Não sei o que aconteceu com
vocês, mas aqui em casa nós pulamos o carnaval.
Entramos em casa na sexta-feira e
deveremos sair somente na quarta-feira de cinzas, depois do almoço.
Só sai
ontem porque o pessoal do jardim veio plantar as flores e tivemos que comprar
umas coisas que faltavam, tipo terra e "titica de galinha". O
jardim está ficando legal. Agora é cortar a grama, que deve ser na segunda e
instalar as lâmpadas que eu não sei quando vou fazer.
Canela é divertida, se tem
carnaval a gente não sabe aonde é porque ninguém fala nada, ninguém passa com
fantasia pela rua e as únicas mudanças da rotina foram o vizinho da frente ter
recebido uns amigos e o do lado ter feito um churrasco hoje, no mais
absolutamente nada mudou.
A televisão aqui, principalmente
a aberta só pega um canal, quer dizer pega o mesmo canal umas três vezes no
mesmo lugar então é complicado assistir alguma coisa. Eu ainda não sei o porquê
da Globo/RBS não liberam o sinal para que as empresas de TV por assinatura
possam transmitir o sinal, o resultado é que não vejo essas emissoras há três
meses e interessante, não tem feito falta. Já pensou se a moda pega?
As outras redes liberam o sinal.
A Gazeta não pega porque além dela não ser uma rede o pessoal de lá acha que
não é importante estar com o sinal nas operadoras. Só São Paulo basta porque é
de graça e deve bastar mesmo para quem aposta no varejo e em clientes por vezes
duvidosos como estratégia de negócio, bom isso agora é problema deles.
Voltando a TV aberta, ontem
tentei sintonizar a RBS de Caxias do Sul que é a emissora que cobre a região.
Colocamos a antena interna em
várias posições, pensei em consultar o Kama Sutra (adoro o Google) para achar a
melhor posição e nada. Ah, vamos colocar um pedaço de Bombril na antena, quem
sabe melhora, mas de nada adiantou. A TV da sala definitivamente não pega a RBS
e nenhuma que não seja o cabo.
O aparelho do escritório
sintonizou a RBS razoavelmente, então vamos lá. Quem sabe depois do Globo
Repórter comece a passar o carnaval de São Paulo.
Termina do Globo Repórter e o que
entra no ar é o carnaval de Rua de Porto Alegre, nada mais justo, afinal não
estou mais em São Paulo e que me desculpem os amigos gaúchos, mas o carnaval
daqui está igual ao que era São Paulo há uns quinze anos atrás. Duro de ver. O
resultado foi ver mais um filme repetido da TNT até que o sono chegasse.
O programa de índio na tarde de sábado.
O Wagner nos convidou para irmos até o sitio do sogro
no interior de Canela. Imaginem, Canela já é uma cidade do interior, como não
deve ser o interior de Canela?
A curiosidade me fez aceitar de cara, Dorinha que é
muito mais ajuizada que eu disse que não iria, a dor de cabeça ainda estava
forte.
Lá fomos nós para o sitio, eu fui com o meu carro
porque não caberíamos todos no dele e se a Dora precisasse de mim eu poderia
voltar. Levei os garotos comigo, só o João e o Duda.
Eu preciso prestar mais atenção no que a Dora sinaliza
com o "acho que eu não vou". Eu deveria ter ficado em casa.
Começou que antes de ir, passamos no centro da cidade
porque alguém tinha que pagar uma conta, depois disso passamos na casa de outra
pessoa para ver se fulano quer ir, e tudo isso eu seguindo um Palio, com dois
moleques dentro do carro.
Bom, então vamos para o sitio?
Os primeiros três quilômetros até que foram
tranquilos, parte estrada pavimentada, parte em chão batido de boa qualidade.
O complicado foram os nove seguintes, morro abaixo, um
monte de buraco e pedra. Foi um tal balança caixão, balança você por nove
quilômetros.
Chegamos ao sitio.
Chegamos ? Cadê?
É aqui.
Onde?
Aqui à direita.
Mas aqui não tem nada, só uma casa caindo aos pedaços,
um monte de tranqueira e um rio.
Então, é aqui o sítio.
Ah, o rio deve ser legal, vou lá ver.
Um córrego na verdade e o que ele mais tinha era
borrachudo.
Eu pensando na volta, peguei o telefone para simular
uma ligação da Dora e me mandar.
Doce ilusão. Cadê o sinal, nem da Oi nem da Vivo. Nada
vive lá a não ser os colonos da região, o mato e os borrachudos.
Quando alguém falou - "vamos embora?" - eu
pulei para dentro do carro e fiquei esperando os garotos.
A volta foram os doze quilômetros morro acima no “balança
caixão, balança você”.
Foi ou não foi o programa de índio do semestre.
Isso foi no sábado de carnaval.
Domingo o dia amanheceu com chuva
e ai meu amigo, a cama cria tentáculos que prendem a gente e não largam você
até que a sua bexiga ameace explodir, ou sua cachorra encoste o focinho gelado
na sua cara numa tentativa desesperada de te acordar para que você abra a porta
para ela.
Dorinha estava num sono gostoso.
Ela passou os últimos três dias com aquela dor de cabeça que a pega de vez em
quando então quando eu a vi dormindo sossegada achei melhor deixar.
Levei a Cylla para o passeio
matinal, enxuguei as patas dela e o pelo que estava meio molhado, aproveitei
para aliviar a minha bexiga também e voltamos para o quarto.
O relógio da sala marcava a
última das dez badaladas, preguicosamente como a manhã.
Deitei na cama de volta, Dorinha
se aconchegou em meus braços e foi a última coisa que eu lembro antes de olhar
novamente para o relógio e ver marcado doze horas e trinta e três minutos, que
delícia.
Havia parado de chover e o sol
ameaça a sair, mas ficou só na vontade. Hoje ele só passou rapidamente e se
mandou.
Tomamos café, as churrasqueiras
da vizinhança já estavam a pleno vapor e a do nosso vizinho, aquele que faz
questão de não cumprimentar, fica pertinho do escritório e quando ele ascende,
a fumaça vem direto para o escritório então a gente tem que fechar a porta.
Ainda bem que ele não faz isso todos os domingos.
Conversamos um pouco, Dorinha
pegou o seu computador para ver se os filmes haviam chegado e eu, olhando os
emails ouvindo uma seleção de músicas de raiz. Tonico e Tinoco, Milionário e
José Rico, Almir Sater, Rolando Boldrin, Inezita Barroso entre outros.
A música mais o aroma do churrasco
acabaram despertando a vontade de ir para a cozinha, e lá fui eu.
Eram umas
duas e meia da tarde, nós não estávamos com fome então não havia pressa em
fazer a comida.
Abri a geladeira e peguei o que
eu tinha deixado para descongelar. Um pacote com carne e duas coxas e duas
sobrecoxas de frango num pote plástico.
A carne foi para tirar uma dúvida
que surgiu ontem quando descongelei outra porção do mesmo lote. A dúvida virou
certeza e foi tudo para o lixo. Aproximadamente setenta reais em carne para o
lixo.
Nunca mais compro carne naquele supermercado. De agora em diante só no
mercadinho aqui perto de casa.
Voltando ao frango pensei: O que
eu vou fazer com isso? Foi ai que veio o “chamado”, da panela de ferro que
estava ao lado.
Atenção que receita está ai no meio.
Peguei as peças de frango e
temperei-as com azeite, sal, pimenta e um pouco de vinagre balsâmico e
reservei. Ai piquei duas cebolas médias e dois dentes de alho. Enquanto isso a
panela estava sendo aquecida com uma generosa porção de azeite.
Joguei a cebola e o alho na
panela para um refogado e em seguida as peças de frango. Quando elas estavam
fritas por fora, joguei um copo de água para que elas cozinhassem.
Quando elas estavam quase
prontas, juntei uma xícara de arroz sete grãos e três de água. Uma provadinha
no sabor que pediu uma correção de sal e fogo alto até levantar fervura, depois
fogo baixo, com muita calma.
Depois de quarenta e cinco
minutos e três quartos da garrafa a comida ficou pronta. Eram quase quatro da
tarde quando sentamos para comer.
Não sei se foi o tempo, o vinho,
a fome ou a junção de tudo isso, mas eu achei muito gostoso.
Foi uma experiência interessante
de sabor que começa com o delicado do arroz integral, passava pelo toque de
vinagre balsâmico e no final a pimenta aparecida. Tudo sem qualquer agressão
destaque maior que os demais. Saiu exatamente como eu havia imaginado.
Depois desse laudo almoço sobrou
ir para a rede pensar na vida. Tá bom. Devo ter pensado uns trinta segundos
antes de dormir por quase hora e meia.
Agora estamos aqui no escritório com
o domingo de carnaval quase terminando, a Cylla pedindo para ir lá fora outra
vez, sem nada de interessante na TV, ouvindo a Scalla FM vocal pela infernet.
Quem está na faixa dos cinquenta e cinco anos e gosta de uma seleção tranquila
de músicas sintonize essa emissora. Ela só existe na infernet, http://scallafm.com.br/aovivo/vocal/
você vai gostar.
Bom carnaval para quem gosta de
pular carnaval, seja como for o seu “pular o carnaval”.
Carnaval é estado de espírito! Você pode estar em casa e se sentir na folia, ou pode estar no meio do salão e perceber que não é a "sua praia"... Pelo menos são alguns dias para recuperar o fôlego, já que agora o ano realmente vai começar!!! Beijos.
ResponderExcluirQuando fui para o Sul (gramado, Canela) também era carnaval e tive a mesma sensação que vc, vc não vê nada de carnaval, só vi uma menininha atravessando a rua vestida de bailaina, se ela não estava indo para o balé, estava fantasiada, só isso, mais nada. Nos aqui fomos para um sítio, só percebíamos que era carnaval por causa da TV. bjsss. Alê.
ResponderExcluir