Dorinha acordou animada, estava
assobiando e dando risada.
Depois do café, resolvemos dar
uma volta pelas cidades de Gramado e Canela para começarmos a nos ambientar com
o povo local já que na casa estamos perfeitamente ambientados.
Bom primeiro ela quis ir acertar
as sobrancelhas, depois resolveu que queria passar nas lojinhas de R$ 1,99. Não
sei como elas estão por ai, mas por aqui os espertinhos colocaram o “a partir
de” antes do R$ 1,99 e pronto, resolveram o problema deles. Agora você não acha
mais nada por R$ 1,99, enfim ela queria passear.
Descobri que é bem complicado
achar um lugar para parar em Gramado, mesmo nos locais pagos e isso se dá não pelos
turistas, mas pelo povo local que vem à cidade de carro mesmo. Deve ser o
costume do inverno sei lá, sei que para estacionar o carro eu sempre tive que
ir para uma rua distante, esperar um tempo e dar uma volta para ver se a
Dorinha já estava esperando.
Foi numa dessas que eu recebi o
primeiro aviso do dia. Um cara que controla os estacionamentos pagos parou na
frente do meu carro e anotou a placa e saiu andando. Eu desci e fui perguntar
para ele o que estava acontecendo e ele me explicou que há uma tolerância de 10
minutos para estacionar sem pagar e que eu já havia passado do tempo e que na
próxima eu seria multado. Lá fui eu achar um lugar, quase em Canela, para parar
o carro enquanto a Dorinha passeava pelas lojas.
Depois de ela ter olhado e comprado
o que queria, fomos ver mais algumas coisas que ela queria ver e eu precisava
para a casa. Parei na PRO-LAR uma loja que tem de tudo e ela foi até um museu
de pedras que ela queria conhecer.
Eu comprei o que precisava e fui
busca-la e ai veio o presente.
Eu fiz um retorno porque precisava
voltar para pegar a Dorinha, logo que fiz o retorno uma blitz da Brigada
Militar me abordou pedindo que eu estacionasse o veículo. Parei e o guarda me
pediu a documentação, entreguei e fiquei com aquela cara de conteúdo tentando
entender o que tinha acontecido.
O senhor foi abordado porque o
senhor fez uma conversão proibida, me disse o guarda com aquela voz de gaúcho. Só faltou o Tchê no final. Eu olhei pelo retrovisor
e lá estava a placa, bonitinha, aquele “U” virado para baixo com uma tarja
vermelha no meio.
Olhei para o guarda e disse: É
agora estou vendo a placa. O senhor tem razão, fiz mesmo a coversão proibida, me desculpe.
Ele pegou os documentos e foi
para a viatura e voltou com uma multa para eu assinar e ainda disse, a
documentação está em ordem, é só a autuação pela conversão proibida. Eu assinei
a multa, peguei os documentos e sai. Fazer o que? PRESTAR MAIS ATENÇÃO, CABEÇA
DE PUDIM.
Cheguei até frente do Museu de
Pedras e na porta estava – Entrada R$ 10,00 – Liguei para a Dorinha e disse que
a esperaria no carro. Não estava disposto a pagar R$ 10,00 para ver pedras
ainda mais depois de ter levado a multa. Fiquei ali por quase uma hora,
pensando na vida, na conversão e na multa.
Quando ela chegou voltamos para
Canela e ela ainda queria ver mais algumas coisas na cidade mas antes fomos
procurar um lugar para almoçar.
Achamos um restaurante que se
dizia do norte – MARIA BONITA – fica numa galeria de Canela.
Querida, achei o que vamos comer, disse eu todo animado. Dorinha viu a placa a concordou.
Chegamos ao restaurante, todo
ambientado como casa do norte, sentamos à mesa e esperamos até sermos
atendidos.
Apareceu uma pessoa que me
pareceu a chefe do restaurante, perguntamos o sistema da casa, um Buffet livre
por R$ 16,90 com churrasco.
Achei estranho o “com churrasco”,
mas como estamos na terra do churrasco pensei que fosse uma adaptação.
Fiz o meu prato de salada e ai
fui procurar a carne seca, o escondidinho e as coisas do norte.
Cadê as coisas do norte? Perguntei para a senhora que estava no balcão.
Ela me respondeu com a maior cara
lavada: “Tem não”.
Como assim “Tem não” perguntei
não é uma casa do norte?
Pois é, disse ela, é que o povo
daqui não se acostumou direito com o tempero então tiramos tudo.
Falei tudo não, ficou o nome e a
decoração para frustrar quem entra aqui esperando comer alguma coisa diferente
do que arroz carreteiro, salada de batatas e churrasco. Não que eu não goste,
eu adoro esses pratos, mas eu estava “psicologicamente” preparado para uma
comidinha assim, diferenciada.
Bom depois da frustração veio o pedaço
de frango estragado. Quando eu mordi, senti um gosto diferente, cheirei e tive
certeza que aquela sobrecoxa só faria alegria para um urubu.
Levantei-me, fui até a
churrasqueira com o prato e pedi que o assador cheirasse o frango. E ele “Bah! Mas
que coisa tchê, isso é comida fresca. Me desculpe, vamos trocar o seu prato,
por favor”.
Voltei para a mesa. A essa altura
já não tinha mais fome e queria sair dali o quanto antes. Fomos ao caixa pagar
e quando eu contei o que havia acontecido desde o começo, com a frustração da
comida nordestina e do frango, a caixa que era a dona em olhou e eu pensei. “Vai
deixar barato o almoço” que nada, descontou a sobremesa que eu nem sabia que
não estava incluída no Buffet livre. Sabem quando eu volto lá? Nem que o
mundo acabe amanhã.
Fora isso a Dorinha ainda me fez pagar um segundo mico.
Mas teve troco, ah se teve.
Mas teve troco, ah se teve.
Feito isso, fomos procurar uma
podóloga, Anda pra cá e pra lá, pergunta aqui e ali e encontramos uma que parece entender há umas
três quadras de casa. Aqui tudo é perto e eu ainda não me acostumei a sair a
pé.
Deve ser porque a nossa casa fica de costas para o centro da cidade e só tem árvores em volta então a gente ainda pensa que está longe.
Deve ser porque a nossa casa fica de costas para o centro da cidade e só tem árvores em volta então a gente ainda pensa que está longe.
Quando nós chegamos em casa, a
chuva veio, finalmente, estávamos precisando de uma refrescada.
Espero nunca ver chuvas como as de São Paulo.
Mas o que não é grande naquela cidade, até a chuva é monstruosa.
Tenho a impressão que aquela cidade passou dos limites há muito tempo.
Espero nunca ver chuvas como as de São Paulo.
Mas o que não é grande naquela cidade, até a chuva é monstruosa.
Tenho a impressão que aquela cidade passou dos limites há muito tempo.
Tem dia que parece noite, nada original mas verdadeiro. Pelo menos vocês ficarão bonitinhos de cacto (tinha um cacto o que você está reclamando).
ResponderExcluirMSD
É verdade, um cacto.
ExcluirObrigado pela observação.
De nada, sempre às ordens.
ExcluirMDS