Esta foi a noite mais fria desde
que mudamos para Canela.
Como havia sido previsto pelos
institutos de clima e tempo, os caras abriram as portas do frízer, mudaram o
polo sul para o alto da serra. Foi nervosa a noite, para quem teve que
enfrenta-la.
Começou com o dia em que a
temperatura passou, em poucos momentos, dos dois dígitos. Nosso fogãozinho à
lenha passou o dia azulando a chapa.
Eram oito e meia da noite quando
fui pela última vez na varanda, levar a Cylla para as necessidades dela e olhei
o termômetro que marca exatos oito graus.
Dentro de casa a temperatura
estava bem mais agradável, na casa dos 18 graus. Precisávamos andar de
agasalho, mas nada assim muito pesado.
Eu sei que eram nove e meia da
noite e eu tratei de me enfiar debaixo das cobertas. E claro eu debaixo do
cobertor quentinho não deu outra. Foi só engatar marcha pra frente e acelerar
no ronco. Dorinha ainda ficou um pouco mais tempo acordada, mas eu entreguei-me
aos deleites de Morfeu.
Claro que indo dormir cedo, você
acorda cedo. Questão de lógica.
Erma quatro e meia da manhã
quando o aviso de “você precisa ir ao banheiro”, aconteceu e ai, não tem jeito
porque esse aviso é a última linha de defesa, a bexiga já está do tamanho de
uma melancia e a gente é obrigado a levantar.
Quando eu coloquei os pés pra fora
da cama, senti a temperatura. Parecia que eu tinha colocado os pés num balde de
água gelada.
Tratei de pegar o roupão e fui ao
banheiro. Na volta ainda tive tempo para olhar o termômetro que temos no
corredor. O danado marcava onze graus.
Voltei para a cama que ainda
estava quentinha e me cobri de ficar só os olhos pra fora e pronto, já estava
novamente me preparando para o concerto em ré maior.
Acordei por volta das seis e meia
completamente sem sono, porque será?
Rola daqui, rola dali e criei
coragem para levantar. Agasalhei-me e fui olhar o termômetro. Ele ainda
continuava nos onze graus. Não, ele não está quebrado porque agora ele marca 18
graus e claro que eu o coloquei na geladeira para ver se ele abaixava.
Minha curiosidade estava em ver o
tempo lá fora.
Olhando pela claraboia que temos
na sala, o dia parecia bonito, com céu azul e o sol dando as caras.
Sai e fui direto ao termômetro
que temos na entrada da casa. Ele marca quatro graus. Isso mesmo, quatro graus
de temperatura. Estava mais frio que dentro da geladeira.
Quando eu olhei para o telhado da
casa em frente, ele estava branco. Havia geado levemente, mas dava para ver o
branco. Infelizmente não tem foto porque quando eu voltei para pegar a máquina,
o sol bateu no telhado e lá se foi a geada embora.
É um barato olhar para as casas e
vê-las todas com as chaminés funcionando. Aquele cheiro típico de lenha que
fica no ar frio da manhã é uma delícia.
E tudo isso me deu vontade de
ascender o nosso fogão.
QUE BAILE QUE EU TOMEI DELE. Acho que o cara não estava afim ou sei lá o
que, sei que quando eu consegui fazê pegar fogo, já estava na hora de eu sair,
isso sem contar no susto que eu levei. Imaginem. Cara malandro da cidade tipo
urbano esperto achou de jogar um pouco de álcool para ajudar a pegar fogo.
Lembrem-se que sou urbano
esperto, o fogo estava apagado. A festa foi quando joguei o fósforo que mesmo à
distância, fez um barulhão doido, subiu labareda por cima do fogão, saiu fogo
pela porta, até a tampa de limpeza da chaminé ele arrancou, mas foi só susto
mesmo.
Dorinha que acordou com o barulho
veio ver o que havia acontecido e segundo ela, eu estava com aquela cara de
cachorro quando faz arte e depois de tudo contado rimos um monte, ela voltou
para a cama e eu larguei de mão o fogão porque tinha que sair.
É isso pessoal, esse foi o nosso
primeiro dia de frio aqui em Canela.
Você acredita que aqui esta fazendo 6º de madrugada?
ResponderExcluirMSD