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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

O DETRAN – Quarto capítulo


Bom, quarta-feira com chuva, a temperatura amena então resolvi que iria até o DETRAN de Canela para ver se a documentação do Chevette havia chegado.

Deveriam ser por volta de 10h30 quando cheguei por lá. Pedi que verificassem e o rapaz que me atendeu perguntou se o carro estava comigo, como confirmei ele pediu para colocar na garagem para a vistoria, a documentação tinha chegado. Sorri por dentro imaginando que o pessoal queria me cobrar R$ 450,00 para fazer a documentação do Chevette e eu fiz por R$ 80,00. Eu fui para a vistoria, pensando na vultosa gorjeta que eu me daria nessa.

Feito o procedimento, desta vez ele verificou tudo, luzes, pneu, buzina, eu acho que ele estava namorando o carro porque não parava de elogiar o “velhinho”, voltei à recepção para aguardar a documentação, e foi ai que surgiu a surpresa. (Comecei a dar adeus à gorjeta).

De onde eu estava podia ver o rapaz que me atendeu olhar para um lado, olhar para outro, fazer caras e bocas, de repente ele chama outro funcionário, discutem alguma coisa. Pensei comigo: “mas o que será que está acontecendo?”.

Por fim ele se levanta, vem até a minha direção com cara de desapontado me dizendo que havia aparecido um problema com o número do motor do carro.

Quando ele puxou o número do motor do carro no sistema, apareceu uma ocorrência de furto em Canoas, uma cidade da grande Porto Alegre, em 2008 para esse número.

Falei que achava interessante, porque este carro estava conosco desde 1984 sempre com mesmo motor e ai ele me explicou que na época da fabricação do carro, a montadora produzia em torno de 10 motores com o mesmo número já que o sistema do DETRAN não era integrado ela poderia mandar um motor para cada estado e estava tudo bem. Era um procedimento normal em 1983, e que na documentação do DETRAN de São Paulo não estava registrado o número do motor e que por isso ele teria que pedir uma cópia do documento de vistoria feito em SP para poder continuar com o procedimento.

Eu perguntei: Quem tem que pedir?

Ele respondeu que o pedido teria que ser feito por eles mesmos para que viesse via sistema ou internamente, garantindo a veracidade da informação, porém esse procedimento poderia demorar um pouco mais que dez dias, dependendo do DETRAN de SP.

Respirei aliviado e feliz porque mesmo demorando, estava tudo certo e dentro do DETRAN. (já estava vendo a gorjeta crescer de novo). Respondi que achei legal ter sido roubado exatamente no estado em que eu iria transferir, o rapaz deu risada e disse para eu passar lá daqui há uns 10 ou 15 dias para ver como estão as coisas. No final dará tudo certo.

Por via das dúvidas, quando cheguei em casa liguei para o mecânico em SP e perguntei a ele se quando ele havia reformado o motor do carro se por acaso ele havia trocado o bloco do motor. A resposta que veio do Gustavo foi um sonoro “NÃO, VOCÊ TÁ LOUCO? SE EU TROCO O BLOCO EU DEIXO TEU CARRO IRREGULAR”.

Falei que eu imaginava isso, mas tinha que perguntar, o que também me deixou mais aliviado.

Então resolvi ligar para o Disque DETRAN/SP. Eu já comentei com vocês, esse serviço funciona. A moça que me atendeu ouviu pacientemente a minha situação e deu a seguinte solução.

Senhor, eu não sei a resposta, mas eu vou enviar sua solicitação para o departamento de transferências e eles responderão para o senhor qual a forma de proceder nesse caso.

Concordei até porque não havia mais nada a fazer.

Ela montou a solicitação, leu para mim o que havia escrito. Fez isso porque as ligações são gravadas e servem como documento comprobatório e com a minha concordância, enviou a solicitação.

Vamos ver o que acontece.

E assim foi mais um episódio do DETRAN que como vocês perceberam, ainda não terminou.


De tarde, fui ajudar um amigo numa “pequena” mudança. Estou craque em caixas. Ainda bem que eu fui de Jeep porque quando cheguei lá, o que tinha de coisa pra carregar. Acho que a ex-esposa aproveitou para mandar todas as coisas que ela não queria mais como mudança dele.

Carrega daqui, ajeita de lá e fomos enchendo o Jeep de coisas. Ainda não sei como coube tudo, mas coube.

Fomos até a casa dele e descarregamos. No final, a mãe dele aparece com um chimarrão e um pedaço de torta. Aquilo fez o esforço valer a pena. Que coisa boa Tchê!

Ai ele começa a olhar as coisas, tira uma coisa daqui, põe pra lá. Sabe como é mudança, a gente fica meio perdido entre as coisas, e eu olhando, tomando o chimarrão e dando uma forma “moral” porque a física já tinha sido.

De repente ele acha uma garrafa de cachaça, daquelas que só quem gosta tem e guarda como carinho. Foi a conta. Quando nos demos conta, eram mais de 22h30 e estávamos na garagem, tomando uma deliciosa cachaça que não tinha nome, estava numa garrafa de Vodca Orlof, mas foi umas das mais deliciosas que eu tive a oportunidade de provar. A cor dela era uma coisa impressionante. Um amarelo envelhecido, limpa e quando a gente rodava no copo as lágrimas demoravam a descer. Parecia um licor. O aroma de carvalho se harmonizava com o da cana numa fragrância deliciosa, mas também mantinha do doce da cana. O sabor foi outra sensação maravilhosa.

A cachaça tinha um grande volume quando em boca e uma suavidade quando engolida que fazia um contrate espetacular e dava vontade de repetir. Além disso, tempos depois eu podia sentir o sabor da cachaça na boca.

Foi uma ótima experiência só superada pela “coisinha simples” que a mãe dele preparou para a gente. Uma abóbora recheada com cogumelos que, meus amigos, foi de comer ajoelhado. Meu amigo sugeriu um vinho para acompanhar, mas eu preferi ficar na água mesmo. Já tínhamos nos animado com a cachaça e eu preferi ficar na água mesmo.

Voltei pra casa e Dorinha estava assistindo a um filme no computador dela. Conversamos mais um pouco, contei das aventuras vespertinas e quando percebemos o relógio da sala batia três horas da manhã.

Chovia um pouco, mas não estava muito frio. Levei a Cylla para o passeio noturno, enxuguei-a e fomos deitar.

Acordamos na quinta por volta de 10h30 da manhã e só agora, 16h30 é que estou conseguindo pensar em alguma coisa. Não que esteja de ressaca, mas o dia está preguiçoso mesmo e aqui entre nós, se eu posso aproveitar nesse momento porque não fazê-lo?

Nossa única refeição de hoje foi um “laudo” café às 11h45. Mais tarde vamos sair e comer alguma coisa, eu acho.

Estamos meio presos em casa essa semana porque estamos esperando a entrega do modem da banda larga da infernet. São aquelas coisa de empresas que respeitam o consumidor e que por não terem concorrência, respeitam mais ainda.

“A entrega do modem será feita em até sete dias a partir de agora, em horário comercial e tem que ter uma pessoa em casa para receber senão o modem volta para a central”, e como somos só nós dois aqui precisamos nos revezar na espera do entregador. Legal não é mesmo? E tem gente que reclama da concorrência. Vocês esqueceram o que é viver sob um monopólio, eu havia esquecido, mas essa operadora está me refrescando a memória, a se está.

Agora pouco chegou um e-mail do DETRAN de São Paulo avisando que o carro está em ordem e que  o DETRAN de RS deve pedir o documento por ofício internamente. Não falei que o serviço funcionava. Tá bacana esse DETRAN SP.

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