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quarta-feira, 8 de maio de 2013

E o frio de Canela se apresentou para nós



Esta foi a noite mais fria desde que mudamos para Canela.

Como havia sido previsto pelos institutos de clima e tempo, os caras abriram as portas do frízer, mudaram o polo sul para o alto da serra. Foi nervosa a noite, para quem teve que enfrenta-la.

Começou com o dia em que a temperatura passou, em poucos momentos, dos dois dígitos. Nosso fogãozinho à lenha passou o dia azulando a chapa.

Eram oito e meia da noite quando fui pela última vez na varanda, levar a Cylla para as necessidades dela e olhei o termômetro que marca exatos oito graus.

Dentro de casa a temperatura estava bem mais agradável, na casa dos 18 graus. Precisávamos andar de agasalho, mas nada assim muito pesado.

Eu sei que eram nove e meia da noite e eu tratei de me enfiar debaixo das cobertas. E claro eu debaixo do cobertor quentinho não deu outra. Foi só engatar marcha pra frente e acelerar no ronco. Dorinha ainda ficou um pouco mais tempo acordada, mas eu entreguei-me aos deleites de Morfeu.

Claro que indo dormir cedo, você acorda cedo. Questão de lógica.
Erma quatro e meia da manhã quando o aviso de “você precisa ir ao banheiro”, aconteceu e ai, não tem jeito porque esse aviso é a última linha de defesa, a bexiga já está do tamanho de uma melancia e a gente é obrigado a levantar.

Quando eu coloquei os pés pra fora da cama, senti a temperatura. Parecia que eu tinha colocado os pés num balde de água gelada.

Tratei de pegar o roupão e fui ao banheiro. Na volta ainda tive tempo para olhar o termômetro que temos no corredor. O danado marcava onze graus.

Voltei para a cama que ainda estava quentinha e me cobri de ficar só os olhos pra fora e pronto, já estava novamente me preparando para o concerto em ré maior.

Acordei por volta das seis e meia completamente sem sono, porque será?

Rola daqui, rola dali e criei coragem para levantar. Agasalhei-me e fui olhar o termômetro. Ele ainda continuava nos onze graus. Não, ele não está quebrado porque agora ele marca 18 graus e claro que eu o coloquei na geladeira para ver se ele abaixava.

Minha curiosidade estava em ver o tempo lá fora.

Olhando pela claraboia que temos na sala, o dia parecia bonito, com céu azul e o sol dando as caras.
Sai e fui direto ao termômetro que temos na entrada da casa. Ele marca quatro graus. Isso mesmo, quatro graus de temperatura. Estava mais frio que dentro da geladeira.

Quando eu olhei para o telhado da casa em frente, ele estava branco. Havia geado levemente, mas dava para ver o branco. Infelizmente não tem foto porque quando eu voltei para pegar a máquina, o sol bateu no telhado e lá se foi a geada embora.

É um barato olhar para as casas e vê-las todas com as chaminés funcionando. Aquele cheiro típico de lenha que fica no ar frio da manhã é uma delícia.

E tudo isso me deu vontade de ascender o nosso fogão.

QUE BAILE QUE EU TOMEI DELE.  Acho que o cara não estava afim ou sei lá o que, sei que quando eu consegui fazê pegar fogo, já estava na hora de eu sair, isso sem contar no susto que eu levei. Imaginem. Cara malandro da cidade tipo urbano esperto achou de jogar um pouco de álcool para ajudar a pegar fogo.

Lembrem-se que sou urbano esperto, o fogo estava apagado. A festa foi quando joguei o fósforo que mesmo à distância, fez um barulhão doido, subiu labareda por cima do fogão, saiu fogo pela porta, até a tampa de limpeza da chaminé ele arrancou, mas foi só susto mesmo.

Dorinha que acordou com o barulho veio ver o que havia acontecido e segundo ela, eu estava com aquela cara de cachorro quando faz arte e depois de tudo contado rimos um monte, ela voltou para a cama e eu larguei de mão o fogão porque tinha que sair.

É isso pessoal, esse foi o nosso primeiro dia de frio aqui em Canela.

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