distância bate um pouco mais nesses dias.

Quando eu contei a eles que eu tinha uma roupa de Papai Noel o cara cresceu os olhos e a “sogramãeavó” se encheram de água só de pensar no Papai Noel na casa deles. Hoje combinamos e ele será o Papai Noel da gurizada.  Vai ser divertido.

Já falamos com todos os nossos familiares e agora é esperar para ver como será o Natal no vizinho.
Um feliz Natal a todos, independente da crença e para os que acreditam, assim como eu, que hoje estamos comemorando o nascimento do filho de Deus, não se esqueçam de, em algum momento das festividades de hoje, reverenciar o aniversariante.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E o mundo quase acabou pra mim


Hoje é o tal do dia 21 de dezembro, dia em que todos diziam que o mundo ia acabar em meio a furacões, ondas enormes, cidades engolidas e tudo mais.

Pois é, mas para mim quase que o mundo acaba mesmo.

Dorinha acordou super animada. Se ela animada eu já me ralo todo, imaginem ela no estado “super”. É quase o fim do mundo mesmo.

Primeiro levantou antes de mim. Isso foi uma alegria e ao mesmo tempo um temor. Hoje tem.

No café já veio a primeiro tsunami.

“Hoje vamos fazer uma arrumação nessa casa”. Eu gelei, perdi até a fome. Comecei a pensar na família e nos amigos de quem eu não havia me despedido, o meu mundo estava mesmo acabando.

Começamos pela área de serviço. Claro que ela dando as ordens e eu fazendo força. “Vamos colocar o prendedor de vassouras aqui dentro do banheiro”. Pensei que bacana vaga coberta e demarcada para as vassouras, a sogra vai gostar.

Fui ao porão buscar a furadeira e as ferramentas para instalar o novo estacionamento das bruxas.
Feito isso estacionamos as vassouras, (sogrinha deixei uma vaga bacaninha pra você) foi a vez de ligar o telefone na sala.

O fio foi passado pelo porão então lá fui eu para o porão passar e prender fio do telefone. Ai subi para fazer a ligação. Vale lembrar que o caminho da área de serviço até o porão não é coberto e hoje choveu o dia todo aqui em Canela.

Feita a ligação vamos ao teste. E quem disse que ele funcionou? Verifiquei a ligação, desci até o porão para ver se tem alguma coisa quebrada e nada de funcionar. Testei o telefone em outro ponto e ele estava legal, então era o “@#$##@!@” do fio. Voltei a correr tudo de novo quando descobri perto da entrada para o porão o fio partido. Emendei e pronto. O telefone da sala está funcionando.

Isso já eram quase 14h30 e nada do mundo acabar. Parei para fazer o almoço já que a Benedita quero dizer Dorinha, estava limpando o quarto. Eu a chamo de “Ditinha”, quando ela coloca aquele lenço na cabeça e pega os panos de limpeza.

Ditinha, vem almoçar. Gritei eu da cozinha.

Quando terminamos eram mais de 15h (mundo não tinha acabado e ela ainda com a Ditinha no corpo) eu num acesso de total estupidez, perguntei: E agora querida?

BUUUUUURRRO! A cabeça não pensa o corpo padece.

Agora, disse ela, você vai colocar os ganchos para a rede na área de traz, pegar a enceradeira no porão (sim nós temos enceradeira, é velhinha mais ainda dá conta do riscado) e depois nós vamos trocar a cama de lugar (Nossa Senhora, por favor, acaba o mundo eu pensava) e fui ao porão mais umas três vezes depois dessa, todas, absolutamente todas, sob chuva. Parecia complô. Parava de chover eu não precisava ir, bastava eu ter que ir ao porão pronto, lá vinha água. Tive até que trocar de camiseta.

Coloquei os ganchos, testei a rede, quase fiquei nela mas levantei, peguei a enceradeira e me apresentei no quarto para trocarmos a cama de lugar. Nossa cama mede 2,00 x 2,10 e o quarto tem no máximo 3,00 por 3,50 e mesmo assim ela achou um novo jeito de colocar a cama e não é que ficou bom! (Odeio essa coisa de visual).

Resolvido o quarto, (e o lencinho ainda na cabeça e nada da Ditinha subir) fomos para o escritório.
Quero trocar essa cama de lugar e essas caixas também. Adivinhe quem é que fez as manobras das caixas e da cama?

Pelo menos a Ditinha ajudou, passou a vassoura.

Quando colocamos tudo no lugar eu morto de cansaço a Ditinha vem com a outra.

Agora nós vamos abrir a passadeira, limpa-la e coloca-la aqui no corredor. E fomos nós dois com uma escova cada um passar na passadeira, ela tem uns sete metros de comprimento e nós dois esfregamos tudo ida e volta.

Colocada a passadeira no corredor, claro que não foi da primeira vez, sempre tem uma coisinha pra mudar a Ditinha vira e fala: “Nossa, olha como está esse chão, todo marcado”.

Eu fiquei quietinho, não sabia se concordava ou se me fingia de morto, então a Ditinha disse, passa a enceradeira ai na sala enquanto eu termino de arrumar a cozinha.

“Deus, olhai para esse filho que implora o seu perdão” eu pensava enquanto passava a enceradeira que agora eu já não achava tão bonitinha como antes.

Quando terminei desliguei tudo e fui colocar na área de serviço. Na volta ela vira pra mim e diz, agora só tem mais duas coisas para amanhã. Eu não me atrevi a perguntar o que era, mas não teve jeito, o mundo tava acabando mesmo e ela continuava, você pode escolher, ou passar roupas, ou arrumar o feriado. Feriado é aquele quarto que deixamos por último e que quase se transformou no novo sumidouro.

Eu não aguentei, pedi para ela tirar o pano da cabeça e falei “SOBE DITINHA QUE ESSE CORPO NÃO É SEU. QUERO A DORINHA DE VOLTA”.

E não é que deu certo. A Ditinha subiu mesmo.

Dorinha me olhou e disse. Vamos sentar um pouco no sofá para descansar?

Não pensei duas vezes, sentei e como sentei fiquei. A última coisa que eu me lembro é do relógio da sala batendo 18h.

Acordamos uma hora e meia depois e já que o mundo não acabou mesmo, amanhã tem mais, ou roupa, ou feriado. Como eu não sei passar roupas adivinhe onde eu estarei amanhã.

Ainda tenho esperanças que o mundo acabe hoje.

Boa noite e que saudades da Elaine.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Pesadelo ou crise de abstinência?


Essa noite tive um sonho estranho.

Sonho? Ou pesadelo!

Foi rápido, mas a sensação que deixou foi igual àquela que eu tive quando, depois de parar de fumar, sonhava que estava fumando e acordava mal. Vamos ao sonho, é bem curto.

Sonhei que estava sentando na minha mesa numa empresa que trabalhei por um longo tempo e de repente aquele se era meu chefe entra na minha sala e diz que foi demitido. O cara estava muito louco, uma mistura de desespero com excitação, dizendo pra todo mundo que agora ele ia isso, ia aquilo, falando um monte de palavrão.

Ele trajava uma calça bege e camisa branca.

Ele falou comigo e saiu da sala pelo corredor, falando alto um monte de besteira que não dava pra entender.

Eu não tive qualquer reação, continuei fazendo o que eu estava fazendo e em seguida eu acordei. Uma coisa dessas não te deixa ficar impune no sono.

A primeira sensação foi um mal estar lascado, uma coisa chata.

Eu levantei, fui tomar café e claro, não parava de pensar no sonho, o que poderia ser isso? Saudades, raiva, expurgo? Prefiro a última.

Acho mesmo que foi um expurgo tipo quando a gente libera a nicotina que está grudada no pulmão, sei lá. Um amigo disse, em tom de brincadeira, que isso poderia ter sido uma crise de abstinência. Pode até ser, mas não de voltar para aquela empresa com aquele chefe, isso seria um retrocesso, mas por voltar a trabalhar. Isso sim é verdade porque eu não vejo a hora de virar o ano para voltar à luta.

Teve gente que disse para eu colocar o sonho nesses sites de interpretação para ver a resposta. Eu não sou louco, vai que ele me diz uma verdade. Melhor ficar na ilusão, pelo menos até o mundo não acabar amanhã.

De qualquer forma foi muito engraçado o sonho ou foi uma crise. Creio que finalmente estou me libertando da tirania e quanto ao chefe no sonho, que se dane, não muda mais nada na minha vida.

Em tempo: Hoje está ventando muito por aqui.

Quarta a partir de R$ 1,99


Dorinha acordou animada, estava assobiando e dando risada.

Depois do café, resolvemos dar uma volta pelas cidades de Gramado e Canela para começarmos a nos ambientar com o povo local já que na casa estamos perfeitamente ambientados.

Bom primeiro ela quis ir acertar as sobrancelhas, depois resolveu que queria passar nas lojinhas de R$ 1,99. Não sei como elas estão por ai, mas por aqui os espertinhos colocaram o “a partir de” antes do R$ 1,99 e pronto, resolveram o problema deles. Agora você não acha mais nada por R$ 1,99, enfim ela queria passear.

Descobri que é bem complicado achar um lugar para parar em Gramado, mesmo nos locais pagos e isso se dá não pelos turistas, mas pelo povo local que vem à cidade de carro mesmo. Deve ser o costume do inverno sei lá, sei que para estacionar o carro eu sempre tive que ir para uma rua distante, esperar um tempo e dar uma volta para ver se a Dorinha já estava esperando.

Foi numa dessas que eu recebi o primeiro aviso do dia. Um cara que controla os estacionamentos pagos parou na frente do meu carro e anotou a placa e saiu andando. Eu desci e fui perguntar para ele o que estava acontecendo e ele me explicou que há uma tolerância de 10 minutos para estacionar sem pagar e que eu já havia passado do tempo e que na próxima eu seria multado. Lá fui eu achar um lugar, quase em Canela, para parar o carro enquanto a Dorinha passeava pelas lojas.

Depois de ela ter olhado e comprado o que queria, fomos ver mais algumas coisas que ela queria ver e eu precisava para a casa. Parei na PRO-LAR uma loja que tem de tudo e ela foi até um museu de pedras que ela queria conhecer.

Eu comprei o que precisava e fui busca-la e ai veio o presente.

Eu fiz um retorno porque precisava voltar para pegar a Dorinha, logo que fiz o retorno uma blitz da Brigada Militar me abordou pedindo que eu estacionasse o veículo. Parei e o guarda me pediu a documentação, entreguei e fiquei com aquela cara de conteúdo tentando entender o que tinha acontecido.

O senhor foi abordado porque o senhor fez uma conversão proibida, me disse o guarda com aquela voz de gaúcho. Só faltou o Tchê no final. Eu olhei pelo retrovisor e lá estava a placa, bonitinha, aquele “U” virado para baixo com uma tarja vermelha no meio.

Olhei para o guarda e disse: É agora estou vendo a placa. O senhor tem razão, fiz mesmo a coversão proibida, me desculpe.

Ele pegou os documentos e foi para a viatura e voltou com uma multa para eu assinar e ainda disse, a documentação está em ordem, é só a autuação pela conversão proibida. Eu assinei a multa, peguei os documentos e sai. Fazer o que? PRESTAR MAIS ATENÇÃO, CABEÇA DE PUDIM.

Cheguei até frente do Museu de Pedras e na porta estava – Entrada R$ 10,00 – Liguei para a Dorinha e disse que a esperaria no carro. Não estava disposto a pagar R$ 10,00 para ver pedras ainda mais depois de ter levado a multa. Fiquei ali por quase uma hora, pensando na vida, na conversão e na multa.

Quando ela chegou voltamos para Canela e ela ainda queria ver mais algumas coisas na cidade mas antes fomos procurar um lugar para almoçar.

Achamos um restaurante que se dizia do norte – MARIA BONITA – fica numa galeria de Canela.

Querida, achei o que vamos comer, disse eu todo animado. Dorinha viu a placa a concordou.

Chegamos ao restaurante, todo ambientado como casa do norte, sentamos à mesa e esperamos até sermos atendidos.

Apareceu uma pessoa que me pareceu a chefe do restaurante, perguntamos o sistema da casa, um Buffet livre por R$ 16,90 com churrasco.

Achei estranho o “com churrasco”, mas como estamos na terra do churrasco pensei que fosse uma adaptação.

Fiz o meu prato de salada e ai fui procurar a carne seca, o escondidinho e as coisas do norte.

Cadê as coisas do norte? Perguntei para a senhora que estava no balcão.

Ela me respondeu com a maior cara lavada: “Tem não”.

Como assim “Tem não” perguntei não é uma casa do norte?

Pois é, disse ela, é que o povo daqui não se acostumou direito com o tempero então tiramos tudo.

Falei tudo não, ficou o nome e a decoração para frustrar quem entra aqui esperando comer alguma coisa diferente do que arroz carreteiro, salada de batatas e churrasco. Não que eu não goste, eu adoro esses pratos, mas eu estava “psicologicamente” preparado para uma comidinha assim, diferenciada.

Bom depois da frustração veio o pedaço de frango estragado. Quando eu mordi, senti um gosto diferente, cheirei e tive certeza que aquela sobrecoxa só faria alegria para um urubu.

Levantei-me, fui até a churrasqueira com o prato e pedi que o assador cheirasse o frango. E ele “Bah! Mas que coisa tchê, isso é comida fresca. Me desculpe, vamos trocar o seu prato, por favor”.

Voltei para a mesa. A essa altura já não tinha mais fome e queria sair dali o quanto antes. Fomos ao caixa pagar e quando eu contei o que havia acontecido desde o começo, com a frustração da comida nordestina e do frango, a caixa que era a dona em olhou e eu pensei. “Vai deixar barato o almoço” que nada, descontou a sobremesa que eu nem sabia que não estava incluída no Buffet livre. Sabem quando eu volto lá? Nem que o mundo acabe amanhã.

Fora isso a Dorinha ainda me fez pagar um segundo mico.

Mas teve troco, ah se teve.

Feito isso, fomos procurar uma podóloga, Anda pra cá e pra lá, pergunta aqui e ali e encontramos uma que parece entender há umas três quadras de casa. Aqui tudo é perto e eu ainda não me acostumei a sair a pé.

Deve ser porque a nossa casa fica de costas para o centro da cidade e só tem árvores em volta então a gente ainda pensa que está longe.

Quando nós chegamos em casa, a chuva veio, finalmente, estávamos precisando de uma refrescada.

Espero nunca ver chuvas como as de São Paulo.

Mas o que não é grande naquela cidade, até a chuva é monstruosa.

Tenho a impressão que aquela cidade passou dos limites há muito tempo.

O fim do mundo


Estamos próximos do final do calendário Maia que sugere o final do mundo.

Pra falar a verdade eu não tenho a menor ideia se o mundo vai acabar ou não e francamente, isso pouco importa porque eu não posso fazer absolutamente nada para mudar e se pudesse ainda precisaria de mais tempo para pensar se o faria.

Sei que se for verdade mesmo, eu certamente farei o que eu disse há uns tempos atrás.

Vou sentar na varanda da minha casa, com a minha esposa, abrir uma ou mais garrafas de vinho que gostamos e deixa vir.

Nossa casa é de frente para o mar, tudo bem que não dá pra vê-lo, pois estamos há um monte de quilômetros de distância e tem algumas casas na frente além de estarmos há mais de mil metros de altura, mas tenho certeza que se o sol nasce no mar como em toda a costa brasileira, minha casa é de frente para o mar, então é esperar e ver.

Eu já estou no paraíso e aqui não tem metrô nem ônibus e muito menos congestionamento. É o paraíso ao pé da letra então deixa vir, estou pronto.

O que resta fazer é agradecer a Deus pela oportunidade de realizar mais um sonho. O Cara lá é bem legal comigo.

Agora, se o mundo não acabar como sugere o calendário ai meu amigo, minha amiga, a casa vai balançar porque as contas vão chegar e eu vou ter que me virar para pagar. Vou ter que procurar um emprego. Sim, eu quero um emprego porque de trabalho eu já to cheio.

Pensando bem, é melhor torcer para que os Maias tenham razão e que o que escreveram não tenha sido alguma coisa a esmo simplesmente para ver o circo pegar fogo. Já pensou se quem fez tudo isso foi um espírito de porco a fim de pregar uma peça?

Imagine, ele escreveu tudo certinho, tudo como deveria ser, mas no final resolveu colocar a sua assinatura de espírito de porco ou acabou a tinta, ou o final da frase estava numa outra página que se perdeu, tipo “final do calendário em 2012 porque não temos condições de prever mais pra frente”, isso não mudaria tudo?

Então não dá para ninguém ter certeza do que vai acontecer de verdade. Acho que o que podemos mesmo fazer é tentar fazer o melhor possível e seja o que Deus quiser.

Até dia 22 de dezembro, se ainda estivermos por aqui.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

“Calô duzinfernu”


O fim dos tempos deve estar próximo e pelo jeito vai ser como uma panela de pressão. Como está quente.

O povo aqui está arisco, mal humorado também a cidade e as casas não são configuradas para um calor desértico como este que estamos enfrentando.

Os gaúchos entram em pânico. A AMBEV avisa que o estoque de Polar está baixo e por isso vai restringir a compra nos pontos de venda.

Por outro lado, o churrasco não precisará de carvão, vai se assado ao sol mesmo.

O Papai Noel disse que só sai no desfile se for de camiseta e bermuda. Imaginem o que o cara passa por baixo daquilo tudo.

Essa semana todos os dias os termômetros bateram os 30 graus em Canela. Mas estamos só na terça-feira. Sim, mas desse jeito não chegaremos ao fim do mundo na sexta, vamos cozinhar antes e o pessoal da Cervejaria FAROL dizendo que não vai ter reserva para a festa do fim do mundo os melhores lugares serão de quem chegar primeiro.

Hoje é terça e até a dupla do terror, Noemi e Keli estão quietas e eu acho que estão bravas comigo porque acham que eu estou reclamando delas. Que nada é tudo farra, depois dum calor desses só rindo mesmo.

Ontem eu resolvi começar a por uma ordem no porão. Cara corajoso esse, que orgulho de mim mesmo.
Tomei café e desci. Quando abri a porta quase sai correndo. As caixas haviam se multiplicado e estavam esperando uma oportunidade para ganharem o mundo. Foi uma briga terrível para coloca-las de volta para dentro do porão. Foi um vira aba daqui, puxa a fita de lá, dobra uma ponta, entorta outra, uma delas quase me derrubou mas me apoiei no carro e voltei À carga. Depois de umas duas horas, consegui que elas entendessem que eu precisava do espaço que elas estavam ocupando e das coisas que estavam dentro delas.

Um dos itens negociados foi que eu as colocaria num canto do porão e deixaria todas lá, as montadas e desmontadas assim elas não se sentiriam sozinhas e que, além disso, com o espaço disponível dentro do porão mais pessoas poderiam vir e com mais frequência fazendo a vida delas mais interessante.
Elas concordaram e voltaram para dentro e eu comecei a arrumar.

Poe sorte eu já havia acertado a parte elétrica do porão, ligado a geladeira e tudo mais.

Adega de vinhos e amarelo ao fundo
Primeiro fui montar a adega para os vinhos. Utilizei as caixas de plástico do transporte para fazer uma prateleira horizontal. Coloquei-a no canto mais frio do porão e fui acomodando as garrafas. Ficou interessante e se um dia eu achar os engradados de madeira eu substituo as de plástico. Estão separadas por branco, tinto e os “não põe a mão ai moleque”. Estes últimos são umas garrafas que eu acho especiais, nada demais, apenas as últimas de umas séries que foram especiais para mim. Não se anime que não há nenhuma raridade ali.

Depois foram os espumantes da Dorinha. Todos colocados numa estante próximos aos vinhos.

Feito isso, olhei para as garrafas de cachaça que começavam a se agitar e começaram a me rodear tipo cachorro querendo carinho.

Fui ajeitando as garrafas, abrindo uma por uma, é eu as tinha fechado em São Paulo para o transporte. Separando-as por estado percebi que poderia resumir em três quatro segmentos: Mineiro; paulista, gaúcho e demais e assim elas estão.

Dei o dia por encerrado no porão. Eram 15h, eu estava morto de cansaço, faminto e sem a menor vontade de fazer alguma coisa para comer porque estava um calor de lascar.

Resolvemos ir ao Castelinho, comer uma torta de maça com sorvete de creme. Tava ótimo, uma delicia.

Apfelstrudel do Castelinho em Canela
Depois passamos na Garimpo Modas para visitar uma amiga nossa e eu tomar um chimarrão.

Na volta pra casa ainda passamos no super mercado para fazer as compras da semana. Grande besteira, ir ao super mercado com fome, mas tudo bem, pelo menos nós teremos petiscos por vários dias.

Quando chegamos em casa, notamos que estávamos muito irritados e após uma rápida troca de gentileza entre nós, alguém fez a sugestão de comermos alguma coisa. Foi ai que descobrimos que a fome era o motivo.

Duas burradas então: Ir ao super mercado com fome e ficar em casa com fome.

Comemos e a paz voltou a reinar no nosso lar novamente.

Hoje, terça-feira além de ser o dia de aniversário do meu cunhado e do meu sobrinho, pai e filho, imaginem vocês que o pai ficou feliz só no primeiro ano ”poxa, o meu primeiro filho nascer no mesmo dia que eu. Que alegria!”, porque a partir do segundo aniversário ele percebeu que só o filho ganhava presentes e ele só com aquela cara de conteúdo pagando a conta. Por sorte hoje o filho já é um homem e acho que agora o Fernando ganha uma lembrancinha de aniversário do filho. Mas voltando para o dia, acordamos com a campainha. Era o cara do banho e tosa que veio buscar a Cylla para o banho semanal.
Território das caixas
A fita amarela delimita o espaço

Depois disso, mais uns 10 minutos de preguiça na cama e levantamos para o café. Feito isso eu fui para o porão terminar o meu tratado com as caixas e coloca-las todas num canto que, posteriormente fecharemos com cortinas assim elas terão a privacidade que desejam e nós o porão que queremos.

Fiquei lá até umas 14h30 quando dei por terminada essa etapa. As caixas felizes, eu feliz, quase tudo resolvido (faltam as cortinas para a privacidade).

Quando cheguei qual não foi a minha surpresa, Dorinha estava terminado de preparar uma omelete com peito de peru e queijo. Só foi o tempo de eu me lavar e sentar para comermos. Aquilo estava uma delicia, não só pelo gosto mas por quem havia feito. Dorinha tem uma mão de fada para cozinhar.

Lamento mas não deu tempo nem para registrar.

Comi de lamber o prato. Noemi e Keli haviam acabado as arrumações da sala e estavam esperando sairmos da cozinha para elas darem continuidade.

Juntei a louça do almoço na máquina de lavar e nos retiramos para o escritório.

Quase me esqueci de uma passagem interessante hoje.

Uma ou duas vezes por semana, saímos com o Chevette para mantermos os carros em ordem.

Hoje eu não ia sair de casa mas resolvi ligar o Chevette.

Peguei a chave e quando virei a partida foi aquele som “unó, uó,uó” e nada, mais uma vez e o mesmo som. Dorinha já estava do lado e disse vamos empurra-lo que ele pega, como o carro está no puxadinho e ele é morro abaixo imaginamos que daria certo. Não deu. Quase entramos com o carro na casa do vizinho e nada dele pegar, o jeito foi chamar a Porto para uma “xupetinha” e pronto o carro pegou, voltou para o lugar, deixei-o funcionando por uns 40 minutos e está tudo resolvido.

Bom pessoal, agora vou sentar-me à varanda abrir uma cervejinha e terminar o meu dia.

Calma Fernando eu ainda ligo pra te cumprimentar pelo aniversário, eu não esqueci.



Até mais.

Sônia, Obrigado pelo presente de Natal. Nada poderia ter sido mais oportuno.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Domingão do Curingão Campeão


Hoje eu acordei mais tarde, por volta das 8h da manhã, é que o sabiá que todos os dias vêm me acordar na janela hoje tirou folga ou eu não ouvi mesmo, não importa.

Levantei, dei uma volta pela casa, coloquei a água no fogo e fui preparar um chimarrão. É isso mesmo, acordei com vontade de tomar um chimarrão.

Tudo pronto me aprumei na sala em frente à televisão de cuia e tudo e vamos para o jogo. Confesso que isso é uma coisa rara, eu parar para assistir futebol, mas aqui estamos.

Não vou falar do jogo porque quem assistiu sabe o que aconteceu e quem não viu, deve estar até os olhos de tanto ouvir falar.

Aqui em Canela acontece uma coisa muito inteligente da RBS e a Globo. Elas não liberam o sinal delas para as operadoras de TV por assinatura, pelo menos não para a Oi e a Claro então para que possamos assistir à programação deles, só pelo sinal aberto que vem junto com alguns fantasmas por isso infelizmente não pude assistir ao jogo ouvindo a narração padrão Globo, vi pelo SportTV, muito mais  divertido e sem terror.

Faz mais de um mês que eu não assisto a Globo/RBS e não morri.

Bom voltando ao jogo, SIM CURINTIA CAMPEÃO MANO. É NOÍS. Pronto, já expressei toda a minha alegria.

Depois que o jogo acabou, tomamos o nosso café da manhã, Dorinha acordou a tempo de ver o gol, e resolvemos arrumar algumas coisas em casa.

Isso durou quase que o mesmo tempo da minha imensa alegria pelo campeonato mundial do CURINTIA MANO. É NOÍS, e resolvemos passear porque hoje é um domingo, domingo do CURINTIA CAMPEÃO MANO! É NÓIS!

Fomos até a FEIRA DE NATAL de Canela porque eu queria ver um sapato que eu gosto e é de Novo Hamburgo, mas não tinha o meu número então deixamos pra lá. Almoçamos novamente naquele restaurante colonial e fomos até Gramado, ver a Vila de Natal. Eu fiquei sentado na sombra enquanto a Dorinha passeava. O calor estava de matar, 32 graus, imagine como vai ser no dia 21 de dezembro, dia do final do mundo.

Ela veio me chamar porque queria que eu tirasse uma foto dela ao lado do Papai Noel então tive que andar um pouco.

Depois disso, o calor ainda infernal, resolvemos passar na praça da matriz em Canela para tomarmos um sorvete. Coisa de cidade do interior. Você imagina aquela cidade pequena, com uma praça pequena, cheia de árvores e o sorveteiro na esquina, tipo MONTE ALEGRE DO SUL no interior de São Paulo, certo? ERRADO!

A praça aqui é enorme, tem poucas árvores e a sorveteria é na verdade uma loja de chocolates e que serve o Chope da Cervejaria do Farol. Achei-me, perdi completamente a pressa de voltar para casa.

Ficamos ali sentados uns (quatro chopes + um sorvete + duas águas) deu pra imaginar essa medida de tempo?

E ai voltamos para casa, para o conforto do nosso aparelho de ar condicionado. Que delicia, aqui dentro estamos com 24 graus e lá fora 28. Até a Cylla se acomodou na cama dela no escritório e está dormindo.

Uma boa noite pra vocês, felicidades para quem somos corintianos e para os que não são, digo que não se preocupem isso só dura até sexta que vem mesmo (21/12/12 - o fim do mundo).