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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quarta a partir de R$ 1,99


Dorinha acordou animada, estava assobiando e dando risada.

Depois do café, resolvemos dar uma volta pelas cidades de Gramado e Canela para começarmos a nos ambientar com o povo local já que na casa estamos perfeitamente ambientados.

Bom primeiro ela quis ir acertar as sobrancelhas, depois resolveu que queria passar nas lojinhas de R$ 1,99. Não sei como elas estão por ai, mas por aqui os espertinhos colocaram o “a partir de” antes do R$ 1,99 e pronto, resolveram o problema deles. Agora você não acha mais nada por R$ 1,99, enfim ela queria passear.

Descobri que é bem complicado achar um lugar para parar em Gramado, mesmo nos locais pagos e isso se dá não pelos turistas, mas pelo povo local que vem à cidade de carro mesmo. Deve ser o costume do inverno sei lá, sei que para estacionar o carro eu sempre tive que ir para uma rua distante, esperar um tempo e dar uma volta para ver se a Dorinha já estava esperando.

Foi numa dessas que eu recebi o primeiro aviso do dia. Um cara que controla os estacionamentos pagos parou na frente do meu carro e anotou a placa e saiu andando. Eu desci e fui perguntar para ele o que estava acontecendo e ele me explicou que há uma tolerância de 10 minutos para estacionar sem pagar e que eu já havia passado do tempo e que na próxima eu seria multado. Lá fui eu achar um lugar, quase em Canela, para parar o carro enquanto a Dorinha passeava pelas lojas.

Depois de ela ter olhado e comprado o que queria, fomos ver mais algumas coisas que ela queria ver e eu precisava para a casa. Parei na PRO-LAR uma loja que tem de tudo e ela foi até um museu de pedras que ela queria conhecer.

Eu comprei o que precisava e fui busca-la e ai veio o presente.

Eu fiz um retorno porque precisava voltar para pegar a Dorinha, logo que fiz o retorno uma blitz da Brigada Militar me abordou pedindo que eu estacionasse o veículo. Parei e o guarda me pediu a documentação, entreguei e fiquei com aquela cara de conteúdo tentando entender o que tinha acontecido.

O senhor foi abordado porque o senhor fez uma conversão proibida, me disse o guarda com aquela voz de gaúcho. Só faltou o Tchê no final. Eu olhei pelo retrovisor e lá estava a placa, bonitinha, aquele “U” virado para baixo com uma tarja vermelha no meio.

Olhei para o guarda e disse: É agora estou vendo a placa. O senhor tem razão, fiz mesmo a coversão proibida, me desculpe.

Ele pegou os documentos e foi para a viatura e voltou com uma multa para eu assinar e ainda disse, a documentação está em ordem, é só a autuação pela conversão proibida. Eu assinei a multa, peguei os documentos e sai. Fazer o que? PRESTAR MAIS ATENÇÃO, CABEÇA DE PUDIM.

Cheguei até frente do Museu de Pedras e na porta estava – Entrada R$ 10,00 – Liguei para a Dorinha e disse que a esperaria no carro. Não estava disposto a pagar R$ 10,00 para ver pedras ainda mais depois de ter levado a multa. Fiquei ali por quase uma hora, pensando na vida, na conversão e na multa.

Quando ela chegou voltamos para Canela e ela ainda queria ver mais algumas coisas na cidade mas antes fomos procurar um lugar para almoçar.

Achamos um restaurante que se dizia do norte – MARIA BONITA – fica numa galeria de Canela.

Querida, achei o que vamos comer, disse eu todo animado. Dorinha viu a placa a concordou.

Chegamos ao restaurante, todo ambientado como casa do norte, sentamos à mesa e esperamos até sermos atendidos.

Apareceu uma pessoa que me pareceu a chefe do restaurante, perguntamos o sistema da casa, um Buffet livre por R$ 16,90 com churrasco.

Achei estranho o “com churrasco”, mas como estamos na terra do churrasco pensei que fosse uma adaptação.

Fiz o meu prato de salada e ai fui procurar a carne seca, o escondidinho e as coisas do norte.

Cadê as coisas do norte? Perguntei para a senhora que estava no balcão.

Ela me respondeu com a maior cara lavada: “Tem não”.

Como assim “Tem não” perguntei não é uma casa do norte?

Pois é, disse ela, é que o povo daqui não se acostumou direito com o tempero então tiramos tudo.

Falei tudo não, ficou o nome e a decoração para frustrar quem entra aqui esperando comer alguma coisa diferente do que arroz carreteiro, salada de batatas e churrasco. Não que eu não goste, eu adoro esses pratos, mas eu estava “psicologicamente” preparado para uma comidinha assim, diferenciada.

Bom depois da frustração veio o pedaço de frango estragado. Quando eu mordi, senti um gosto diferente, cheirei e tive certeza que aquela sobrecoxa só faria alegria para um urubu.

Levantei-me, fui até a churrasqueira com o prato e pedi que o assador cheirasse o frango. E ele “Bah! Mas que coisa tchê, isso é comida fresca. Me desculpe, vamos trocar o seu prato, por favor”.

Voltei para a mesa. A essa altura já não tinha mais fome e queria sair dali o quanto antes. Fomos ao caixa pagar e quando eu contei o que havia acontecido desde o começo, com a frustração da comida nordestina e do frango, a caixa que era a dona em olhou e eu pensei. “Vai deixar barato o almoço” que nada, descontou a sobremesa que eu nem sabia que não estava incluída no Buffet livre. Sabem quando eu volto lá? Nem que o mundo acabe amanhã.

Fora isso a Dorinha ainda me fez pagar um segundo mico.

Mas teve troco, ah se teve.

Feito isso, fomos procurar uma podóloga, Anda pra cá e pra lá, pergunta aqui e ali e encontramos uma que parece entender há umas três quadras de casa. Aqui tudo é perto e eu ainda não me acostumei a sair a pé.

Deve ser porque a nossa casa fica de costas para o centro da cidade e só tem árvores em volta então a gente ainda pensa que está longe.

Quando nós chegamos em casa, a chuva veio, finalmente, estávamos precisando de uma refrescada.

Espero nunca ver chuvas como as de São Paulo.

Mas o que não é grande naquela cidade, até a chuva é monstruosa.

Tenho a impressão que aquela cidade passou dos limites há muito tempo.

3 comentários:

  1. Tem dia que parece noite, nada original mas verdadeiro. Pelo menos vocês ficarão bonitinhos de cacto (tinha um cacto o que você está reclamando).
    MSD

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