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sábado, 8 de dezembro de 2012

Feng Shui da cunhada


Recebemos o mapa com o feng shui da casa e nós ficamos boa parte do dia tentando entender o que estava escrito entre aqueles riscos e cores. A Dorinha conseguiu traduzir o que estava escrito e lá fomos nós andando pela casa colocando uma pedrinha aqui, outro quadrinho aqui e conseguimos fazer tudo o que estava no mapa da cunhada.

O divertido foi achar as coisas para colocar nos lugares. Esse tal de feng shui, pede coisas que são fáceis de resolver tipo, uma madeira azul que fique em lugar para esquecer que existe. Moleza não é mesmo? A solução foi no mínimo inusitada. Achamos um lápis pintado de azul que colocamos atrás do relógio da parede. Como só eu limpo aquele relógio, não há perigo de alguém tocar no lápis.

Sobre esse relógio há uma história bem interessante.

Ele pertenceu à minha bisavó que comprou de um mascate na porta da casa dela já como um produto usado e antigo. Durante muito tempo ele ficou na sala da casa do meu avô e viu a vida da família passar por ele. Conta uma tia que ele parou de funcionar no dia e na hora em que a minha bisavó morreu. Depois disso ele passou algumas décadas na parede sempre marcando o tempo até que um dia ele simplesmente caiu da parede. A caixa que o segurava apodreceu e ele despencou. Depois disso ele foi guardado comigo, em uma sacola de supermercado por pelo menos 10 anos até revirando umas coisas fazendo a limpeza eu o achei. Pelo menos eu o guardei num lugar melhor, mas ele ainda continuava na sacola até que eu achei um relojoeiro que o arrumou.

Ele o colocou em uma nova caixa feita à mão como naquela época e me sugeriu que ao invés de envernizar a madeira ela fosse encerada assim ficaria mais bonito ainda. Pela avaliação dele, o relógio tem perto de 150 anos e está funcionando comigo há mais de 10 anos marcando as horas e acredite, ele não atrasa. Até hoje sigo as recomendações do meu avô, “de corda uma vez por semana e não force o final para não quebra-la”.

Já são duas e meia da tarde e ainda não decidimos o que vamos comer. Há uma festa dos colonos da região e a Dorinha está procurando na “infernet” até que horas isso vai e quando abre. Ela ainda está urbana. Eu estou com vontade de ir até lá e ver. É tão longe de casa que a gente é capaz de perder uns 15 minutos indo e vindo.
Essa festa é muito legal, cheia de produtos que os alemães e italianos da região produzem. Vai ser muito fácil achar alguma coisa para comer lá.
Três da tarde e chegamos à feira.
A primeira coisa que me impressionou foi que eu consegui estacionar praticamente na porta do evento. E isso não foi uma coisa difícil não, ainda tinham mais duas vagas. Adoro essa cidade.

La dentro do espaço Canela Rural, pudemos encontrar frutas, artesanato, comida, cachaça, vinho e outras coisas, tudo produzido pelos colonos de Canela que são conhecidos como do interior de Canela. O que mais me chamou a atenção foram as amoras que estavam à venda. Elas pareciam ameixas de tão grandes. Compramos algumas coisas bastantes até e gastamos R$ 5,00 um abuso, se é que me entendem.

Depois disso fomos almoçar afinal fazer comprar de barriga vazia é sinônimo de comprar mais do que precisa e convenhamos, eu já tinha gastado cinco pilas na barraca do Morro Calçado. Fico imaginando o tamanho do sapato para calçar um morro.

Achamos um restaurante de comida campeira e lá fomos nós calçar o bucho. Tinha uma carne de panela e uma batata doce caramelada que de lembrar ainda me dá água na boca, pra acompanhar, suco de uva da colônia claro. Sei dizer que nos fartamos. Eu comi tanto que não consigo pensar em comida até agora.
Depois desse laudo almoço, Dorinha adora isso, fomos dar uma voltinha na feira. De cara Dorinha achou um cara vendendo DVDs e pronto, adeus feira. Eu olhei pra ela e disse: Querida, eu vou dar uma voltinha e depois vou para a tenda do chimarrão, derreter a carne de porco que comemos.

A volta na feira se limitou ao trajeto de onde eu estava até a barraca do chimarrão, onde tomei umas três cuias para derreter o porquinho que eu tinha comido no almoço.

Acho que fiquei proseando com o Nilson, o dono da barraca, por hora e meia quando a Dorinha me aparece com dois pacotes enormes nas mãos. Eram dois cobertores que de um lado é um edredom e do outro é coberto com pele de ovelha. Eu olhei para aquilo e disse: E o que faremos com os outros 500 cobertores que temos em casa?  A resposta foi curta e simples: A gente guarda.

Como eu não estava a fim de provoca-la concordei e pronto. Voltamos para casa por volta das 18h.
A Cylla quase me deixou louco de tanto latir quando chegamos, mas agora está tudo em ordem. Sinto que essa cachorra nunca me deixará pular a cerca, porque não há como eu chegar em casa e ela não fazer festa para que a vizinhança toda saiba que eu cheguei. Será que isso é um treinamento especial?

O que importa melhor ficar quieto no meu canto mesmo.

Um abraço e boa noite.

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