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sexta-feira, 22 de março de 2013

A maratona da busca pela casa



Para os que achavam, assim como eu, que a vida estava dando uma acalmada, informo que a chapa ainda está quente.

Um rápido retrospecto:

Primeiro foi a aventura da mudança de São Paulo para Canela. Trazer tudo o que trouxemos, foi como colocar São Paulo dentro de Guarulhos ou Porto Alegre dentro de Canoas.

Depois a arrumação da casa, a revolta das caixas. Eu ainda não me esqueci delas se rebelando contra nós. Hoje ainda tiramos uma que insistia em ficar escondida dentro de um dos quartos.

Tivemos que superar a sensação dos três porquinhos. Nós sempre moramos em casa de alvenaria e pela primeira vez estamos morando em uma casa de madeira então durante algum tempo tivemos a sensação de que a qualquer momento o lobo mal, assopraria e tudo sairia voando.

Ai tivemos as mudanças de endereço, a transferência do carro, sim digo do carro porque só conseguimos trazer um, o Chevette ainda não deu certo. São Paulo está enrolando para mandar uma cópia de uma vistoria.

Algumas tentativas frustradas de arrumar alguma coisa pra fazer “fora de casa” porque aqui dentro tem serviço para uns três de mim.

Junto com isso os altos e baixos da polaridade que habita em nossa casa e claro algumas crises do tipo: “O que é mesmo que tínhamos na cabeça quando decidimos isso de virmos para cá?”.

Tanto os altos e baixos como as crises fazem parte do nosso aperfeiçoamento como seres humanos e colaboram para o aperfeiçoamento do nosso relacionamento. Estamos indo bem, ainda nem tentamos nos matar.

PAROU TUDO.

Assim tá parecendo um relatório de lamentação. O que o pessoal vai pensar cara? Que você tá num "infeuno"?

Você tá maluco?

Diz pra eles que vocês estão bem, que passam os dias rindo ou um para o outro ou um do outro, normalmente ela de você.

Fala que é uma delicia sentar na varanda no final do dia e brigar com a Cylla porque ela insiste em pisar nas flores que estão no jardim e que você adora limpar as patas dela sujas de terra antes dela entrar em casa.

Diz que vocês adoram  ficar no escritório vendo TV ou um filme que ela tenha baixado.

Seu cabeça de pudim.

Fala que as coisas boas e ruins que acontecem, ajudam a vocês a se aprimoraram como pessoas e que tudo isso fortalece o amor de vocês. Parece que não sei!

Depois você fica reclamando quando ela pega no seu pé e fala que você marcou toca. Tenha santa paciência meu.

Bom,  deixando isso para traz, vamos ao que motiva esse texto, a MARATONA DA NOVA CASA.

Depois de termos vendido a nossa casa em São Paulo, estamos à procura de um imóvel para comprarmos aqui em Canela.

Claro que a primeira tentativa é a casa que moramos, afinal gostamos dela e estamos instalados, mas estamos começando a perder as esperanças já que não temos qualquer resposta da proposta feita e o jeito é irmos para o mercado buscar a nossa.

Bom, lembrando que Canela é uma cidade com pouco mais de quarenta mil habitantes, quando um deles diz para alguém que está interessado em comprar uma casa é a mesma coisa que caminhão do Faustão, todo mundo quer participar.

Estamos sendo assediados pelos corretores de imóveis e pessoas que conheci em algum momento na cidade, mas que “tem um amigo que tem uma casa pra vender”, está divertido.

Há bem da verdade, ainda não apareceu nada que realmente nos tenha feito brilhar os olhos, isso sem falar nos valores que o pessoal pede.

O povo acha que porque você veio de fora, está aposentado, está com o burro na sombra e se acha no direito de tentar arrumar a vida em cima de mim.

Entendo que pedir é da vida, mas querer colocar o preço dos imóveis equiparados com São Paulo é coisa de louco, como dizem por aqui: “Tá todo mundo fora da casinha”, e quando reparam que você chega num carro grande, o preço “tomaticamente” sobe, mas essas é outra história que qualquer hora eu conto, a história da Cherokee 1.3.

Estamos há pelo menos 10 dias olhando imóveis e conversando com os corretores e poucas vezes nos sentimos realmente confortáveis com isso.

Ontem vimos uma que foi a mais próxima do que pensamos e do que podemos pagar, mas mesmo assim ainda tinham algumas coisas para fazer.

Estávamos começando a ficarmos muito, muito frustrados e desanimados mesmo, a ponto da Dorinha me dizer que não sairia mais para ver casa. Que eu visse e se eu achasse legal então a levasse.

A coisa estava ficando tão complicada e confusa que hoje pela manhã ao conversamos sobre a casa vista ontem, decidimos que não queríamos morar lá.

Então pedimos para a Nossa Senhora tomar conta da bagunça que estamos fazendo e colocar as coisas nos eixos (para nós funciona e não posso fazer nada para quem não acredita, como dizem este é um dos mistérios da fé), feita a ressalva voltemos para ver o que Ela arrumou para nós.

Hoje, nós estávamos andando de carro, voltando de um desses lugares, quando resolvemos entrar numa empresa que faz projetos e fabrica casas. Já havíamos passado por ali um incontabilhão de vezes e nunca havíamos reparado no lugar.

Fomos entrando, olhando o show room e nos apaixonando pela casa que estava montada ali. Atenderam-nos com muita calma, explicamos o que pretendíamos e descobrimos que se ao invés de procurarmos uma casa procurarmos um terreno, que não precisa ser muito grande, (o pessoal aqui tem mania de ter um pátio enorme. Não sei pra que só se for para ficar pagando cortador de mato) poderemos ter exatamente o que queremos em termos de casa e de distribuição de espaço.

Saímos de lá com uma agradável sensação de que é possível realizarmos o nosso sonho, como queremos.

Depois disso, deixei a Dorinha para arrumar o cabelo e fui até um leiloeiro que tem aqui em Canela e conversando com o pessoal de lá descobri que, se tivermos paciência, poderemos ter um terreno aonde queremos por um bom preço.

É pessoal, como eu disse para mim Nossa Senhora funciona. Ela sempre me ajuda quando a coisa realmente aperta.

Agora vamos esperar para ver o que acontece.

Uma que eu estava esquecendo-me de contar para vocês.

Convidaram-me para participar de um comitê político aqui em Canela. Nem eu acreditei no começo, mas encarei.

Por enquanto eu estou indo às reuniões, dando alguns palpites e aprendendo muito sobre a cidade e seus costumes. É muito interessante conversar com as pessoas sem o calor da causa e passar um ponto de vista diferente sobre o mesmo assunto e quem me conhece sabe que eu adoro isso. Nem sempre estou certo, mas eu adoro olhar as mesmas coisas de um ângulo diferente.

Vamos ver o que acontece e não se animem porque não serei candidato a nada e não vai ter mamata para ninguém.

É isso pessoal, a vida aqui é muito boa. Está valendo à pena o que tem acontecido. O saldo é bem positivo.

Bom final de semana.

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