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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Dorinha numa sexta-feira inspirada


Ela está de volta. Depois de uns dois dias meio sem sal, Dorinha acordou a pleno vapor hoje. A impressão é que realmente Canela está fazendo bem para ela. E junto com a Dorinha veio também a Dita, aquela entidade faxineira que baixa nela de vez em quando. Aqui ela já apareceu duas vezes em menos de dois meses.

“rum rum mizifio, hoje a veia arrebenda”

Cedo ela me disse o que eu deveria fazer. Dessa vez ela me poupou. Pediu para eu ir ao centro entregar os filmes, lavar o carro e comprar a comida da Cylla. Eu que não sou assim tão bobo, atendi prontamente. Eu não me esqueci ainda da última vez que a Dita esteve por aqui.

Peguei o carro e me mandei. Canela é muito grande e eu estava preocupado em fazer o que ela havia me pedido muito rápido e ter que voltar para casa e encarar a Dita de frente. Por sorte o lava rápido não é assim tão rápido.

Deixei o carro com eles no acordo de que ele, o carro, estaria pronto por volta das 10h30. Um bom horário e levando em conta os atrasos, imaginei que 11h eu estaria voltado para casa.

Sai caminhando pela calçada, o sol estava gostoso, o dia lindo, os passos eram lentos como que se quisesse que o tempo parasse, eu observava as vitrines das lojas, algumas já abertas, mas a maioria ainda se preparando para abrir, a não ser a Quero-Quero que já estava com os produtos do lado de fora da loja e aquela música alta irritante, não dá para querer tudo.

Quando me dei conta estava em frente à locadora, entrei e entreguei os filmes e ainda troquei uns dez minutos de conversa com o dono da loja.

Voltei pelo mesmo caminho e dessa vez não reparei na loja Quero-Quero, acho que eles nunca me terão como cliente.

Parei numa loja de ferragens para comprar algumas coisas a fim terminar uma instalação e continuei andando, cumprimentei o guarda do banco, o vendedor da Oi e assim fui caminhando, despreocupado olhando as árvores e as pessoas na maioria sorridentes e alegres dando a nítida impressão que a vida aqui é mesmo muito boa.

Eu já estava sentado no banco esperando o carro ficar pronto quando o telefone tocou. Era Dorinha perguntando onde eu estava e pedindo para eu comprar um creme para ela passar nos cabelos. Ela achou que eles estão um pouco ressecados. Fui até a farmácia mais próxima e pedi como ela havia me falado. “Por favor, minha esposa precisa de um creme hidratante para cabelos tingidos”.

Claro que a garota perguntou: “Em creme mesmo?”.

Pronto: Travei. Olhei para ela e levantei os ombros como uma enorme interrogação.

Espere um pouco falei. Se eu ligar para a minha esposa você conversa com ela?

Ela concordou e eu liguei para casa, apresentei as duas e fiquei esperando até que elas chegassem a um acordo. Por sorte o pacote de telefonia que fizemos trata as ligações do nosso celular para casa como livres de cobrança.

Paguei, peguei o creme e voltei para o lava rápido. O carro estava quase pronto e como eu havia imaginado, já o relógio marcava 11h.

Aproveitei para passar no mercado e comprar alguma coisa para o almoço porque em dia que a Dita está o almoço sai na hora.

Cheguei em casa e não é que a Dita estava animada mesmo, tinha arrumado nosso quarto, o quarto do feriado e o escritório, todos estavam um verdadeiro brinco. Só que a anta aqui não percebeu a riqueza dos detalhes. Dá para adivinhar o que aconteceu?

Isso mesmo, Dorinha armou uma tromba, com razão, que demorou uma hora e meia para desfazer-se.

Estávamos sentados à mesa e ela com aquela cara de “você é um idiota mesmo” e eu tentando contornar a situação. Sabia que ia apanhar, mas queria pelo menos o motivo. Quando ela finalmente falou o que eu havia feito, quer dizer “o que eu não havia feito”, entendi o motivo e dei toda a razão para ela.

Terminado o almoço Dita baixou de novo.

Ela resolveu que ia passar roupas.

Isso é uma coisa que ela não fazia há pelo menos uns cinco anos, não porque ela não quisesse, ela adora lavar e passar roupa (vai entender), mas os braços não deixavam e quando ela os operou já tínhamos um esquema em casa de passadeira então ela não precisava fazer, mas aqui lá foi ela para a mesa e o ferro e assim ficou por um bom tempo.

É claro que a falta de prática cobra seu preço, ela está com os braços doloridos, coitada, mas a roupa está lá, passada de um jeito que só ela sabe.

Agora vamos nos arrumar para sairmos. Hoje é aniversário da Karen e o Wagner está preparando, desde as sete da manhã, uma costela de boi assada na vala. Só de pensar a boca já enche de água.

Só um adendo:

Olhem se essa cachorra não é muito folgada.

Boa noite a todos.

2 comentários:

  1. Que bom que a realidade é o que vocês queriam. Estamos felizes. A Cylla sempre foi folgada, ela continua dormindo na mesma cama que vocês?
    Mauro, Sonia e Dorothea
    bjs

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    1. A Cylla está dormindo na mesma cama só que do lado da Dora porque ela deixa. As vezes quando a noite esfria ela vem para o meio da gente mas sempre nos pés.
      Isso é que é vida de cachorro. Na próxima quero eu vir como Cylla.

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