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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A mesa e a varanda


Um momento de loucura total.

Hoje, dia 07 de dezembro resolvemos tirar um dia de folga como há muito não fazíamos.

Acordamos tarde, tomamos um café de hotel com frutas, pães geleias, manteiga, biscoitos e suco. Foi um cata geral na geladeira. Tudo o que estava sobrando da semana para a mesa.

Depois desse laudo café, como gosta de falar a Dorinha, resolvemos que iríamos passear só que antes disso, Dorinha queria colocar o tapete no escritório. Pega daqui, dobra dali, levanta a mesa puxa a cadeira e o cara está aqui, sob os meus pés. Vamos sair agora?

Claro que não. Dorinha queria ver como ficaria a mesa redonda com as cadeiras na varanda do escritório. Tudo bem ela é visual e eu auditivo, mas nessa eu tinha certeza que se coubesse a mesa as pessoas e as portas teriam que sair, porém vocês sabem como é um espanhol não é mesmo, basta dizer que não dá para ele querer tentar.

Eu peguei a mesa, duas cadeiras e ela trouxe as outras duas. Colocamos tudo na varanda e ai o chato aqui começou com as perguntas básicas, só pra irritar mesmo. Eu tava muito louco, querendo irritar uma Fontes (o cara era pura adrenalina, parecia até corintiano no Japão).

Pergunta: Querida, como é que vamos fechar a porta do quarto com essas cadeiras ai?

Resposta: A gente pega essas cadeiras e põe aqui dentro do quarto e fecha.

Pergunta: E vamos fazer isso todos os dias?

Resposta: Silêncio sepulcral (vocês precisavam ver o olhar que ela me deu).

Pergunta: Querida e quando estiver chovendo, como vamos proteger os móveis?

Resposta: A gente coloca o plástico em cima. A gente tem milhões de plásticos aqui.

Pergunta: E você acha isso prático?

Resposta: Outro olhar acompanhado de silêncio. Acho que ela entrou em DEFCON dois, mas eu estava muito, mas muito louco mesmo, queria mais.

Pergunta: Querida. Quando estivermos naquele período de chuvas vamos deixar essas duas cadeiras aqui dentro do quarto?

Resposta: Você é um chato mesmo e ai veio todo aquele apelo emocional de você não me deixa sonhar, não me deixa fazer as coisas e tudo mais.

Eu carreguei a mesa e as cadeiras para aonde estavam, fui até o porão, peguei duas cadeiras de metal que temos e coloquei na varanda, desmontadas. Quando cheguei em cima as cadeiras estavam armadas.
Olhei e falei. Ficou bom não acha? (o cara estava a fim mesmo de voar do primeiro andar).

Ela olhou e respondeu secamente. É ficou.

Em seguida foi tomar banho para sairmos
.
Gente é muita adrenalina. Nada como uma emoção forte para fazer o sangue circular.

Eram quase 14h quando saímos para comer. Fomos ao primeiro restaurante que estivemos em nossa primeira viagem. Uma casa que serve um galeto ao primo canto acompanhado de salada e massa. Uma coisa deliciosa.

Depois do laudo almoço, Dorinha adora o termo “laudo”, fomos até uma loja de departamentos ver um tapete que a Dorinha queria para o banheiro. Quando nós entramos na loja eu me deparei com uma coisa que eu estava procurando há algum tempo. Um daqueles paneleiros de ferro que a gente coloca as panelas penduradas. Eu havia visto na casa da Elsa e aquilo me lembrava o sitio da nossa família, não sei bem porque, porque se me lembro bem, nunca tivemos aquilo lá, talvez na casa do meu avô ou de algum tio sei lá, só sei que me apaixonei por ele e agora ele está lá, na nossa cozinha, ao lado do fogão à lenha, segurando nossas panelas.

Fomos ao supermercado, quer dizer, eu fui, porque a Dorinha ficou na vídeo locadora, comprei as coisas da semana e voltamos para casa.

Agora ela está tentando decifrar o mapa do feng shui que a minha cunhada fez pra gente. Quero só ver como isso vai terminar.

A vida está bem legal e a gente precisa de muito pouco para ser feliz.

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