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domingo, 10 de fevereiro de 2013

O primeiro Carnaval em Canela.


Não sei o que aconteceu com vocês, mas aqui em casa nós pulamos o carnaval.

Entramos em casa na sexta-feira e deveremos sair somente na quarta-feira de cinzas, depois do almoço.

Só sai ontem porque o pessoal do jardim veio plantar as flores e tivemos que comprar umas coisas que faltavam, tipo terra e "titica de galinha". O jardim está ficando legal. Agora é cortar a grama, que deve ser na segunda e instalar as lâmpadas que eu não sei quando vou fazer.

Canela é divertida, se tem carnaval a gente não sabe aonde é porque ninguém fala nada, ninguém passa com fantasia pela rua e as únicas mudanças da rotina foram o vizinho da frente ter recebido uns amigos e o do lado ter feito um churrasco hoje, no mais absolutamente nada mudou.

A televisão aqui, principalmente a aberta só pega um canal, quer dizer pega o mesmo canal umas três vezes no mesmo lugar então é complicado assistir alguma coisa. Eu ainda não sei o porquê da Globo/RBS não liberam o sinal para que as empresas de TV por assinatura possam transmitir o sinal, o resultado é que não vejo essas emissoras há três meses e interessante, não tem feito falta. Já pensou se a moda pega?

As outras redes liberam o sinal. A Gazeta não pega porque além dela não ser uma rede o pessoal de lá acha que não é importante estar com o sinal nas operadoras. Só São Paulo basta porque é de graça e deve bastar mesmo para quem aposta no varejo e em clientes por vezes duvidosos como estratégia de negócio, bom isso agora é problema deles.

Voltando a TV aberta, ontem tentei sintonizar a RBS de Caxias do Sul que é a emissora que cobre a região.

Colocamos a antena interna em várias posições, pensei em consultar o Kama Sutra (adoro o Google) para achar a melhor posição e nada. Ah, vamos colocar um pedaço de Bombril na antena, quem sabe melhora, mas de nada adiantou. A TV da sala definitivamente não pega a RBS e nenhuma que não seja o cabo.

O aparelho do escritório sintonizou a RBS razoavelmente, então vamos lá. Quem sabe depois do Globo Repórter comece a passar o carnaval de São Paulo.

Termina do Globo Repórter e o que entra no ar é o carnaval de Rua de Porto Alegre, nada mais justo, afinal não estou mais em São Paulo e que me desculpem os amigos gaúchos, mas o carnaval daqui está igual ao que era São Paulo há uns quinze anos atrás. Duro de ver. O resultado foi ver mais um filme repetido da TNT até que o sono chegasse.


O programa de índio na tarde de sábado.

O Wagner nos convidou para irmos até o sitio do sogro no interior de Canela. Imaginem, Canela já é uma cidade do interior, como não deve ser o interior de Canela?

A curiosidade me fez aceitar de cara, Dorinha que é muito mais ajuizada que eu disse que não iria, a dor de cabeça ainda estava forte.

Lá fomos nós para o sitio, eu fui com o meu carro porque não caberíamos todos no dele e se a Dora precisasse de mim eu poderia voltar. Levei os garotos comigo, só o João e o Duda.

Eu preciso prestar mais atenção no que a Dora sinaliza com o "acho que eu não vou". Eu deveria ter ficado em casa.

Começou que antes de ir, passamos no centro da cidade porque alguém tinha que pagar uma conta, depois disso passamos na casa de outra pessoa para ver se fulano quer ir, e tudo isso eu seguindo um Palio, com dois moleques dentro do carro.

Bom, então vamos para o sitio?

Os primeiros três quilômetros até que foram tranquilos, parte estrada pavimentada, parte em  chão batido de boa qualidade.

O complicado foram os nove seguintes, morro abaixo, um monte de buraco e pedra. Foi um tal  balança caixão, balança você por nove quilômetros.

Chegamos ao sitio.

Chegamos ? Cadê?

É aqui.

Onde?

Aqui à direita.

Mas aqui não tem nada, só uma casa caindo aos pedaços, um monte de tranqueira e um rio.

Então, é aqui o sítio.

Ah, o rio deve ser legal, vou lá ver.

Um córrego na verdade e o que ele mais tinha era borrachudo.

Eu pensando na volta, peguei o telefone para simular uma ligação da Dora e me mandar.

Doce ilusão. Cadê o sinal, nem da Oi nem da Vivo. Nada vive lá a não ser os colonos da região, o mato e os borrachudos.

Quando alguém falou - "vamos embora?" - eu pulei para dentro do carro e fiquei esperando os garotos.

A volta foram os doze quilômetros morro acima no “balança caixão, balança você”.

Foi ou não foi o programa de índio do semestre.

Isso foi no sábado de carnaval.


Domingo o dia amanheceu com chuva e ai meu amigo, a cama cria tentáculos que prendem a gente e não largam você até que a sua bexiga ameace explodir, ou sua cachorra encoste o focinho gelado na sua cara numa tentativa desesperada de te acordar para que você abra a porta para ela.

Dorinha estava num sono gostoso. Ela passou os últimos três dias com aquela dor de cabeça que a pega de vez em quando então quando eu a vi dormindo sossegada achei melhor deixar.

Levei a Cylla para o passeio matinal, enxuguei as patas dela e o pelo que estava meio molhado, aproveitei para aliviar a minha bexiga também e voltamos para o quarto.

O relógio da sala marcava a última das dez badaladas, preguicosamente como a manhã.

Deitei na cama de volta, Dorinha se aconchegou em meus braços e foi a última coisa que eu lembro antes de olhar novamente para o relógio e ver marcado doze horas e trinta e três minutos, que delícia.
Havia parado de chover e o sol ameaça a sair, mas ficou só na vontade. Hoje ele só passou rapidamente e se mandou.

Tomamos café, as churrasqueiras da vizinhança já estavam a pleno vapor e a do nosso vizinho, aquele que faz questão de não cumprimentar, fica pertinho do escritório e quando ele ascende, a fumaça vem direto para o escritório então a gente tem que fechar a porta. Ainda bem que ele não faz isso todos os domingos.

Conversamos um pouco, Dorinha pegou o seu computador para ver se os filmes haviam chegado e eu, olhando os emails ouvindo uma seleção de músicas de raiz. Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico, Almir Sater, Rolando Boldrin, Inezita Barroso entre outros.

A música mais o aroma do churrasco acabaram despertando a vontade de ir para a cozinha, e lá fui eu.

Eram umas duas e meia da tarde, nós não estávamos com fome então não havia pressa em fazer a comida.

Abri a geladeira e peguei o que eu tinha deixado para descongelar. Um pacote com carne e duas coxas e duas sobrecoxas de frango num pote plástico.

A carne foi para tirar uma dúvida que surgiu ontem quando descongelei outra porção do mesmo lote. A dúvida virou certeza e foi tudo para o lixo. Aproximadamente setenta reais em carne para o lixo.

Nunca mais compro carne naquele supermercado. De agora em diante só no mercadinho aqui perto de casa.

Voltando ao frango pensei: O que eu vou fazer com isso? Foi ai que veio o “chamado”, da panela de ferro que estava ao lado.

Atenção que receita está ai no meio.

Peguei as peças de frango e temperei-as com azeite, sal, pimenta e um pouco de vinagre balsâmico e reservei. Ai piquei duas cebolas médias e dois dentes de alho. Enquanto isso a panela estava sendo aquecida com uma generosa porção de azeite.

Joguei a cebola e o alho na panela para um refogado e em seguida as peças de frango. Quando elas estavam fritas por fora, joguei um copo de água para que elas cozinhassem.

Quando elas estavam quase prontas, juntei uma xícara de arroz sete grãos e três de água. Uma provadinha no sabor que pediu uma correção de sal e fogo alto até levantar fervura, depois fogo baixo, com muita calma.

Para acompanhar o prato e principalmente o dia, pediam um vinho. Fui até a adega na sala e peguei uma garrafa de Chiante 2008 e vamos esperar o cozimento.

Depois de quarenta e cinco minutos e três quartos da garrafa a comida ficou pronta. Eram quase quatro da tarde quando sentamos para comer.

Não sei se foi o tempo, o vinho, a fome ou a junção de tudo isso, mas eu achei muito gostoso. 

Foi uma experiência interessante de sabor que começa com o delicado do arroz integral, passava pelo toque de vinagre balsâmico e no final a pimenta aparecida. Tudo sem qualquer agressão destaque maior que os demais. Saiu exatamente como eu havia imaginado.

Depois desse laudo almoço sobrou ir para a rede pensar na vida. Tá bom. Devo ter pensado uns trinta segundos antes de dormir por quase hora e meia.

E a louça? Dorinha minha amada e insubstituível esposa arrumou a cozinha. Eu amo essa mulher.

Agora estamos aqui no escritório com o domingo de carnaval quase terminando, a Cylla pedindo para ir lá fora outra vez, sem nada de interessante na TV, ouvindo a Scalla FM vocal pela infernet. Quem está na faixa dos cinquenta e cinco anos e gosta de uma seleção tranquila de músicas sintonize essa emissora. Ela só existe na infernet,    http://scallafm.com.br/aovivo/vocal/ você vai gostar.

Bom carnaval para quem gosta de pular carnaval, seja como for o seu “pular o carnaval”.

2 comentários:

  1. Carnaval é estado de espírito! Você pode estar em casa e se sentir na folia, ou pode estar no meio do salão e perceber que não é a "sua praia"... Pelo menos são alguns dias para recuperar o fôlego, já que agora o ano realmente vai começar!!! Beijos.

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  2. Quando fui para o Sul (gramado, Canela) também era carnaval e tive a mesma sensação que vc, vc não vê nada de carnaval, só vi uma menininha atravessando a rua vestida de bailaina, se ela não estava indo para o balé, estava fantasiada, só isso, mais nada. Nos aqui fomos para um sítio, só percebíamos que era carnaval por causa da TV. bjsss. Alê.

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