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domingo, 17 de março de 2013

Enquanto isso na serra gaúcha

 
Hoje, 17 de março de 2013, começo a entender como vivem e o porquê de certos hábitos cultivados aqui na região.
Aqui na serra gaúcha, independente da rivalidade que existe entre Gramado, Canela e São Chico, todos podem ser considerados como serranos, então vamos considerar todos como serranos, porque eu acho que se perde mais tempo e energia querendo dividir do que querendo somar.
Desde ontem, uma frente fria chegou à região e a noite foi fria pra valer desde que chegamos. Eu sei que muitos dirão que o inverno ainda nem chegou e isso foi só um aperitivo, mas para nós que estamos chegando à região sentimos bastante.
O dia amanheceu nublado, a serração desapareceu assim como aquela chuva fina que parece que não molha, mas bastam dois minutos sob ela para que você se sinta ensopado, o termômetro marca dez graus, com a sensação do vento que bate a temperatura parece mais baixa.
A primeira coisa que eu fiz, depois de levar a Cylla para a volta matinal foi ascender o fogão à lenha. Eu ainda tomo olé dele, encho a cozinha de fumaça, uso o secador de cabelos para turbinar o ar, mas acabo vencendo. Eu ainda chego lá.
Fogo acesso, a cozinha desenfumaçada, coloco a mesa do café e sem que eu perceba, estou aquecendo água no fogão para fazer um chimarrão.
Pego a cuia, coloco a erva dentro e do mesmo jeito que no fogão, eu ainda apanho para faze-lo, mas não me importo, ainda tenho esperanças de um dia conseguir fazer um chimarrão do jeito certo.
Olho para o fogão e acho que está na hora de colocar outro pedaço de lenha. Agora o fogo está bacana e a cozinha está aquecendo.
O cheiro da lenha me lembra da infância quando íamos para o sitio do meu pai e lá o aquecimento era todo feito por um fogão campeiro que meu avô tinha feito.
Todos os dias a primeira coisa que ele, ou meu pai faziam, não sei direito era ascender o fogo para fazer o café.
Me lembro de acordar e ir procurar ao redor da casa, os ninhos das galinhas para pegar os ovos para que meu avô preparasse os ovos quentes pra nós. Só de lembrar da água na boca e uma saudades gostosa.
Voltei para a realidade com o relógio da sala marcando oito horas da manha. Dorinha ainda está na cama e eu estou aqui, sentando na cozinha, tomando um chimarrão, perto do fogão à lenha, viajando no tempo, sentido novos sentimentos e relembrando de velhos e bons carinhos da minha infância.
Achei uns ovos na geladeira, sei que não são iguais àqueles, mas vou colocar água na panela e tentar fazer um ovo quente em homenagem àqueles tempos.
Penso que o hábito do fogão à lenha e o chimarrão além de serem itens para aquecer, fazem as pessoas interagirem, contarem histórias, se conhecerem melhor, darem risadas e se lembrarem das coisas importantes da vida.
Obrigado aos que me deram essas lembranças e obrigado ao Rio Grande por me fazer lembrar delas novamente.
Os ovos estão prontos, Dorinha acabou de levantar e vamos tomar café.
 
 
 

5 comentários:

  1. Lembro-me do fogão a lenha e lembro-me também de uma das melhores festas juninas de que participei. Toda a família, passamos a noite no sítio, depois de horas ao redor da fogueira. Como dizia o poeta; Recordar é viver... Beijos a você e à Dorinha.

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  2. Caito, odeio as horríveis letrinhas e números que somos levados a digitar para publicar comentários.Consegui tirar do meu blog, veja se consegue tirar do seu... Beijão.

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  3. Deu certo. Estamos livres das benedettas (em homenagem ao Papa) letrinhas. Beijos.

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  4. Você pode fazer um galinheiro no quintal mas cuidado com os gambás
    Frango e chuchu.
    mamãe

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