Quando eu morava em São Paulo, eu
já sentia a presença maligna do efeito da “mídia sangrenta para dar audiência”.
É aquela coisa que a gente não
percebe, mas que no fundo gosta. A de saber que sempre tem alguém em pior
situação ou que está sofrendo mais que a gente. Parece que é uma coisa para nos
confortar, não sei direito.
Eu assumo a minha parcela, pois
hoje, ao ler os jornais dos grandes centros, ver os telejornais na TV, agradeço
por ter saído desses centros, então não sou diferente dos demais.
O que tem me impressionado é como
está difícil a gente achar uma boa notícia hoje em dia. Será que elas estão
deixando de acontecer ou será que é mesmo o efeito do “desgraça vende mais”?
Hoje, 24 de mais de 2013, abrindo
o site do G1 o que tem desgraça na primeira página, é qualquer coisa de
impressionar.
Mortes, incêndios, estupros,
Renan na presidência, bolsas em queda e mais uma série de coisas que só servem
para nos levar cada vez mais para baixo, diminuindo cada vez mais a nossa autoestima
o que acabará levando os menos favorecidos a terem maior desrespeito pela
condição humana, que acabará levando a mais barbáries que diminuirá ainda mais
a autoestima, que levará a mais barbáries até que não haja mais uma pessoa que
se importe com o descaso e o desrespeito pela pessoa.
Uma vez passeando pela Av.
Paulista, fui abordado por um militante do Greenpeace sobre um abaixo assinado
para salvarmos o planeta.
Naquela época, eu olhei para o
militante e disse:
Olhe à sua volta. Veja essa
quantidade de pessoas e prédios.
Você acha mesmo que isso que este
animal chamado homem está fazendo está correto?
E você acha mesmo que ele tem
capacidade de acabar com o planeta?
Lamento informar que ele, o
homem, por mais inteligente que possa ser ainda não conseguiu ver que o que ele
faz com ele e com o planeta só o levará à sua própria extinção. O planeta vai
sobreviver, quem não vai sobreviver é o homem.
E é o mesmo conceito do “desgraça
vende”, o de acharmos que o problema está sempre com o outro e que nós nunca
somos responsáveis.
A mídia é sim responsável por
objetivar somente seus lucros e sua fatia de mercado. Meus amigos, vocês estão
matando quem os sustenta.
Num país como o nosso em que por
interesses maiores, a população não tem acesso à educação de qualidade, a mídia
de massa acabou sendo a grande disseminadora da informação e cada vez que ela
se preocupa em divulgar com o maior destaque possível as desgraças ela torna
seu consumidor cada vez mais irracional e com menor valor social.
Já que, infelizmente, a educação
não pode vir do berço caberá às mídias de grande massa este papel, gostem elas
ou não.
E aos senhores jornalistas que se
apoiam na máxima “o povo tem direito à verdade” com a qual concordo, sejam um
pouco mais críticos e inteligentes na hora de divulgarem essa verdade. Tratem com carinho e respeito seus leitores.
Ela deve ser divulgada sim e
sempre, o que eu creio que ela não precise é ter destaque maior que uma boa
ação. Sejam ponderados, mantenham o bom senso e vocês formarão gerações cada
vez melhores como pessoas e como consumidores.
Hoje eu vivo numa cidade de
quarenta mil habitantes aproximadamente. É claro que as desgraças também
acontecem aqui, mas ainda sinto nas pessoas, que se cumprimentam pelo nome, a
vontade de fazer o melhor para todos. A individualidade ainda não impera aqui
na região.
Aqui ainda podemos viver com certo
grau de tranquilidade e felicidade e quando olho as notícias dos grandes centros,
me pergunto quanto tempo ainda teremos dessa tranquilidade e felicidade, quanto
tempo?
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