Um momento de loucura total.
Hoje, dia 07 de dezembro
resolvemos tirar um dia de folga como há muito não fazíamos.
Acordamos tarde, tomamos um café
de hotel com frutas, pães geleias, manteiga, biscoitos e suco. Foi um cata
geral na geladeira. Tudo o que estava sobrando da semana para a mesa.
Depois desse laudo café, como
gosta de falar a Dorinha, resolvemos que iríamos passear só que antes disso,
Dorinha queria colocar o tapete no escritório. Pega daqui, dobra dali, levanta
a mesa puxa a cadeira e o cara está aqui, sob os meus pés. Vamos sair agora?
Claro que não. Dorinha queria ver
como ficaria a mesa redonda com as cadeiras na varanda do escritório. Tudo bem
ela é visual e eu auditivo, mas nessa eu tinha certeza que se coubesse a mesa
as pessoas e as portas teriam que sair, porém vocês sabem como é um espanhol
não é mesmo, basta dizer que não dá para ele querer tentar.
Eu peguei a mesa, duas cadeiras e
ela trouxe as outras duas. Colocamos tudo na varanda e ai o chato aqui começou
com as perguntas básicas, só pra irritar mesmo. Eu tava muito louco, querendo
irritar uma Fontes (o cara era pura adrenalina, parecia até corintiano no Japão).
Pergunta: Querida, como é que
vamos fechar a porta do quarto com essas cadeiras ai?
Resposta: A gente pega essas
cadeiras e põe aqui dentro do quarto e fecha.
Pergunta: E vamos fazer isso
todos os dias?
Resposta: Silêncio sepulcral
(vocês precisavam ver o olhar que ela me deu).
Pergunta: Querida e quando
estiver chovendo, como vamos proteger os móveis?
Resposta: A gente coloca o plástico
em cima. A gente tem milhões de plásticos aqui.
Pergunta: E você acha isso
prático?
Resposta: Outro olhar acompanhado
de silêncio. Acho que ela entrou em DEFCON dois, mas eu estava muito, mas muito
louco mesmo, queria mais.
Pergunta: Querida. Quando
estivermos naquele período de chuvas vamos deixar essas duas cadeiras aqui
dentro do quarto?
Resposta: Você é um chato mesmo e
ai veio todo aquele apelo emocional de você não me deixa sonhar, não me deixa fazer
as coisas e tudo mais.
Eu carreguei a mesa e as cadeiras
para aonde estavam, fui até o porão, peguei duas cadeiras de metal que temos e
coloquei na varanda, desmontadas. Quando cheguei em cima as cadeiras estavam
armadas.
Olhei e falei. Ficou bom não
acha? (o cara estava a fim mesmo de voar do primeiro andar).
Ela olhou e respondeu secamente.
É ficou.
Em seguida foi tomar banho para
sairmos
.
Gente é muita adrenalina. Nada
como uma emoção forte para fazer o sangue circular.
Eram quase 14h quando saímos para
comer. Fomos ao primeiro restaurante que estivemos em nossa primeira viagem.
Uma casa que serve um galeto ao primo canto acompanhado de salada e massa. Uma
coisa deliciosa.
Depois do laudo almoço, Dorinha
adora o termo “laudo”, fomos até uma loja de departamentos ver um tapete que a
Dorinha queria para o banheiro. Quando nós entramos na loja eu me deparei com
uma coisa que eu estava procurando há algum tempo. Um daqueles paneleiros de
ferro que a gente coloca as panelas penduradas. Eu havia visto na casa da Elsa
e aquilo me lembrava o sitio da nossa família, não sei bem porque, porque se me
lembro bem, nunca tivemos aquilo lá, talvez na casa do meu avô ou de algum tio
sei lá, só sei que me apaixonei por ele e agora ele está lá, na nossa cozinha,
ao lado do fogão à lenha, segurando nossas panelas.
Fomos ao supermercado, quer
dizer, eu fui, porque a Dorinha ficou na vídeo locadora, comprei as coisas da
semana e voltamos para casa.
Agora ela está tentando decifrar
o mapa do feng shui que a minha cunhada fez pra gente. Quero só ver como isso
vai terminar.
A vida está bem legal e a gente
precisa de muito pouco para ser feliz.
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