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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Até aonde iremos com isso?



Quando eu morava em São Paulo, eu já sentia a presença maligna do efeito da “mídia sangrenta para dar audiência”.

É aquela coisa que a gente não percebe, mas que no fundo gosta. A de saber que sempre tem alguém em pior situação ou que está sofrendo mais que a gente. Parece que é uma coisa para nos confortar, não sei direito.

Eu assumo a minha parcela, pois hoje, ao ler os jornais dos grandes centros, ver os telejornais na TV, agradeço por ter saído desses centros, então não sou diferente dos demais.

O que tem me impressionado é como está difícil a gente achar uma boa notícia hoje em dia. Será que elas estão deixando de acontecer ou será que é mesmo o efeito do “desgraça vende mais”?

Hoje, 24 de mais de 2013, abrindo o site do G1 o que tem desgraça na primeira página, é qualquer coisa de impressionar.

Mortes, incêndios, estupros, Renan na presidência, bolsas em queda e mais uma série de coisas que só servem para nos levar cada vez mais para baixo, diminuindo cada vez mais a nossa autoestima o que acabará levando os menos favorecidos a terem maior desrespeito pela condição humana, que acabará levando a mais barbáries que diminuirá ainda mais a autoestima, que levará a mais barbáries até que não haja mais uma pessoa que se importe com o descaso e o desrespeito pela pessoa.

Uma vez passeando pela Av. Paulista, fui abordado por um militante do Greenpeace sobre um abaixo assinado para salvarmos o planeta.

Naquela época, eu olhei para o militante e disse:

Olhe à sua volta. Veja essa quantidade de pessoas e prédios.

Você acha mesmo que isso que este animal chamado homem está fazendo está correto?

E você acha mesmo que ele tem capacidade de acabar com o planeta?

Lamento informar que ele, o homem, por mais inteligente que possa ser ainda não conseguiu ver que o que ele faz com ele e com o planeta só o levará à sua própria extinção. O planeta vai sobreviver, quem não vai sobreviver é o homem.

E é o mesmo conceito do “desgraça vende”, o de acharmos que o problema está sempre com o outro e que nós nunca somos responsáveis.

A mídia é sim responsável por objetivar somente seus lucros e sua fatia de mercado. Meus amigos, vocês estão matando quem os sustenta.

Num país como o nosso em que por interesses maiores, a população não tem acesso à educação de qualidade, a mídia de massa acabou sendo a grande disseminadora da informação e cada vez que ela se preocupa em divulgar com o maior destaque possível as desgraças ela torna seu consumidor cada vez mais irracional e com menor valor social.

Já que, infelizmente, a educação não pode vir do berço caberá às mídias de grande massa este papel, gostem elas ou não.

E aos senhores jornalistas que se apoiam na máxima “o povo tem direito à verdade” com a qual concordo, sejam um pouco mais críticos e inteligentes na hora de divulgarem essa verdade. Tratem com carinho e respeito seus leitores.

Ela deve ser divulgada sim e sempre, o que eu creio que ela não precise é ter destaque maior que uma boa ação. Sejam ponderados, mantenham o bom senso e vocês formarão gerações cada vez melhores como pessoas e como consumidores.

Hoje eu vivo numa cidade de quarenta mil habitantes aproximadamente. É claro que as desgraças também acontecem aqui, mas ainda sinto nas pessoas, que se cumprimentam pelo nome, a vontade de fazer o melhor para todos. A individualidade ainda não impera aqui na região.

Aqui ainda podemos viver com certo grau de tranquilidade e felicidade e quando olho as notícias dos grandes centros, me pergunto quanto tempo ainda teremos dessa tranquilidade e felicidade, quanto tempo?

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