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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

NATAL LUZ 2013 – 28ª EDIÇÃO

Uma das vantagens de se morar aqui na região das hortênsias, é que a organização do NATAL LUZ promove shows de ensaio para os ajustes finais. Os ingressos para esses espetáculos são trocados por dois quilos de alimentos não perecíveis por pessoa.

Descobri que a vantagem pode ser aproveitada por quem não é da região. Turistas que estiverem por aqui nessa época do ano, podem trocar alimentos por ingressos também.

Em uma conta simples, os quatro shows nos custaram R$ 35,00, ou seja, R$ 4,35 por pessoa. Isso é u belo desconto levando-se em conta que esses mesmos shows estão tabelados entre R$ 65,00 e R$ 85,00 cada. Isso sem falar na boa ação de doação de alimentos.

Fora o valor, foi legar ver todos os espetáculos lotados. Isso quer dizer que a arrecadação deve ter sido muito boa.

Agora vou falar um pouco dos espetáculos.


O primeiro foi o NATALIS. 


Um show de luzes numa cortina de água, acompanhando a narração sempre potente do texto de Cid Moreira, falando sobre o surgimento do Natal Cristão.

O show foi bonito, mas precisa de alguns ajustes. Uma dica para 2014 para os organizadores. Coloquem cestos de lixo nas arquibancadas e pensem em tirar aqueles enormes postes que sustentam as caixas de som e fogos da frente das arquibancadas. Na posição em que nos encontrávamos, um poste atrapalhou em demasia a visão.


O segundo foi a FANTÁSTICA FÁBRICA DE NATAL.




Uma representação muito interessante e com muitos atores e cenários muito bonitos, sobre uma criança que não acredita em Papai Noel.

As fotos valem mais que qualquer comentário.

 









O terceiro que vimos foi o GRANDE DESFILE DE NATAL.

 
Este está muito diferente do que nós vimos anos atrás quando estivemos por aqui como turistas.

Pode ter sido por ser o primeiro, mas os participantes estavam muito mais preocupados em não errar a coreografia do que encantarem o público. Estavam sérios demais.


A música creio ter sido outro item que prejudicou o espetáculo. É uma música que é interpretada por cantores líricos e a sua repetição, com tons agudos e altos vai dando nos nervos de quem está assistindo. Em dado momento eu queria sair correndo do local.




E o último foi o NATIVITATEN. 




Este eu considero o melhor de todos os quatro espetáculos. O som perfeito, a escolha do repertório impecável, passando pelas músicas de temas natalinos até John Lennon e Beatles, só clássicos, foi de emocionar.

O maestro que comandava o piano e a banda foi um show à parte de desempenho. Não sei se foi empolgação dele ou é coreografado, mas foi ótimo.
O som, os tenores, as sopranos, o coral, as luzes, os fogos de artifício, tudo muito bonito e gosto de ver.



Não seria justo fazer um ranking, afinal de contas é a minha opinião e sei que ela vale tanto quanto qualquer outra, mas eu vou dizer que se eu fosse turista, tentaria ver todos, mas em não conseguindo e tendo que escolher dois, eu optaria pelo NATIVITATEN e pela FANTÁSTICA FÁBRICA DE NATAL.

Eu acho que o Grande Desfile ainda vai melhorar, mas não acredito que o NATALIS mude muita coisa do que foi apresentado não. Ele é bonitinho e vocês sabem o que eu penso. Bonitinho pra mim é um feio arrumado, passa, mas não engana.

Espero que os que venham apreciar o NATAL LUZ aproveitem tudo o que a região oferece. A cidade está linda, com as ruas iluminadas e tocando músicas de Natal.

Canela começa a preparar o seu SONHO DE NATAL e pelo que eu li e vi, acho que esse ano vai ser mais bonito que o ano passado. 


Até mais.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Está fazendo um ano

Que estamos morando em Canela.

Pode não parecer, mas foi no dia 05 de novembro de 2012 que fechamos nossa casa em São Paulo, com passagem só de ida, quero dizer, só de vinda aqui pra Canela.

Confesso que apesar de otimista, um enorme frio percorria minha espinha e um enorme ponto de interrogação se formava.


O que seria como seria e o que nos esperava nessa nova cidade.

Vocês puderam acompanhar pelos textos durante este ano que passou algumas coisas que aconteceram com a gente, algumas coisas que sentimos e vivemos nesses trezentos e sessenta e cinco dias da nossa nova vida.

Na maioria das vezes os textos eram pra cima, relatando o lado bom da vida, mas não vou mentir pra vocês. A vida é bela e aqui ela é mais, mas também temos nossos dias nublados e às vezes até tempestuosos, mas isso não interessa. Como Lurdinha me disse uma vez: “Quem é o dono que segure o touro pelo chifre”. Então, vem cá boizinho que precisamos conversar.

Neste ano que passamos aqui muita coisa aconteceu em nossas vidas.

Eu descobri que sou capaz de fazer coisas que eu não imaginava que era. Voltei a trabalhar.  Por enquanto eu estou só trabalhando, dinheiro que é bom vem muito pouco, mas se a gente não plantar ai é que não teremos nada o que colher.

Estou mais calmo, mais tranquilo e consigo até pensar melhor. Creio que estou mais em paz aqui do que estava em São Paulo.



Claro que sinto muitas saudades dos amigos e dos familiares. Às vezes até dá aquela dúvida do será que fiz o certo?  Eu sei que ela vem por conta das saudades, mas ai eu olho para o que eu fiz neste ano e vejo que por enquanto a decisão está correta.  Dizer que ela será sempre certa é ingenuidade, mas hoje eu garanto que não tenho vontade alguma de voltar a viver em São Paulo.

Encontrei-me aqui na cidade. Converso com as pessoas, caminho com calma olhando a paisagem e até de carro, eu ando tranquilo, aproveitando cada dia como uma dádiva, olhando a luminosidade que o sol daqui produz nas coisas. O azul do céu que não vi em outro lugar e as estrelas que consigo ver à noite, quando não está chovendo.
Descobri que em Canela chove e não é pouco não. A chuva quando vem aqui é para tirar férias. Ela fica alguns dias visitando a região. 
Até neve nós vimos aqui, coisa que eu não tinha visto ainda na vida. Até guardei um pouco num saquinho. Está no freezer. É claro que virou gelo, mas aquele gelo é neve (coisa de paulista meu).

Compramos nosso terreno e vamos colocar nossa casa em cima dele. Ela vai ser como sempre do jeito que queremos toda em um plano só, com um amplo espaço na sala e a cozinha integrada. Nossa ideia era a de deixarmos até o quatro aberto, mas o frio nos fez mudar de ideia. Uma coisa é ter que aquecer 20 metros quadrados, outra é aquecer noventa. Ela vai ficar legal.

A vida na agência promete ser bem interessante para 2014 e tenho fé que esse plantio os frutos necessários ao nosso sustento.

Dorinha está mais tranquila e começa a tomar noção de algumas coisas que acontecem com ela e só isso já é motivo para continuarmos em frente.

A Prys, nossa nova cachorrinha, (Já nem sei mais se dá pra chama-la assim. Está com pouco mais de quatro meses e maior que a Cylla) trouxe uma nova vida aqui pra dentro de casa. Nada como uma nova energia e visão de vida pra agitar um pouco os velhos. Ela é um azougue. Está já está maior que Cylla, morde tudo o que acha pela frente e traz pra dentro de casa tudo o que acha no quintal, faz suas necessidades na cozinha, mas é muito carinhosa.

Ela está tirando a Dorinha da cama na marra. Nossa sala é uma verdadeira bagunça com brinquedos e chinelos por todos os cantos. O que ela mais adora é tirar as coisas do lugar, mas não me arrependo de te-la pego, acho que ela nos dará muitas alegrias.

A Cylla está mais velha e rabugenta. Tá cada dia mais mal humorada, uma perfeita velha e a Prys deixando a velha louca.

Estou fazendo alguns novos conhecidos. Espero que alguns virem amigos. Já fiz alguns poucos amigos, daqueles que sei que posso contar a qualquer momento, mas vejo potencial em muito mais gente. Aqui o interesse na pessoal é maior do que nas coisas e como a vida anda um pouco bem mais vagarosa do que em uma cidade grande, as pessoas ainda tem tempo de se preocuparem com pessoas e isso é muito bom.

Algumas pessoas muito queridas de São Paulo já vieram nos visitar aqui e sei que voltarão.

Isso tudo ajuda a acalmar as saudades que às vezes bate.

Já se vão quase seis meses que não vamos a São Paulo e imagino o quanto as coisas ai devem ter mudado. Vai ser divertido voltar a essa cidade e reparar nas mudanças. Agora em São Paulo seremos turistas. Vai ser divertido, poder entrar num daqueles restaurantes árabes da Rua 25 de março e me fartar. Esse tipo de comida não tem aqui na região.

Qualquer hora dessas a gente aparece por ai, mas isso não os impede de, quando quiserem, virem à nossa casa. Se não couberem aqui (temos dois quartos, mas um banheiro) há algumas pousadas aqui perto, bem interessantes e que certamente os atenderão muito bem.

Quero dizer aos meus amigos e meus familiares que estamos bem e que fizemos bem em termos vindo para cá. Estamos felizes e tocando a vida em frente. 

Espero e quero que vocês façam o mesmo, porque uma vida sem ser feliz não tem graça e nem motivo algum.


Obrigado pelos que torcem por nós e, por favor, continuem a fazê-lo. Sem essa torcida a vida fica muito mais complicada.




 CANELA, NOVEMBRO DE 2013









quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Aprendendo muito com a pesquisa de campo


Vocês leram no meu último texto que uma das coisas que eu estava fazendo era uma pesquisa de campo para a ACIC, Associação Comercial e Industrial de Canela.

Esta pesquisa é para escolher as melhores empresas de Canela em cada um dos setores.

Há uma metodologia na pesquisa, que é divida por setores da cidade.

No primeiro lote me deram 100 entrevistas para fazer distribuídas em seis setores escolhidos aleatoriamente pela coordenação da pesquisa.

Agora no segundo lote, são mais 70 entrevistas nas mesmas condições.

Bom o que eu quero dizer é que estou conhecendo Canela como conheço poucas cidades. Estou conversando com os mais variados tipos de pessoas, sendo cheirados pelas mais diversas raças de cachorros e andando em média, cinco quilômetros por dia.

Está maratona toda começa a produzir algumas situações interessantes que tentarei descrever.

A primeira coisa é escolher a casa para a entrevista.

Como eu tenho começado sempre por volta de 9h30 da manhã, as casas ainda estão fechadas e em dias nublados então, quase ninguém põe a cara pra fora, quem dirá abrir a casa. Ai então eu uso as ferramentas que desenvolvi:

Calma pessoal ,não é o que estão pensando. Não, não é pé de cabra e nem uma arma, são ferramentas de observação.

Se a janela está aberta é fácil, mas se a janela está fechada, partimos para os itens.

1) Se tiver luz acesa, há grande possibilidade.

2) Se perceber alguma música ou conversa, certamente tem gente. É aqui em Canela, as ruas nos bairros são tão tranquilas que você consegue perceber se há barulho dentro da casa.

3) Se tiver um carro parado na porta, não dentro do pátio, há grande possibilidade de ter alguém na casa.

4) Se a chaminé do fogão está soltando fumaça, certamente tem alguém na casa, ou é melhor ligar para os bombeiros.

E com essas ferramentas de observação eu vou facilitando a minha vida no campo.

Ai entra a questão de como entrar em contato.

Aqui em Canela, na maioria das casas que eu visitei a campainha fica colada à porta, então você precisa entrar na casa da pessoa, tocar a campainha e voltar para ao portão.

Esse procedimento parece fácil, infantil até. E seria, se não fosse o detalhe de que na maioria dessas mesmas casas há um cachorro que te olha estranho e normalmente ele fica entre o portão e campainha.

Ai quando a  campainha fica no muro da frente, longe do cachorro, na maioria das vezes ela não funciona.

O jeito é apelar para o velho e bom  bater palmas e torcer para que uma vitima apareça,  sim porque a pesquisa faz do entrevistado uma vitima.

São mais de 90 perguntas e todas de lembrança de marca, nos mais diversos segmentos de comércio e serviços da cidade, mas pesquisa é pesquisa e eu sempre as levei muito a sério e não seria agora que eu iria começar a detona-la, então vamos à apresentação.

Com um sorriso no olhar, e o crachá no peito eu armo o meu discurso.

"Bom dia. Eu sou da ACIC e estamos fazendo uma pesquisa para eleger as melhores empresas de Canela de 2013.

É o prêmio Mérito ACIC. O (a) Senhor (a) poderia nos ajudar, respondendo um questionário comigo?

Não leva mais que dez minutos. (primeiro truque, lembram, são 90 questões)

É uma pesquisa de lembrança de marca.

Eu falarei alguns segmentos e a senhora responderá o nome da empresa que lhe vier à cabeça.

Caso não se lembre de nenhuma, apenas diga que não lembra e seguiremos em frente, sem preocupação.

Podemos começar?"

Depois do questionário, das 90 perguntas, quando as pessoas começam a ficar impacientes e a me olharem atravessado, eu ainda peço mais dois favores:

Confirmar o nome e endereço, traçar um rápido perfil do entrevistado e pedir que ele escreva o seu nome na pesquisa para valida-la.

É minha gente, é fácil a vida de pesquisador.

Agora que vocês entraram no clima de rua comigo, ficará melhor entender as situações que vou relatar.


VIRANDO NETO.

Entrevistei uma senhorinha, muito gentil que me convidou para entrar e sentar na varanda.

Comecei perguntado sobre os segmentos e ela ia respondendo tranquilamente. Tinha um bom conhecimento da cidade, principalmente das pessoas. Ela não lembrava direito do nome das lojas, mas conhecia praticamente todos os donos (isso é bem comum por aqui, coisa de cidade pequena).

Lá pelas tantas ela me olhou e falou. “Nossa como o senhor parece meu neto que não vejo há muito tempo” e pegou na minha mão.

Os olhos dela estavam cheios de lágrimas e ai pronto, lá se foi a pesquisa.

Parei peguei na mão dela e começamos a conversar e ela me contando da última vez que havia encontrado com o neto e eu perguntei por que fazia tempo que ela não o via e a resposta foi, porque ele havia morrido num acidente.

Caramba o que fazer diante daquilo, melhor mudar de assunto.

Olhei em volta vi a foto de um jovem na parede e perguntei se era ele, ao que ela respondeu com a cabeça que sim. Olhei mais atentamente e a nossa única semelhança era a barba, mais nada, mas eu já a estava chamando de “vó” e com isso ela foi relaxando e voltou a sorrir.

Ai, vó pra lá, vó pra cá, uma história daqui, outra dali e consegui terminar a entrevista quase uma hora depois de ter entrado na casa daquela senhora.

Sai de lá com uma sensação boa. A de que mais do que pesquisa, havia feito uma senhora feliz, por ter trazido boas lembranças a ela.

Isso me lembrou das épocas em que eu bancava o Papai Noel na empresa e ia visitar os orfanatos.

Sempre havia uma situação indigesta que precisava de uma resposta ou uma saída mais amena.



QUASE ME PERDENDO

Essa aqui também foi bem legal.

Eu bati numa casa e quem abriu a porta?

Uma garota, daquelas que são difíceis não se reparar.

Ela vestia uma roupa muito menor do que o seu manequim que não mostrava nada, mas insinuava tudo e assim veio me atender.

“Bueno” como se diz por aqui. Era hora de centrar na pesquisa, mas não seria uma coisa muito fácil não, porque ela era realmente muito bonita. Alta, morena de olhos azuis.... Calma mano, volta pra pesquisa.

Ela me convidou para entrar e eu fui até a varanda, porque era um daqueles dias de sol forte, mas eu sabia que estava arriscando.

Ela perguntou se eu não preferiria fazer o questionário dentro da casa, que estava mais fresco.

Cara! Que desespero.

Por sorte meu anjo da guarda bom estava ali de plantão e me ajudou na resposta me fazendo dizer que a ACIC não permitia que nós entrássemos nas residências.

Digo isso porque sei que quem pilotou essa foi meu ajno da guarda. Se eu entro ali, não sei o que seria de mim e ai:

Adeus pesquisa, adeus casamento, adeus tudo.

Ficamos na varanda. Eu sentando num banco e ela numa cadeira com as pernas cruzadas, sorridente e insinuante. Ela sabia o que estava fazendo e eu sabia que ela sabia que eu sabia que ela sabia o que estava fazendo.

Quando eu já havia recorrido a quase tudo para me abster daquela visão e me concentrar na entrevista, eis que o "tinhoso" apronta de novo. Sem mais nem menos, a porta da sala se abre e de dentro sai outra garota nos mesmo moldes com uma bandeja com água para nós. Me oferece um copo e depois de colocar a bandeja na mesa, passa por traz de mim, numa distância que dava para sentir o perfume de banho recém-tomado e vai se se sentar ao lado da que eu estava entrevistando. Sempre sorridentes e insinuantes. Elas estavam de sacanagem comigo.

Não foi fácil. Eu não lembro quanto tempo levou aquela entrevista, mas assim que terminei, tratei de levantar e me mandar.

Eu não sabia quanto mais eu conseguiria aguentar. Eu só lembrada do "adeus casamento e adeus tudo".

Quando entrei no carro,e lembrei-me do que acabara de acontecer, comecei a rir sozinho.

No fundo foi divertido.

Fazia tempo que eu não levava uma cantada sem ser da minha mulher.

Fez bem pro meu ego e descobri que o coração ainda está em ordem e o medo também.



FAMÍLIA FELIZ.

Nessas pesquisas, eu visitei alguns lugares da periferia da cidade e numa dessas casas eu encontrei uma família que me fez repensar a vida.

Era uma casa muito simples, mas simples mesmo, quase beirando ao nada. Da rua dava pra ver que era apenas um cômodo que abrigava a todos e como era um domingo, estavam todos em casa, o pai, a mãe e as duas filhas.

A família era linda. Tanto os pais como as filhas eram figuras daquelas que poderiam sair em qualquer capa de revista, mas o que mais me impressionou foi a alegria em que eles viviam.

Receberam-me com alegria. Eu ia fazendo as perguntas e eles respondendo sempre com um sorriso no rosto, brincando entre eles e na hora de montar o perfil percebi que a simplicidade deles não era só de uma possível falta de sorte, mas sim de falta de oportunidade, porque o pai pediu à filha mais velha que escrevesse o nome dele na folha.

Aquela situação me fez refletir sobre o que é mesmo necessário para sermos felizes e que a verdadeira felicidade não está nas coisas e nem fora, está dentro da gente, num carinho, num sorriso, numa delicadeza.

Estou aprendendo muito com esse trabalho. A cada entrevista, a cada conversa, percebo o quão pequeno eu sou e quanto ainda tenho que aprender sobre a cidade e suas pessoas.

Ainda tenho mais quatro setores para fazer, vamos ver o que vou aprender nesses.

Obrigado e quem sabe a gente nãos e vê pelas ruas de Canela. Pelo menos até o final do mês eu estou por ai, senão a coordenadora me mata.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um apanhadão dos últimos dias

As coisas começam a acontecer aqui em Canela e a minha vida começa a ficar agitada novamente. Graças a Deus porque eu já estava começando a me acostumar com aquele ritmo e como disse meu cunhado Fernando, o perigo é a cintura endurecer demais e você não conseguir mais dançar;

Falando nisso a primeira é a nossa matrícula no curso de dança gaúcha que é ministrado pelo Márcio Cavalli, um estudioso das tradições gaúchas aqui da cidade. Saibam todos que Canela é uma das cidades que mais mantém viva o cultivo das tradições e num "mea culpa" vai aqui o registro.

Eu sempre achei que comemorar a revolução Farroupilha era uma coisa meio sem sentido, porque afinal eles haviam perdido a guerra, porém morando aqui eu começo a entender que não é o fato de ter perdido a guerra que eles comemoram e sim o fato de não terem se rendido a um sistema de governo que impunha terríveis condições ao povo daqui. Isso muda um pouco meu ponto de vista.

O curso está muito divertido. Eu e Dorinha estamos aprendendo alguns passos e se tudo continuar como está, dia sete de dezembro estaremos nos formando com toda a pompa e tradição. MAS QUE BARBARIDADE TCHE;

Também nos matriculamos no curso para formação de juizes mediadores do TMA/RS. São aulas na Câmara de vereadores da cidade. Está bem interessante, porque o que se trabalha neste tribunal é uma filosofia de mediação de conflitos e eu gosto dessa pegada. Ainda não dá pra falar muito do curso porque há muita dúvida nos procedimentos que serão esclarecidos nas aulas, mas eu sei que vai ser legal.

A construção da nossa casa está começando a sair do papel. As coisas aqui são interessantes. Fui fazer o pedido de ligação da energia elétrica e a RGE compareceu. Foi lá, ligou os fios no poste novo, colocou o relógio, lacrou tudo, porém na hora de ligar os fios à rede Elétrica, o poste da rua quase caiu quando eles encostaram a escada. Parece que ele está podre. Aqui alguns postes ainda são de madeira.. Agora é preciso que venha o carro com um cesto para que a ligação possa ser feita.




O terreno já está preparado para receber as marcações da construção, só que antes, faremos alguns testes para ver como fica a entrada da garagem, mas tenho certeza que tudo se ajeitará.

Claro que eu tive que entrar com o carro até aonde será a garagem só pra sentir o prazer de entrar no que é nosso.

A sensação foi muito boa.

Outra novidade é a pesquisa de campo da qual estou participando para a ACIC, Associação Comercial e Industrial de Canela. Todos os anos eles escolhem as empresas mais lembradas da cidade e este ano eu me inscrevi para a parte do campo até como uma forma de conhecer melhor o povo da região.

Minha parte são seis setores, cada um com algo em torno de 20 questionários com 80 perguntas cada. Está muito interessante porque cai com dois setores periféricos da cidade, onde a gente vê o poco mais humilde e é muito interessante a recepção deles e o sentimento de importância que eles ficam quando eu explico que é uma pesquisa para escolher as melhores empresas da cidade e que eu queria que eles participassem. Além dese contato aprendi uma coisa. Dá próxima vez que aparecer um pesquisador aqui em casa, eu certamente o convidarei para sentar e oferecerei água, porque pessoal não é mole. Tenho andando em torno de 7 km por dia e se fosse um caminhar continuo até seria mais fácil, mas você anda, para, pergunta, fala, responde, conversa, tudo isso em pé e sob o sol. Não é mole a vida desse pessoal.


A mais recente foi ontem à noite quando participei de um curso de preparo de churrasco ministrado pelo Embaixador do Churrasco Mauro Abreu de Camargo. Foi bem legal porque aprendi um monte de coisas que eu não sabia, como preparar as carnes, tipos de corte, formas de temperar, uma receita de pão de alho que é espetacular, entre outras coisas.

Claro que o bonitão aqui teve que pagar o mico e acabei participando da brincadeira numa boa. Teve uma boa recompensa. Ganhamos um final de semana numa pousada.

O mais legal disso tudo não é o fato de aprender a fazer um churrasco mas ter um certificado de que aprendi a fazer e agora meus amigos, principalmente os que moram aqui no Rio Grande, a coisa vai ser mais criteriosa. Eu continuo não fazendo churrasco porque sempre haverá um gaúcho que gosta disso muito mais que eu, mas agora eu vou começar a avaliar os procedimentos e os resultados com muito mais embasamento que apenas o gustativo.

E pra quem duvida, ai está o certificado.


MAS QUE BARBARIDADE TCHÊ!