Ela está de volta. Depois de uns
dois dias meio sem sal, Dorinha acordou a pleno vapor hoje. A impressão é que
realmente Canela está fazendo bem para ela. E junto com a Dorinha veio também a
Dita, aquela entidade faxineira que baixa nela de vez em quando. Aqui ela já
apareceu duas vezes em menos de dois meses.
“rum rum mizifio, hoje a veia arrebenda”
Cedo ela me disse o que eu
deveria fazer. Dessa vez ela me poupou. Pediu para eu ir ao centro entregar os
filmes, lavar o carro e comprar a comida da Cylla. Eu que não sou assim tão
bobo, atendi prontamente. Eu não me esqueci ainda da última vez que a Dita
esteve por aqui.
Peguei o carro e me mandei.
Canela é muito grande e eu estava preocupado em fazer o que ela havia me pedido
muito rápido e ter que voltar para casa e encarar a Dita de frente. Por sorte o
lava rápido não é assim tão rápido.
Deixei o carro com eles no acordo
de que ele, o carro, estaria pronto por volta das 10h30. Um bom horário e levando em conta os atrasos, imaginei que 11h eu estaria voltado para casa.
Sai caminhando pela calçada, o
sol estava gostoso, o dia lindo, os passos eram lentos como que se quisesse que
o tempo parasse, eu observava as vitrines das lojas, algumas já abertas, mas a
maioria ainda se preparando para abrir, a não ser a Quero-Quero que já estava
com os produtos do lado de fora da loja e aquela música alta irritante, não dá
para querer tudo.
Quando me dei conta estava em frente à
locadora, entrei e entreguei os filmes e ainda troquei uns dez minutos de
conversa com o dono da loja.
Voltei pelo mesmo caminho e dessa
vez não reparei na loja Quero-Quero, acho que eles nunca me terão como
cliente.
Parei numa loja de ferragens para
comprar algumas coisas a fim terminar uma instalação e continuei andando,
cumprimentei o guarda do banco, o vendedor da Oi e assim fui caminhando,
despreocupado olhando as árvores e as pessoas na maioria sorridentes e alegres
dando a nítida impressão que a vida aqui é mesmo muito boa.
Eu já estava sentado no banco
esperando o carro ficar pronto quando o telefone tocou. Era Dorinha perguntando onde eu estava e pedindo para eu comprar um creme para ela passar nos cabelos. Ela
achou que eles estão um pouco ressecados. Fui até
a farmácia mais próxima e pedi como ela havia me falado. “Por favor, minha
esposa precisa de um creme hidratante para cabelos tingidos”.
Claro que a garota perguntou: “Em
creme mesmo?”.
Pronto: Travei. Olhei para ela e
levantei os ombros como uma enorme interrogação.
Espere um pouco falei. Se eu
ligar para a minha esposa você conversa com ela?
Ela concordou e eu liguei para
casa, apresentei as duas e fiquei esperando até que elas chegassem a um acordo.
Por sorte o pacote de telefonia que fizemos trata as ligações do nosso celular para
casa como livres de cobrança.
Paguei, peguei o creme e voltei
para o lava rápido. O carro estava quase pronto e como eu havia imaginado, já o relógio marcava 11h.
Aproveitei para passar no mercado
e comprar alguma coisa para o almoço porque em dia que a Dita está o almoço sai
na hora.
Cheguei em casa e não é que a
Dita estava animada mesmo, tinha arrumado nosso quarto, o quarto do feriado e o
escritório, todos estavam um verdadeiro brinco. Só que a anta aqui não percebeu a
riqueza dos detalhes. Dá para adivinhar o que aconteceu?
Isso mesmo, Dorinha armou uma
tromba, com razão, que demorou uma hora e meia para desfazer-se.
Estávamos sentados à mesa e ela
com aquela cara de “você é um idiota mesmo” e eu tentando contornar a situação.
Sabia que ia apanhar, mas queria pelo menos o motivo. Quando ela finalmente
falou o que eu havia feito, quer dizer “o que eu não havia feito”, entendi o motivo e dei toda a razão para ela.
Terminado o almoço Dita baixou de
novo.
Ela resolveu que ia passar roupas.
Isso é uma coisa que ela não fazia há pelo menos uns cinco anos, não porque ela não quisesse, ela adora lavar e passar roupa (vai entender), mas os braços não deixavam e quando ela os operou já tínhamos um esquema em casa de passadeira então ela não precisava fazer, mas aqui lá foi ela para a mesa e o ferro e assim ficou por um bom tempo.
É claro que a falta de prática cobra seu preço, ela está com os braços doloridos, coitada, mas a roupa está lá, passada de um jeito que só ela sabe.
Ela resolveu que ia passar roupas.
Isso é uma coisa que ela não fazia há pelo menos uns cinco anos, não porque ela não quisesse, ela adora lavar e passar roupa (vai entender), mas os braços não deixavam e quando ela os operou já tínhamos um esquema em casa de passadeira então ela não precisava fazer, mas aqui lá foi ela para a mesa e o ferro e assim ficou por um bom tempo.
É claro que a falta de prática cobra seu preço, ela está com os braços doloridos, coitada, mas a roupa está lá, passada de um jeito que só ela sabe.
Agora vamos nos arrumar para
sairmos. Hoje é aniversário da Karen e o Wagner está preparando, desde as sete da manhã, uma costela de boi assada na vala. Só de pensar a boca já enche de
água.
Só um adendo:
Boa noite a todos.
Que bom que a realidade é o que vocês queriam. Estamos felizes. A Cylla sempre foi folgada, ela continua dormindo na mesma cama que vocês?
ResponderExcluirMauro, Sonia e Dorothea
bjs
A Cylla está dormindo na mesma cama só que do lado da Dora porque ela deixa. As vezes quando a noite esfria ela vem para o meio da gente mas sempre nos pés.
ExcluirIsso é que é vida de cachorro. Na próxima quero eu vir como Cylla.