Bom, quarta-feira com chuva, a
temperatura amena então resolvi que iria até o DETRAN de Canela para ver se a
documentação do Chevette havia chegado.
Deveriam ser por volta de 10h30
quando cheguei por lá. Pedi que verificassem e o rapaz que me atendeu perguntou
se o carro estava comigo, como confirmei ele pediu para colocar na garagem para
a vistoria, a documentação tinha chegado. Sorri por dentro imaginando que o
pessoal queria me cobrar R$ 450,00 para fazer a documentação do Chevette e eu
fiz por R$ 80,00. Eu fui para a vistoria, pensando na vultosa gorjeta que eu me
daria nessa.
Feito o procedimento, desta vez
ele verificou tudo, luzes, pneu, buzina, eu acho que ele estava namorando o
carro porque não parava de elogiar o “velhinho”, voltei à recepção para
aguardar a documentação, e foi ai que surgiu a surpresa. (Comecei a dar adeus à
gorjeta).
De onde eu estava podia ver o
rapaz que me atendeu olhar para um lado, olhar para outro, fazer caras e bocas,
de repente ele chama outro funcionário, discutem alguma coisa. Pensei comigo: “mas
o que será que está acontecendo?”.
Por fim ele se levanta, vem até a
minha direção com cara de desapontado me dizendo que havia aparecido um problema
com o número do motor do carro.
Quando ele puxou o número do
motor do carro no sistema, apareceu uma ocorrência de furto em Canoas, uma
cidade da grande Porto Alegre, em 2008 para esse número.
Falei que achava interessante,
porque este carro estava conosco desde 1984 sempre com mesmo motor e ai ele me
explicou que na época da fabricação do carro, a montadora produzia em torno de
10 motores com o mesmo número já que o sistema do DETRAN não era integrado ela
poderia mandar um motor para cada estado e estava tudo bem. Era um procedimento
normal em 1983, e que na documentação do DETRAN de São Paulo não estava
registrado o número do motor e que por isso ele teria que pedir uma cópia do
documento de vistoria feito em SP para poder continuar com o procedimento.
Eu perguntei: Quem tem que pedir?
Ele respondeu que o pedido teria
que ser feito por eles mesmos para que viesse via sistema ou internamente,
garantindo a veracidade da informação, porém esse procedimento poderia demorar
um pouco mais que dez dias, dependendo do DETRAN de SP.
Respirei aliviado e feliz porque
mesmo demorando, estava tudo certo e dentro do DETRAN. (já estava vendo a
gorjeta crescer de novo). Respondi que achei legal ter sido roubado exatamente
no estado em que eu iria transferir, o rapaz deu risada e disse para eu passar
lá daqui há uns 10 ou 15 dias para ver como estão as coisas. No final dará tudo
certo.
Por via das dúvidas, quando
cheguei em casa liguei para o mecânico em SP e perguntei a ele se quando ele
havia reformado o motor do carro se por acaso ele havia trocado o bloco do motor.
A resposta que veio do Gustavo foi um sonoro “NÃO, VOCÊ TÁ LOUCO? SE EU TROCO O
BLOCO EU DEIXO TEU CARRO IRREGULAR”.
Falei que eu imaginava isso, mas
tinha que perguntar, o que também me deixou mais aliviado.
Então resolvi ligar para o Disque
DETRAN/SP. Eu já comentei com vocês, esse serviço funciona. A moça que me
atendeu ouviu pacientemente a minha situação e deu a seguinte solução.
Senhor, eu não sei a resposta,
mas eu vou enviar sua solicitação para o departamento de transferências e eles
responderão para o senhor qual a forma de proceder nesse caso.
Concordei até porque não havia
mais nada a fazer.
Ela montou a solicitação, leu
para mim o que havia escrito. Fez isso porque as ligações são gravadas e servem
como documento comprobatório e com a minha concordância, enviou a solicitação.
Vamos ver o que acontece.
E assim
foi mais um episódio do DETRAN que como vocês perceberam, ainda não terminou.
De tarde, fui ajudar um amigo
numa “pequena” mudança. Estou craque em caixas. Ainda bem que eu fui de Jeep
porque quando cheguei lá, o que tinha de coisa pra carregar. Acho que a ex-esposa
aproveitou para mandar todas as coisas que ela não queria mais como mudança
dele.
Carrega daqui, ajeita de lá e
fomos enchendo o Jeep de coisas. Ainda não sei como coube tudo, mas coube.
Fomos até a casa dele e
descarregamos. No final, a mãe dele aparece com um chimarrão e um pedaço de
torta. Aquilo fez o esforço valer a pena. Que coisa boa Tchê!
Ai ele começa a olhar as coisas,
tira uma coisa daqui, põe pra lá. Sabe como é mudança, a gente fica meio
perdido entre as coisas, e eu olhando, tomando o chimarrão e dando uma forma “moral”
porque a física já tinha sido.
De repente ele acha uma garrafa
de cachaça, daquelas que só quem gosta tem e guarda como carinho. Foi a conta.
Quando nos demos conta, eram mais de 22h30 e estávamos na garagem, tomando uma
deliciosa cachaça que não tinha nome, estava numa garrafa de Vodca Orlof, mas
foi umas das mais deliciosas que eu tive a oportunidade de provar. A cor dela era
uma coisa impressionante. Um amarelo envelhecido, limpa e quando a gente rodava
no copo as lágrimas demoravam a descer. Parecia um licor. O aroma de carvalho se
harmonizava com o da cana numa fragrância deliciosa, mas também mantinha do
doce da cana. O sabor foi outra sensação maravilhosa.
A cachaça tinha um grande volume
quando em boca e uma suavidade quando engolida que fazia um contrate
espetacular e dava vontade de repetir. Além disso, tempos depois eu podia
sentir o sabor da cachaça na boca.
Foi uma ótima experiência só
superada pela “coisinha simples” que a mãe dele preparou para a gente. Uma
abóbora recheada com cogumelos que, meus amigos, foi de comer ajoelhado. Meu
amigo sugeriu um vinho para acompanhar, mas eu preferi ficar na água mesmo. Já tínhamos
nos animado com a cachaça e eu preferi ficar na água mesmo.
Voltei pra casa e Dorinha estava
assistindo a um filme no computador dela. Conversamos mais um pouco, contei das
aventuras vespertinas e quando percebemos o relógio da sala batia três horas da
manhã.
Chovia um pouco, mas não estava
muito frio. Levei a Cylla para o passeio noturno, enxuguei-a e fomos deitar.
Acordamos na quinta por volta de
10h30 da manhã e só agora, 16h30 é que estou conseguindo pensar em alguma
coisa. Não que esteja de ressaca, mas o dia está preguiçoso mesmo e aqui entre
nós, se eu posso aproveitar nesse momento porque não fazê-lo?
Nossa única refeição de hoje foi
um “laudo” café às 11h45. Mais tarde vamos sair e comer alguma coisa, eu acho.
Estamos meio presos em casa essa
semana porque estamos esperando a entrega do modem da banda larga da infernet.
São aquelas coisa de empresas que respeitam o consumidor e que por não terem
concorrência, respeitam mais ainda.
“A entrega do modem será feita em
até sete dias a partir de agora, em horário comercial e tem que ter uma pessoa
em casa para receber senão o modem volta para a central”, e como somos só nós
dois aqui precisamos nos revezar na espera do entregador. Legal não é mesmo? E
tem gente que reclama da concorrência. Vocês esqueceram o que é viver sob um
monopólio, eu havia esquecido, mas essa operadora está me refrescando a
memória, a se está.
Agora pouco chegou um e-mail do DETRAN de São Paulo avisando que o carro está em ordem e que o DETRAN de RS deve pedir o documento por ofício internamente. Não falei que o serviço funcionava. Tá bacana esse DETRAN SP.
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