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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

E o mundo quase acabou pra mim


Hoje é o tal do dia 21 de dezembro, dia em que todos diziam que o mundo ia acabar em meio a furacões, ondas enormes, cidades engolidas e tudo mais.

Pois é, mas para mim quase que o mundo acaba mesmo.

Dorinha acordou super animada. Se ela animada eu já me ralo todo, imaginem ela no estado “super”. É quase o fim do mundo mesmo.

Primeiro levantou antes de mim. Isso foi uma alegria e ao mesmo tempo um temor. Hoje tem.

No café já veio a primeiro tsunami.

“Hoje vamos fazer uma arrumação nessa casa”. Eu gelei, perdi até a fome. Comecei a pensar na família e nos amigos de quem eu não havia me despedido, o meu mundo estava mesmo acabando.

Começamos pela área de serviço. Claro que ela dando as ordens e eu fazendo força. “Vamos colocar o prendedor de vassouras aqui dentro do banheiro”. Pensei que bacana vaga coberta e demarcada para as vassouras, a sogra vai gostar.

Fui ao porão buscar a furadeira e as ferramentas para instalar o novo estacionamento das bruxas.
Feito isso estacionamos as vassouras, (sogrinha deixei uma vaga bacaninha pra você) foi a vez de ligar o telefone na sala.

O fio foi passado pelo porão então lá fui eu para o porão passar e prender fio do telefone. Ai subi para fazer a ligação. Vale lembrar que o caminho da área de serviço até o porão não é coberto e hoje choveu o dia todo aqui em Canela.

Feita a ligação vamos ao teste. E quem disse que ele funcionou? Verifiquei a ligação, desci até o porão para ver se tem alguma coisa quebrada e nada de funcionar. Testei o telefone em outro ponto e ele estava legal, então era o “@#$##@!@” do fio. Voltei a correr tudo de novo quando descobri perto da entrada para o porão o fio partido. Emendei e pronto. O telefone da sala está funcionando.

Isso já eram quase 14h30 e nada do mundo acabar. Parei para fazer o almoço já que a Benedita quero dizer Dorinha, estava limpando o quarto. Eu a chamo de “Ditinha”, quando ela coloca aquele lenço na cabeça e pega os panos de limpeza.

Ditinha, vem almoçar. Gritei eu da cozinha.

Quando terminamos eram mais de 15h (mundo não tinha acabado e ela ainda com a Ditinha no corpo) eu num acesso de total estupidez, perguntei: E agora querida?

BUUUUUURRRO! A cabeça não pensa o corpo padece.

Agora, disse ela, você vai colocar os ganchos para a rede na área de traz, pegar a enceradeira no porão (sim nós temos enceradeira, é velhinha mais ainda dá conta do riscado) e depois nós vamos trocar a cama de lugar (Nossa Senhora, por favor, acaba o mundo eu pensava) e fui ao porão mais umas três vezes depois dessa, todas, absolutamente todas, sob chuva. Parecia complô. Parava de chover eu não precisava ir, bastava eu ter que ir ao porão pronto, lá vinha água. Tive até que trocar de camiseta.

Coloquei os ganchos, testei a rede, quase fiquei nela mas levantei, peguei a enceradeira e me apresentei no quarto para trocarmos a cama de lugar. Nossa cama mede 2,00 x 2,10 e o quarto tem no máximo 3,00 por 3,50 e mesmo assim ela achou um novo jeito de colocar a cama e não é que ficou bom! (Odeio essa coisa de visual).

Resolvido o quarto, (e o lencinho ainda na cabeça e nada da Ditinha subir) fomos para o escritório.
Quero trocar essa cama de lugar e essas caixas também. Adivinhe quem é que fez as manobras das caixas e da cama?

Pelo menos a Ditinha ajudou, passou a vassoura.

Quando colocamos tudo no lugar eu morto de cansaço a Ditinha vem com a outra.

Agora nós vamos abrir a passadeira, limpa-la e coloca-la aqui no corredor. E fomos nós dois com uma escova cada um passar na passadeira, ela tem uns sete metros de comprimento e nós dois esfregamos tudo ida e volta.

Colocada a passadeira no corredor, claro que não foi da primeira vez, sempre tem uma coisinha pra mudar a Ditinha vira e fala: “Nossa, olha como está esse chão, todo marcado”.

Eu fiquei quietinho, não sabia se concordava ou se me fingia de morto, então a Ditinha disse, passa a enceradeira ai na sala enquanto eu termino de arrumar a cozinha.

“Deus, olhai para esse filho que implora o seu perdão” eu pensava enquanto passava a enceradeira que agora eu já não achava tão bonitinha como antes.

Quando terminei desliguei tudo e fui colocar na área de serviço. Na volta ela vira pra mim e diz, agora só tem mais duas coisas para amanhã. Eu não me atrevi a perguntar o que era, mas não teve jeito, o mundo tava acabando mesmo e ela continuava, você pode escolher, ou passar roupas, ou arrumar o feriado. Feriado é aquele quarto que deixamos por último e que quase se transformou no novo sumidouro.

Eu não aguentei, pedi para ela tirar o pano da cabeça e falei “SOBE DITINHA QUE ESSE CORPO NÃO É SEU. QUERO A DORINHA DE VOLTA”.

E não é que deu certo. A Ditinha subiu mesmo.

Dorinha me olhou e disse. Vamos sentar um pouco no sofá para descansar?

Não pensei duas vezes, sentei e como sentei fiquei. A última coisa que eu me lembro é do relógio da sala batendo 18h.

Acordamos uma hora e meia depois e já que o mundo não acabou mesmo, amanhã tem mais, ou roupa, ou feriado. Como eu não sei passar roupas adivinhe onde eu estarei amanhã.

Ainda tenho esperanças que o mundo acabe hoje.

Boa noite e que saudades da Elaine.

5 comentários:

  1. E o mundo não acabou!!! mas o jogo continua; o pior é que arrumação de casa nunca termina; é só virar as costas e as coisas saem do lugar sózinhas. Bons sonhos.
    MDS

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    1. é verdade, sem falar que a bagunça se multiplica numa velocidade fantástica.
      Grato pelo carinho e atenção mesmo sem conseguir entender o que quer dizer esse MDS.
      Abraços e bom final de semana

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  2. Caius acho que este foi um dos melhores textos, muito bom, ri muito sozinha, bjs Alessandra (sua prima).

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    1. Obrigado Ale. O objetivo disso tudo é esse mesmo. Dar risada. Confesso que se eu não estivesse tão cansado naquele dia tambem riria muito.

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  3. AH AH AH AH !!!!!!
    Dá até pra ouvir seu corpo gemendo!!!!!

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