Vocês leram no meu último texto que uma das coisas que eu
estava fazendo era uma pesquisa de campo para a ACIC, Associação Comercial e
Industrial de Canela.
Esta pesquisa é para escolher as melhores empresas de Canela
em cada um dos setores.
Há uma metodologia na pesquisa, que é divida por setores da
cidade.
No primeiro lote me deram 100 entrevistas para fazer
distribuídas em seis setores escolhidos aleatoriamente pela coordenação da
pesquisa.
Agora no segundo lote, são mais 70 entrevistas nas mesmas
condições.
Bom o que eu quero dizer é que estou conhecendo Canela como
conheço poucas cidades. Estou conversando com os mais variados tipos de pessoas,
sendo cheirados pelas mais diversas raças de cachorros e andando em média, cinco
quilômetros por dia.
Está maratona toda começa a produzir algumas situações interessantes que tentarei descrever.
Está maratona toda começa a produzir algumas situações interessantes que tentarei descrever.
A primeira coisa é escolher a casa para a entrevista.
Como eu tenho começado sempre por volta de 9h30 da manhã, as casas ainda estão fechadas e em dias nublados então, quase ninguém põe a cara pra fora, quem dirá abrir a casa. Ai então eu uso as ferramentas que desenvolvi:
Como eu tenho começado sempre por volta de 9h30 da manhã, as casas ainda estão fechadas e em dias nublados então, quase ninguém põe a cara pra fora, quem dirá abrir a casa. Ai então eu uso as ferramentas que desenvolvi:
Calma pessoal ,não é o que estão pensando. Não, não é pé de cabra e nem uma arma, são ferramentas de
observação.
Se a janela está aberta é fácil, mas se a janela está fechada, partimos para os itens.
1) Se tiver luz acesa, há grande possibilidade.
2) Se perceber alguma música ou conversa, certamente tem gente.
É aqui em Canela, as ruas nos bairros são tão tranquilas que você consegue
perceber se há barulho dentro da casa.
3) Se tiver um carro parado na porta, não dentro do pátio, há
grande possibilidade de ter alguém na casa.
4) Se a chaminé do fogão está soltando fumaça, certamente tem
alguém na casa, ou é melhor ligar para os bombeiros.
E com essas ferramentas de observação eu vou facilitando a
minha vida no campo.
Ai entra a questão de como entrar em contato.
Aqui em Canela, na maioria das casas que eu visitei a campainha fica colada à porta, então você precisa entrar na casa da pessoa, tocar a campainha e voltar para ao portão.
Esse procedimento parece fácil, infantil até. E seria, se não fosse o detalhe de que na maioria dessas mesmas casas há um cachorro que te olha estranho e normalmente ele fica entre o portão e campainha.
Ai quando a campainha fica no muro da frente, longe do cachorro, na maioria das vezes ela não funciona.
O jeito é apelar para o velho e bom bater palmas e torcer para que uma vitima apareça, sim porque a pesquisa faz do entrevistado uma vitima.
São mais de 90 perguntas e todas de lembrança de marca, nos mais diversos segmentos de comércio e serviços da cidade, mas pesquisa é pesquisa e eu sempre as levei muito a sério e não seria agora que eu iria começar a detona-la, então vamos à apresentação.
Com um sorriso no olhar, e o crachá no peito eu armo o meu discurso.
Aqui em Canela, na maioria das casas que eu visitei a campainha fica colada à porta, então você precisa entrar na casa da pessoa, tocar a campainha e voltar para ao portão.
Esse procedimento parece fácil, infantil até. E seria, se não fosse o detalhe de que na maioria dessas mesmas casas há um cachorro que te olha estranho e normalmente ele fica entre o portão e campainha.
Ai quando a campainha fica no muro da frente, longe do cachorro, na maioria das vezes ela não funciona.
O jeito é apelar para o velho e bom bater palmas e torcer para que uma vitima apareça, sim porque a pesquisa faz do entrevistado uma vitima.
São mais de 90 perguntas e todas de lembrança de marca, nos mais diversos segmentos de comércio e serviços da cidade, mas pesquisa é pesquisa e eu sempre as levei muito a sério e não seria agora que eu iria começar a detona-la, então vamos à apresentação.
Com um sorriso no olhar, e o crachá no peito eu armo o meu discurso.
"Bom
dia. Eu sou da ACIC e estamos fazendo uma pesquisa para eleger as melhores
empresas de Canela de 2013.
É o prêmio
Mérito ACIC. O (a) Senhor (a) poderia nos ajudar, respondendo um questionário
comigo?
Não leva
mais que dez minutos. (primeiro truque, lembram, são 90 questões)
É uma
pesquisa de lembrança de marca.
Eu falarei
alguns segmentos e a senhora responderá o nome da empresa que lhe vier à
cabeça.
Caso não se
lembre de nenhuma, apenas diga que não lembra e seguiremos em frente, sem
preocupação.
Podemos começar?"
Depois do questionário, das 90 perguntas, quando
as pessoas começam a ficar impacientes e a me olharem atravessado, eu ainda peço mais dois favores:
Confirmar o nome e endereço, traçar um rápido perfil do entrevistado e pedir que ele escreva o seu nome na pesquisa para valida-la.
É minha gente, é fácil a vida de pesquisador.
Confirmar o nome e endereço, traçar um rápido perfil do entrevistado e pedir que ele escreva o seu nome na pesquisa para valida-la.
É minha gente, é fácil a vida de pesquisador.
Agora que vocês
entraram no clima de rua comigo, ficará melhor entender as situações que vou
relatar.
VIRANDO NETO.
Entrevistei uma
senhorinha, muito gentil que me convidou para entrar e sentar na varanda.
Comecei perguntado
sobre os segmentos e ela ia respondendo tranquilamente. Tinha um bom
conhecimento da cidade, principalmente das pessoas. Ela não lembrava direito do
nome das lojas, mas conhecia praticamente todos os donos (isso é bem comum por
aqui, coisa de cidade pequena).
Lá pelas tantas
ela me olhou e falou. “Nossa como o senhor parece meu neto que não vejo há muito
tempo” e pegou na minha mão.
Os olhos dela estavam cheios de lágrimas e ai pronto, lá se foi a pesquisa.
Parei peguei na mão dela e começamos a conversar e ela me contando da última vez que havia encontrado com o neto e eu perguntei por que fazia tempo que ela não o via e a resposta foi, porque ele havia morrido num acidente.
Caramba o que fazer diante daquilo, melhor mudar de assunto.
Os olhos dela estavam cheios de lágrimas e ai pronto, lá se foi a pesquisa.
Parei peguei na mão dela e começamos a conversar e ela me contando da última vez que havia encontrado com o neto e eu perguntei por que fazia tempo que ela não o via e a resposta foi, porque ele havia morrido num acidente.
Caramba o que fazer diante daquilo, melhor mudar de assunto.
Olhei em volta vi a foto de um jovem na parede
e perguntei se era ele, ao que ela respondeu com a cabeça que sim. Olhei mais
atentamente e a nossa única semelhança era a barba, mais nada, mas eu já a
estava chamando de “vó” e com isso ela foi relaxando e voltou a sorrir.
Ai, vó pra lá,
vó pra cá, uma história daqui, outra dali e consegui terminar a entrevista
quase uma hora depois de ter entrado na casa daquela senhora.
Sai de lá com
uma sensação boa. A de que mais do que pesquisa, havia feito uma senhora feliz, por ter trazido boas lembranças a ela.
Isso me lembrou
das épocas em que eu bancava o Papai Noel na empresa e ia visitar os orfanatos.
Sempre havia uma situação indigesta que precisava de uma resposta ou uma saída mais amena.
Sempre havia uma situação indigesta que precisava de uma resposta ou uma saída mais amena.
QUASE ME PERDENDO
Essa aqui também
foi bem legal.
Eu bati numa
casa e quem abriu a porta?
Uma garota,
daquelas que são difíceis não se reparar.
Ela vestia uma roupa muito menor do que o seu manequim que não mostrava nada, mas insinuava tudo e assim veio me atender.
Ela vestia uma roupa muito menor do que o seu manequim que não mostrava nada, mas insinuava tudo e assim veio me atender.
“Bueno” como se
diz por aqui. Era hora de centrar na pesquisa, mas não seria uma coisa muito
fácil não, porque ela era realmente muito bonita. Alta, morena de olhos azuis.... Calma mano, volta pra pesquisa.
Ela me convidou para entrar e eu fui até a varanda, porque era um daqueles dias de sol forte, mas eu sabia que estava arriscando.
Ela perguntou se
eu não preferiria fazer o questionário dentro da casa, que estava mais fresco.
Cara! Que desespero.
Por sorte meu anjo da guarda bom estava ali de plantão e me ajudou na resposta me fazendo dizer que a ACIC não permitia que nós entrássemos nas residências.
Digo isso porque sei que quem pilotou essa foi meu ajno da guarda. Se eu entro ali, não sei o que seria de mim e ai:
Adeus pesquisa, adeus casamento, adeus tudo.
Cara! Que desespero.
Por sorte meu anjo da guarda bom estava ali de plantão e me ajudou na resposta me fazendo dizer que a ACIC não permitia que nós entrássemos nas residências.
Digo isso porque sei que quem pilotou essa foi meu ajno da guarda. Se eu entro ali, não sei o que seria de mim e ai:
Adeus pesquisa, adeus casamento, adeus tudo.
Ficamos na
varanda. Eu sentando num banco e ela numa cadeira com as pernas cruzadas,
sorridente e insinuante. Ela sabia o que estava fazendo e eu sabia que ela
sabia que eu sabia que ela sabia o que estava fazendo.
Quando eu já havia
recorrido a quase tudo para me abster daquela visão e me concentrar na entrevista, eis que o "tinhoso" apronta de novo. Sem mais nem menos, a porta da sala se abre e de dentro sai outra garota nos mesmo moldes com uma bandeja
com água para nós. Me oferece um copo e depois de colocar a bandeja na mesa, passa por traz de mim, numa distância que dava
para sentir o perfume de banho recém-tomado e vai se se sentar ao lado da que eu estava
entrevistando. Sempre sorridentes e insinuantes. Elas estavam de sacanagem comigo.
Não foi fácil. Eu não lembro quanto tempo levou aquela entrevista, mas assim
que terminei, tratei de levantar e me mandar.
Eu não sabia quanto mais eu conseguiria aguentar. Eu só lembrada do "adeus casamento e adeus tudo".
Eu não sabia quanto mais eu conseguiria aguentar. Eu só lembrada do "adeus casamento e adeus tudo".
Quando entrei no
carro,e lembrei-me do que acabara de acontecer, comecei a rir sozinho.
No fundo foi divertido.
Fazia tempo que eu não levava uma cantada sem ser da minha mulher.
Fez bem pro meu ego e descobri que o coração ainda está em ordem e o medo também.
No fundo foi divertido.
Fazia tempo que eu não levava uma cantada sem ser da minha mulher.
Fez bem pro meu ego e descobri que o coração ainda está em ordem e o medo também.
FAMÍLIA FELIZ.
Nessas
pesquisas, eu visitei alguns lugares da periferia da cidade e numa dessas casas
eu encontrei uma família que me fez repensar a vida.
Era uma casa
muito simples, mas simples mesmo, quase beirando ao nada. Da rua dava pra ver
que era apenas um cômodo que abrigava a todos e como era um domingo, estavam
todos em casa, o pai, a mãe e as duas filhas.
A família era
linda. Tanto os pais como as filhas eram figuras daquelas que poderiam sair em
qualquer capa de revista, mas o que mais me impressionou foi a alegria em que
eles viviam.
Receberam-me com
alegria. Eu ia fazendo as perguntas e eles respondendo sempre com um sorriso no
rosto, brincando entre eles e na hora de montar o perfil percebi que a
simplicidade deles não era só de uma possível falta de sorte, mas sim de falta
de oportunidade, porque o pai pediu à filha mais velha que escrevesse o nome
dele na folha.
Aquela situação
me fez refletir sobre o que é mesmo necessário para sermos felizes e que a
verdadeira felicidade não está nas coisas e nem fora, está dentro da gente, num
carinho, num sorriso, numa delicadeza.
Estou aprendendo
muito com esse trabalho. A cada entrevista, a cada conversa, percebo o quão
pequeno eu sou e quanto ainda tenho que aprender sobre a cidade e suas pessoas.
Ainda tenho mais
quatro setores para fazer, vamos ver o que vou aprender nesses.
Obrigado e quem
sabe a gente nãos e vê pelas ruas de Canela. Pelo menos até o final do mês eu
estou por ai, senão a coordenadora me mata.
Delicia de texto, adorei!
ResponderExcluirEsse é o Grande Caius, sempre aproveitando as oportunidades para crescer e nos levar junto. Obrigada.
bjs
obrigado, mas passei por umas boas dessa vez......
ExcluirMuito gostoso entrar contigo no seu dia a dia...Obrigada maninho pela viagem instantânea, beijão saudades
ResponderExcluirObrigado você pelas palavras gentis.
ExcluirCaius!
ResponderExcluirDe uma coisa, tenha certeza, depois dessas experiências em relações humanas, nascerá um novo Caius! Precisamos sempre olhar, e ver, o que depois das nossas viseiras mentais, se esconde... Você está descobrindo e generosamente partilhando conosco! Cheguei ao seu blog por uma grande amiga-filha... a Glória! Um belo convite! Até mais!
Abraço,
Célia.
http://celiarangel.blogspot. com